Rui na TV 247

‘EUA se enfiaram num pântano militar’, diz Rui Costa Pimenta

Em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira (13), presidente do PCO tratou da guerra contra o Irã, do caso Banco Master, da crise do STF e do cenário eleitoral

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (13) à TV 247, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã colocou Washington em “um pântano militar” e abriu uma situação desfavorável para o imperialismo. Na conversa com Leonardo Attuch, Pimenta também comentou notícias sobre o Líder da Revolução Islâmica do Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz, a internação de Jair Bolsonaro, o escândalo do Banco Master, o desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF) e a disputa eleitoral brasileira.

Logo no início da entrevista, Attuch mencionou informações divulgadas no exterior sobre um possível ferimento ou assassinato do novo Líder da Revolução Islâmica. Pimenta respondeu que, ainda que isso viesse a se confirmar, a situação continuaria sendo desfavorável para Washington.

“Os Estados Unidos se enfiaram num pântano militar. Eles não esperavam. É muito estranho gente adulta e responsável não esperar que a reação do Irã fosse uma reação tão forte. Pelo que eu pude entender dessa operação, que o presidente do Irã chamou de erro épico, eu acho que eles não contabilizaram todas as possibilidades de reação iraniana.”

Ao comentar a estrutura política iraniana, Pimenta afirmou que o país não depende de uma única figura e observou que as próprias informações em circulação ainda eram contraditórias. Ele lembrou que, no dia anterior, havia sido publicada uma mensagem dirigida ao povo iraniano e sustentou que a notícia poderia fazer parte de uma operação de guerra psicológica.

“O Irã não depende de uma única pessoa. É uma estrutura política sólida. Esse negócio do ferimento do aiatolá, o próprio Irã falou que ele foi ferido no começo do conflito, mas que ele estava bem. Se ele foi assassinado, como disseram, teria sido assassinado hoje, porque ontem ele publicou uma mensagem ao povo iraniano. Eu acho que é possível que isso aí seja tudo conversa.”

Pimenta também defendeu como legítima a reação militar iraniana contra países da região que estão servindo de base para a ofensiva contra o Irã. Na entrevista, ele declarou que havia participação efetiva dessas instalações no ataque e classificou isso como “ato de guerra”.

“Absolutamente. Porque o que a imprensa não fala é que desses países saíram aviões e tal para atacar o Irã. Alguns falaram: ‘não, as bases não estão sendo utilizadas’. Mentira, as bases estavam sendo utilizadas. É um ato de guerra. O Irã tem todo o direito de se defender.”

Sobre o Estreito de Ormuz, Pimenta afirmou que o impacto econômico da crise já podia ser sentido antes mesmo de um desabastecimento efetivo. Segundo ele, o temor de interrupção do fluxo de petróleo já bastava para pressionar os preços internacionais e criar dificuldades para vários governos.

“É um impacto econômico enorme. Você vê que só o pânico causado, porque até agora não há racionamento de gasolina nem nada, mas só o pânico causado já elevou o barril do petróleo. Segundo expectativas, o petróleo que estava circulando, que havia saído das refinarias e dos postos e se dirigindo aos clientes, se esgotaria agora em 15 dias. Então a gente entraria numa segunda fase em que os governos teriam que usar os estoques regulatórios. Agora, se a situação não se resolve rapidamente, nós podemos estar vendo aí o barril do petróleo a US$200.”

Em outro momento da conversa, Pimenta relacionou a guerra ao fortalecimento relativo da Rússia, da China e da aliança entre esses países e o Irã. Para ele, os Estados Unidos já acumulavam derrotas parciais e não haviam conseguido alcançar nenhum objetivo decisivo no conflito.

“É uma derrota, porque é muito difícil que eles consigam algum objetivo fundamental nessa guerra contra o Irã. Eles já sofreram várias derrotas parciais. A destruição das bases norte-americanas é uma humilhação para os Estados Unidos e é uma derrota parcial importante. O fechamento do Estreito de Ormuz já leva vários dias, e os norte-americanos não conseguem desobstruir o estreito. Eu acho também que se consolidou ainda mais a aliança entre China, Rússia e Irã.”

Pimenta afirmou ainda que o papel de “Israel” na região havia se alterado profundamente. Na sua avaliação, o país deixou de atuar como força de policiamento regional em nome do imperialismo e passou a depender diretamente da intervenção das potências imperialistas para sustentar sua posição militar.

“Anteriormente Israel cuidava do policiamento daquela região em nome do imperialismo. Agora, ao invés de Israel ser o braço armado do imperialismo, é o imperialismo que tem que socorrer Israel, porque Israel não dá conta do Irã. Se o imperialismo não consegue destruir o Irã, o papel de Israel fica muito limitado.”

Na parte final do bloco internacional, o presidente do PCO disse que um fracasso da ofensiva norte-americana no Irã poderia alterar o quadro político geral, desorganizando a tentativa do imperialismo de recuperar terreno depois de derrotas acumuladas em outras frentes.

“Se a ofensiva norte-americana e imperialista fracassar no Irã, isso pode levar a uma mudança geral na situação política. O imperialismo vem realizando uma contraofensiva depois de derrotas meio catastróficas, como aconteceu no Afeganistão ou com a operação russa na Ucrânia. Se ele fracassar aqui, essa contraofensiva vai ficar bastante desorganizada.”

