A Análise Política da 3ª desta semana, transmitida ao vivo no dia 10 de março, discutiu a crise do regime político brasileiro e a escolha do novo Líder da Revolução Islâmica no Irã. Sob o título Khamenei, o sucessor, o programa da Rádio Causa Operária contou, como sempre, com os comentários de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO).
O programa iniciou abordando o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar, que acumula dívidas de quase R$5 bilhões. Para o analista Rui Costa Pimenta, o episódio expõe a fragilidade do discurso oficial governista sobre a economia.
“Isso demonstra que as estatísticas estão em contradição com a realidade. Não é apenas que o Pão de Açúcar é uma das maiores cadeias do varejo nacional, como é uma empresa estrangeira também; o que quer dizer que teria mais condição de sustentar uma situação de crise. Mas é evidente que há uma diminuição do consumo e que essa diminuição afeta todo o varejo”, afirmou Pimenta.
O dirigente relembrou ainda que o setor vem sofrendo pressões fiscais e quedas sucessivas.
“Não adianta querer apresentar a estatística como sendo uma realidade. Temos que acrescentar aqui que temos diversos problemas bancários também. Temos vários bancos aí que podem e estão efetivamente entrando em colapso.”
Ao tratar dos dados de pleno emprego celebrados pelo governo, o presidente do PCO foi categórico ao apontar o que classifica como “maquiagem estatística”, um padrão que, segundo ele, remonta ao início da era neoliberal para ocultar a exclusão social.
“O que o governo não comenta é que algo como 40% das pessoas com idade para trabalhar no Brasil não estão empregadas. Esses daí incluem os que já desistiram de procurar emprego e os que estão procurando e não acharam. Na conta do desemprego, se o cidadão vender cachorro-quente no metrô ou picolé na praia, ele está empregado de acordo com o critério do IBGE.”
Pimenta defendeu que a política atual trouxe melhorias, mas contrastou o resultado com a propaganda:
“O positivo não é suficiente, é muito pouco. O resultado é muito pequeno e contrasta com a retórica que quer apresentar que o resultado pequenininho seria, na verdade, um grande resultado. É propaganda enganosa.”
A discussão econômica passou pelo cenário internacional, onde o petróleo Brent atingiu picos de 119 dólares devido à guerra contra o Irã. Rui Costa Pimenta analisou a política de preços da Petrobrás e o perigo que ela representa para o governo Lula em ano eleitoral.
“A Petrobrás não é uma verdadeira empresa estatal, ela é uma empresa privada com participação do Estado brasileiro. É da natureza do negócio privado acompanhar essa evolução internacional do preço. Se houver aí um ‘tarifaço’ de petróleo, uma subida muito grande dos preços, sem dúvida nenhuma vai prejudicar o governo Lula na eleição.”
Um dos pontos mais importantes do programa foi a discussão sobre o contrato de R$131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
“Fazer um contrato de 130 milhões para prestar consultoria é inédito no Brasil. Esse é o contrato advocatício mais caro que já foi feito no país. A suspeita de que isso daí seja tráfico de influência, de que seja um negócio desonesto, é muito grande. Quem tem que explicar o que está acontecendo é o Alexandre de Moraes, porque ele é uma figura pública. O ato da pessoa pública tem que ser explicado, tem que ser transparente e claro para as pessoas.”
Para o dirigente, o escândalo é o resultado da política da esquerda de se apoiar no Judiciário: “a esquerda terceirizou a luta contra o bolsonarismo para o Alexandre de Moraes e o STF, e agora não consegue e não quer se desvencilhar do abacaxi em que se transformou o Supremo”.
Pimenta comentou ainda os detalhes “rocambolescos” da comunicação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro. O esquema envolvia impressões de blocos de notas enviados por WhatsApp com mensagens que se autodestruíam.
“As conexões e as evidências que aparecem aí são muito grandes, são avassaladoras. Esse escândalo parece perfeito: um banqueiro picareta, um golpe na praça multibilionário e o envolvimento de ministro do STF. Parece um script de cinema.”
Pimenta destacou ainda que a base militar observa o caso com indignação.
Com o surgimento de denúncias envolvendo familiares do presidente no escândalo do INSS, Pimenta afirmou que o governo se encontra em meio a uma “tempestade política” e criticou a reação de seus apoiadores.
“Os apoiadores do Lula e o PT adotaram a política de avestruz de enfiar a cabeça debaixo da terra e fingir que o problema não está aí. A força das minorias políticas está em falar a verdade. A mentira é para quem tem muito poder. Uma política revolucionária se apoia na verdade, no fato de que os acontecimentos vão confirmar aquilo que você diz.”
Sobre o tema central, Rui Costa Pimenta analisou a ascensão de Mojtaba Khamenei, filho do mártir Aiatolá Saied Ali Khamenei. Ele rebateu as interpretações da imprensa imperialista que sugerem que o novo líder seria apenas um “testa de ferro”.
“A Guarda Revolucionária é o núcleo da defesa da República Islâmica e é bem eficiente. O novo líder supremo é afinadíssimo com a Guarda Revolucionária, não pode haver dúvida nenhuma. Ele é representante de um determinado sistema político que existe no Irã. Se o imperialismo tinha como objetivo a mudança de regime, esse fracassou totalmente. O assassinato de Khamenei selou essa porta.”
No encerramento, Rui Costa Pimenta alertou que a insistência em defender figuras desgastadas do Judiciário pode custar caro à esquerda. Ele citou pesquisas que mostram Flávio Bolsonaro empatado com Lula: “o pessoal tem que parar de se esconder da realidade e enfrentar o que está acontecendo. Estão entregando o país para a direita”.





