No último dia 12 de junho de 2026, o portal Brasil 247 publicou o artigo O partido sem cara e o desafio da democracia, assinado pelo jornalista Gustavo Tapioca. O texto comenta uma coluna de Eugenio Bucci sobre o suposto “partido clandestino” da extrema direita e as teses de pesquisadores do LAUT (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo) publicadas na imprensa capitalista sobre como “desarmar o autoritarismo”. Sob o pretexto de oferecer uma estratégia de longo prazo para proteger as instituições brasileiras após a prisão e condenação de Jair Bolsonaro (PL), a análise acaba condensando o exato motivo pelo qual a extrema direita continua crescendo e disputando a eleição com Flávio Bolsonaro. Em vez de apresentar um programa de ruptura com a política neolibaeral, a esquerda pequeno-burguesa decide terceirizar a luta política para o aparato repressivo do Estado, substituindo o debate econômico por uma cruzada moral.
O primeiro grande erro que explica o fortalecimento contínuo da direita é a vergonhosa capitulação da esquerda. O artigo de Tapioca flutua em abstrações acadêmicas sobre “supremacia civil” e “educação democrática”, mas se cala inteiramente sobre a realidade econômica que sufoca o trabalhador brasileiro. O bolsonarismo cresce porque a esquerda escolheu gerenciar o modelo econômico neoliberal, submetendo-se ao garrote do equilíbrio fiscal e das metas de superávit que estrangulam o investimento social. Quando a esquerda abdica de defender um programa econômico verdadeiramente transformador, que rompa com os interesses dos bancos e revogue as reformas contra o trabalhador, ela empurra as massas para a demagogia da extrema direita. O trabalhador, mesmo aquele com valores mais tradicionais e conservadores, seria ganho para um projeto progressista se visse uma luta real pela melhoria imediata de suas condições de vida, pelo aumento real dos salários e pela destruição do desemprego.
A incapacidade da esquerda pequeno-burguesa de travar uma luta política faz com que ela adote uma postura autoritária e covarde: ela passa a enxergar a dissidência não como um desafio a ser vencido no debate de ideias, mas como algo nefasto em si que deve ser sufocado pela força da lei. O articulista do 247 celebra a política do LAUT, que propõe o uso da máquina judicial para vigiar e punir:
“A proposta envolve enfrentar questões que o Brasil costuma adiar há décadas. (…) A disseminação industrial de notícias falsas. A captura do debate público por estruturas de desinformação. A instrumentalização política da fé.”
Essa política de usar o Estado capitalista para caçar “notícias falsas” ou para decretar que o povo trabalhador é meramente “instrumentalizado por sua fé” é de um elitismo asqueroso. A imprensa golpista e seus intelectuais consideram a classe operária como uma massa de manobra ignorante que precisa da tutela de juízes e agências de verificação para saber o que pensar. Ideias progressistas não precisam do porrete judicial para vencer a demagogia de Flávio Bolsonaro, elas vencem quando são acompanhadas de um programa de luta real que expresse a necessidade das pessoas. Ao apoiar a perseguição estatal contra opiniões dissidentes, a esquerda pequeno-burguesa apenas legitima as ferramentas de censura que a burguesia usará contra as próprias organizações operárias.