Ao passar aos temas nacionais, Attuch citou o boletim médico divulgado sobre a internação de Jair Bolsonaro. Pimenta afirmou que o STF estaria “brincando com fogo” e avaliou que a morte do ex-presidente poderia produzir um impacto político de grandes proporções, favorecendo o bolsonarismo.

“Eu acho que o STF está brincando com fogo. Se o Bolsonaro morrer, isso aí vai ter um impacto político no Brasil muito grande.”

Na sequência, ele associou esse possível desdobramento ao ambiente de perseguição política e ao escândalo do Banco Master. Para Pimenta, a combinação entre os dois fatores poderia ser explorada politicamente de modo muito intenso pela direita.

“Se ele vier a falecer, o que vai acontecer é que vão culpar todo o processo de perseguição. Processo esse que está duramente questionado pelo escândalo do Banco Master. A coisa vai aparecer assim: corruptos assassinam Bolsonaro.”

Ainda sobre a sucessão eleitoral, Pimenta insistiu que o bolsonarismo não poderia ser subestimado. Ele afirmou que Jair Bolsonaro segue sendo uma figura popular e disse que parte da população o vê como alguém “contra o que aí está”, em contraste com a imagem oficialista atribuída ao PT.

“Bolsonaro é uma figura carismática, é uma figura popular e além disso ele tem uma organização política mais ou menos sólida. Ele tem um enraizamento no aparato de segurança, uma base entre os militares e essa base evangélica. Não é uma coisa que possa ser subestimada.”

Ao analisar o escândalo do Banco Master, Pimenta declarou que o caso se ampliava continuamente e comprometia as instituições do regime político, em particular o STF. Na entrevista, ele afirmou que a crise não parava de se aprofundar e que poderia assumir proporções ainda maiores caso houvesse delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro.

“O caso Vorcaro vai se ampliando, vai se espalhando como uma mancha de óleo. Se houver delação premiada, não sei se vai haver, isso vai levar o escândalo a proporções inauditas. É um grande escândalo nacional, compromete as instituições de um modo geral, em particular o STF, e não para de se aprofundar.”

Pimenta sustentou que o governo Lula fazia corretamente ao procurar se distanciar do caso, mas ponderou que essa separação seria difícil depois de anos de apoio do PT ao Supremo. Na sua avaliação, o governo não teria como se dissociar facilmente do desgaste da Corte.

“É difícil dissociar o governo Lula do STF. Nós temos três anos em que o governo Lula apoiou o STF em tudo que o STF fez. O PT elogiava o STF como grande baluarte da democracia. Apoiaram todos os desmandos do Alexandre de Moraes. Não sei se o governo vai conseguir se dissociar totalmente ou em grande medida do escândalo.”

A entrevista também abordou a possibilidade de interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro. Pimenta afirmou que, se Donald Trump tentasse intervir diretamente, deveria haver confronto político e sustentou que Lula precisaria adotar uma posição de enfrentamento.

“Se o Trump tentar intervir na eleição brasileira, eu acho que vai haver conflito. Se não houver conflito, o PT estaria capitulando em termos gerais diante do Trump.”

Para ele, esse enfrentamento seria o melhor terreno para a candidatura petista, desde que viesse acompanhado de um programa mais combativo contra as medidas de ataque aos trabalhadores. Pimenta defendeu que o PT abandonasse a postura de partido “responsável pela massa falida” e passasse a confrontar abertamente propostas como reforma da Previdência, reforma trabalhista e arrocho fiscal.

“Se o PT quiser ganhar a eleição, ele precisa aparecer como partido bastante esquerdista e antissistema. Teria que confrontar o Flávio Bolsonaro e falar: nada de reforma da aposentadoria, nada de reforma fiscal, nada de reforma trabalhista; pelo contrário, nós somos favoráveis a dar mais direitos aos trabalhadores.”

Questionado sobre a pressão dos Estados Unidos para enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, Pimenta classificou a medida como ingerência e ameaça à soberania brasileira. Ele afirmou que esse tipo de classificação poderia abrir caminho para formas de intervenção norte-americana no País.

“Isso aí é mais uma ingerência absurda do governo norte-americano. Quem são eles para determinar que fulano é terrorista e beltrano não é terrorista? É uma imposição ilegal e absurda. Se você fala que no Brasil existe uma organização terrorista, um país como os Estados Unidos, acostumado a intervir nos outros países, abre a porta para uma intervenção.”

Na parte final da entrevista, Attuch levantou a polêmica envolvendo declarações de Ratinho e a reação da deputada Érica Hilton. Pimenta afirmou que a hipótese de provocação política era plausível e voltou a defender que divergências dessa natureza não deveriam ser tratadas como caso penal. Ao mesmo tempo, avaliou que esse tipo de episódio poderia produzir efeitos eleitorais importantes.

“Eu acho que a sua hipótese é plausível, de que seja uma provocação. E não tenho dúvida de que isso vai acontecer com frequência daqui para frente. A questão identitária é um flanco exposto.”

Ao encerrar o tema, Pimenta avaliou que a crise aberta pelas pesquisas eleitorais teria levado o PT a buscar uma reformulação apressada de sua orientação, mas insistiu que a mudança só teria efeito real se viesse acompanhada de um programa mais à esquerda e de enfrentamento mais aberto à direita.

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