Quando o imperialismo está em uma guerra e um de seus principais porta-vozes diz Todos são perdedores na guerra no Oriente Médio, o títuo do artigo de Thomas L. Friedman, publicado na Folha de S. Paulo, nesta sexta-feira (12), está dizendo com todas as letras que perdeu, levou uma surra.
Friedman é editorialista de política internacional do New York Times, um sionista, e não seria fácil para ele confessar a derrota; então, precisa colocar todos no mesmo cesto, como que tentando diminuir o tamanho da humilhação.
O primeiro parágrafo do artigo diz que “os líderes de Israel, Irã, Hezbollah, Hamas e Estados Unidos têm uma coisa em comum: nenhum deles quer uma comissão de inquérito analisando o seu desempenho no mais recente conflito do Oriente Médio.”
É uma estranha colocação, pois o Hamas e Hesbolá estão em luta contra invasores. Em que precisariam ser auditados?
Em uma conclusão até infantil, Friedman afirma que “uma das razões pelas quais esta guerra pode se prolongar é porque a maioria dos líderes desses países e milícias sabe que a história está de olho neles e, no minuto em que as armas silenciarem, haverá um acerto de contas moral, político e econômico que será devastador para cada um desses tolos”
Ninguém age ou deixa de agir pensando que o mundo vai pensar. O que move a história são os interesses, a luta de classes. O imperialismo quer esmagar os palestinos, os libaneses e os iranianos que não querem ser esmagados e por isso lutam.
O autor, afirmando que vai analisar cada um, diz que “o Hamas iniciou este último conflito no Oriente Médio em 7 de outubro de 2023, com uma invasão a Israel a partir da Faixa de Gaza, na qual, em um único dia, assassinou mais de 1.200 pessoas —homens, mulheres e crianças— e sequestrou mais de 250. Qual era o objetivo de guerra do Hamas?”
Para começar, os palestinos não invadiram “Israel”, é justamente o contrário. A Operação Dilúvio de Al-Aqsa é uma resposta a décadas de massacres, roubo de terras, assassinatos. É um direito de qualquer povo lutar contra forças coloniais.
Friedman diz que, até onde percebe, “a fantasia [do Hamas] era que, ao invadir Israel, desencadearia uma revolta regional na qual as forças de ‘resistência’ —incluindo o Hezbollah, o Irã e até mesmo algumas nações árabes— o ajudariam a aniquilar o Estado judeu.”
Não havia nenhuma fantasia, mas um plano, e as forças de resistência – sem aspas – estão aniquilando o Estado sionista, o que inclui o Hesbolá e o Irã. E também não resta dúvida que está sendo gestada uma revolta nos países árabes, que só é contida pela força de ditaduas controladas pelo imperialismo e aliadas de “Israel”.
“O Hamas”, prossegue o jornalista, “não lançou esta guerra com nenhuma intenção pacífica —isto é, com uma arma em uma mão e um mapa de paz na outra, mostrando como dois povos nativos, judeus e palestinos, poderiam coexistir entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo.”
Chega a ser um escárnio alguém acusar os palestinos de não serem pacíficos com os autores de massacres como os de Deir Yassin, Tantura, Sabra e Chatila… Quem falou que são dois “povos nativos”? O próprio pai de Benjamin Netaniahu era polonês e se chamava Benzion Mileikowsky. E como falar em coexistência pacífica se os invasores impedem os palestinos de visitarem o Mediterrâneo?
Revelando o que não dá para esconder
Em seguida, Friedman admite que “o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o seu governo de extrema direita formado por supremacistas judeus lançaram uma guerra de aniquilação em resposta. O único mapa que ele ofereceu foi um em que apenas os judeus controlariam a área do rio ao mar.”
Faltou informar que, antes de Netaniahu, os governos eram supremacistas e estabeleceram um regime de apartheid, e é contra essa gente que o Hamas e o Eixo da Resistência lutam de forma legítima.
A grande covardia de Friedman, como é comum entre os sionistas, o faz acusar o Hamas pelo massacre, que supostamente teria recusado que a população se abrigasse nos túneis.
Ao contrário do que afirma o jornalista, o Hamas não se “infiltrou na população de Gaza”, é o partido mais votado.
É verdade que como disse Iahia Sinuar, “o sacrifício humno do povo palestino deslegitimou ‘Israe’ em todo o mundo a um nível nunca anes visto” Friedman fala do repúdio internacional ao sionismo, inclusive a “artistas e acadêmicos israelenses”
Como o jornalista explica, o Estado sionista gastou bilhões de dólares e décadas para forjar uma boa imagem de “Israel” e está tudo irremediavelmente destruído.
Friedman escreve que a “o movimento do povo judeu pela autodeterminação na sua pátria bíblica —chamado sionismo— tornou-se um palavrão nos campi universitários e nos partidos políticos liberais, e cada vez mais em alguns conservadores” O problema é a Palestina fica bem longe da Polônia e do Leste Europeu, pátria da maioria dos sionistas e que a Bíblia não menciona.
O jornalista também fantasia que Netaniahu derrotou o Hamas militarmente. Após mais de mil blindados destruídos e mais de 20 mil baixas no exército, Trump teve que socorrer e costurar às pressas um cessar-fogo.
Outra mentira vergonhosa é dizer que por culpa do Hamas que “os cerca de 2 milhões de palestinos em Gaza estão agora vivendo na maior miséria de todos os tempos.” É por viverem na pobreza e na opressão imposta pelos sionistas que o Hamas foi criado e se tornou a maior força política em Gaza: para lutar contra os invasores colonialistas. Se Friedman não entende uma coisa tão simples, sua fama de bom jornalista é como “Israel”, não passa de propaganda.
Líbano
O Hesbolá é fruto direto da Guerra no Líbano e da destruição causada no país pelo Estado genocidad de “Israel”. Desde o último cessar-fogo, os sionistas não ficaram um único dia sem violar o acordo, ainda assim, o “grande jornalista” afirma que o grupo “arrastou todo o Líbano para uma guerra”
Segundo Friedman, que agora, “Israel tem tropas por todo o sul do Líbano e respondeu aos ataques do Hezbollah ao norte de Israel esmagando vilas xiitas na região e bairros xiitas em Beirute. Cerca de 1 milhão de libaneses foram transformados em refugiados em seu próprio país, e o Hezbollah se expôs pelo que é: um exército mercenário agindo de acordo com os interesses de seus financiadores iranianos, não de acordo com os interesses do Líbano ou mesmo dos xiitas libaneses”
Uma visão curiosa, primeiro porque não fala do financiamento de “Israel”, que nem mesmo existiria se não fosse a montanha de dinheiro que recebem anualmente do imperialismo.
É verdade que os sionistas estão fazendo bombardeios pesados, mas contra civis. E, não, o Hesbolá não é mercenário, é um grupo de resistência que está impondo derrotas duríssimas aos sionistas e levando seu exército genocida à beira do colapso.
Irã
Para Thomas L. Friedman, “quanto ao front do Irã, agora está claro que o presidente Donald Trump e Netanyahu iniciaram uma guerra contra o regime islâmico para derrubá-lo por meio de bombardeios aéreos e não tinham um plano B, caso o plano A falhasse —o que aconteceu. O Irã, infelizmente, tinha um plano B e um plano C”. Infelizmente para quem?
O jornalista chama os governantes do Irã, de “líderes sombrios”, mente descaradamente sobre o Irã tentar construir um bomba e procurar “estender o imperialismo iraniano sobre o Líbano, o Iraque, o Iêmen, a Síria e os estados do Golfo Árabe” É um completo delírio!
Na cabeça do “analista” político internacional, a guerra de agressão contra o Irã seria motivada pelo urânio enriquecido, um pretexto que não convence nem uma criança. O país não tem que entregar seu urânio para ninguém, é soberano, e não precisa, como já demonstrou, de armas nucleares para destruir todas as monarquias petrolíferas e “Israel”.
Pergo do final, o patético jornalista do New York Times diz que “a guerra que começou em 7 de outubro de 2023 foi iniciada e levada adiante por homens muito maus”, os homens bons, provavelmente, são aqueles atiram não um, mas quatro mísseis contra uma escola de crianças.





