Governo Trump

Existe um ‘novo imperialismo’? – parte 3

Finalizando a crítica ao artigo que propõe um "novo imperialismo" desde Trump, demonstramos que existe, na verdade, o velho imperialismo em crise terminal

Donald Trump

Seguindo na análise sobre o artigo O novo imperialismo de Donald Trump, de Carlos Eduardo Martins, publicado no sítio A Terra é Redonda em 3 de março, – a primeira [leia] e a segunda parte [leia] estão disponíveis – passamos para a contradição que o título sugere.

Novo sugere algo renovado, forte, mas os dados que Martins apresenta contradiz essa tese, mostra uma estrutura carcomida que luta para sobreviver. No primeiro parágrafo do tópico 3, o autor apresenta o imperialismo utilizando “Israel” para a “atingir o Irã.” Visando com isso “produzir uma mudança de regime, controlar o Estreito de Ormuz com um governo pró-estadunidense e ameaçar a China, colocando em risco o seu abastecimento energético”. É o que se espera do imperialismo. No entanto, lemos logo em seguida que “a incapacidade de Israel para cumprir esta missão tem levado ao crescente envolvimento militar dos Estados Unidos no Irã”, e isso é um grande problema para Donald Trump, que se elegeu prometeu acabar com as guerras eternas e restringir os gastos.

Carlos Eduardo Martins diz que “Trump acentua as vulnerabilidades estruturais dos Estados Unidos” e as “ameaças e violações que lança sobre as soberanias estatais no mundo agregam-se ao crescente parasitismo financeiro e ao declínio tecnológico para impulsionar uma corrida global contra o dólar”.

O parágrafo seguinte pinta um quadro se deteriora a passos largos, diz que “em 2000, o dólar representava 60% das reservas monetárias mundiais, patamar muito semelhante ao de 2016 (56%), quando Donald Trump se elegeu presidente da República pela primeira vez. Desde então, a participação do dólar despencou para 43,8% em 2025 e a do ouro aumentou de 10,9% para 24,2%. Um dos principais determinantes desse processo é a compra do metal pela China: em 2008, suas reservas que eram de 599 toneladas, passaram para 1054 (2009), 1658 (2016), 1948 (2022) e, 2030 toneladas em 2025”.

Da maneira como está colocada a questão, tem-se a impressão que Trump fez a economia ruir; quando, de fato, foi a ruína da economia e o consequente acirramento da luta de classes que o elegeu.

Martins reconhece que “há fortes evidências de que estamos próximos de uma grave crise financeira nos Estados Unidos, que deverá colocar em questão o último pilar de sua hegemonia: o protagonismo do dólar. Ela possivelmente se desdobrará ao longo da quarta grande queda do índice Dow Jones em relação ao ouro”. Em que esse quadro faz o leitor acreditar que estamos diante de um “novo imperialismo”? Ainda mais quando se lê que “a capacidade de o imperialismo norte-americano fazer frente a isso é muito limitada”.

Finalizando o tópico, Martins diz que “os Estados Unidos estão perdendo a corrida tecnológica para a China de forma irreversível: foram ultrapassados em número total de patentes e em patentes per capita, em 2012 e 2018, respectivamente; responderam por 9,9% do crescimento do PIB global em 2025, contra expressivos 26,5% da China; e viram a potência asiática expandir o seu saldo comercial para US$ 1,2 trilhão, de US$ 538 bilhões em 2024”.

Aqui cabe uma observação: os números que a economia chinesa apresentam, como os demonstrados acima, têm sido utilizados pela esquerda pequeno-burguesa para afirmarem que a China é um novo imperialismo, que somado à Rússia formariam um novo bloco de um mundo multipolar. Nada mais falso.

China, Rússia, e Irã, estão sob forte ataque investida do imperialismo, que devido a sua crise aguda, tem tido dificuldade em lidar militarmente com o iranianos, o que não significa que não vão continuar atirando, pois o grande capital, a burguesia internacional, entende que esta é uma luta de vida ou morte.

Finalizando seu artigo, Carlos Eduardo Martins alega que os Estados Unidos, sob uma agenda neofascista, estariam correndo contra o tempo, fazendo apostas perigosas para tentar reverter tendências estruturais da economia mundial que favorecem o Oriente e colocam em risco a economia americana.

Imperialismo

Há um ponto que precisa ser esclarecido: Estados Unidos e imperialismo não são idênticos, ainda que o país seja o mais rico, mais poderoso do bloco, e o coordene. O imperialismo, o grande capital, não tem pátria, e para manter seu domínio sobre o mundo acabou exaurindo seu maior sustentáculo: os EUA.

A recuperação da hegemonia americana interessa ao imperialismo, é por esse motivo que todas as “democracias” da União Europeia fazem um corpo único com o “fascista” Donald Trump em sua investidas; seja contra a Venezuela, Irã, Rússia e China. O problema é que a financeirização da economia aprofunda a crise em vez de reverter a deterioração.

Há ainda outro ponto: se EUA e imperialismo não são idênticos, a queda americana, sim, coincide com a derrota do imperialismo.

Há diversos pontos que Martins levanta no último tópico, o de número 4, que podemos destacar:

“Sem o respaldo do dólar como moeda forte, o poder militar do imperialismo perde grande parte da sua capacidade de atuação” . Destaca-se os gastos de US$ 8 trilhões nas guerras contra o Iraque e o Afeganistão. As mortes de “7 mil soldados e de 8 mil contratistas”, além dos 30 mil veteranos de guerra que se suicidaram”. Vale lembrar dívida pública americana já superou o PIB em 125%, e que apenas o pagamento de juros superam US$ 1 trilhão.

Segundo o autor, “o assassinato de Ali Khamenei e seus assessores mais próximos mostra o enfoque radicalmente elitista que Donald Trump quer aplicar às relações internacionais”, mas em que isso difere de outros governos democratas ou republicanos? Quem matou Allende? Quem vem promovendo todo tipo de golpes desde o final da II Guerra Mundial?

A “nova versão da Blitzkrieg nazista: guerra de assalto vinculada a uma tecnologia militar e informacional de alta precisão”, é muito mais um senso de urgência do que evidência de fascismo por parte do governo americano.

No último parágrafo, Martins escreve que “o tempo corre contra os Estados Unidos que, com a agenda neofascista de Donald Trump, faz uma aposta política altíssima”. Neste exato momento, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Austrália estão ajudando os EUA contra o Irã. Estão, no mínimo, compartilhando a “agenda” de Trump.

O fascismo nunca foi um problema para as democracias liberais, foram elas que apoiaram e financiaram Mussolini e Hitler. Se, parafraseando Karl Marx, a história se repete, a primeira vez como tragédia; desta vez, é preciso denunciar a farsa: a de que exista uma luta contra o fascismo. A esquerda pequeno-burguesa, que prega essa política, quer apenas arrastar a classe trabalhadora para a colaboração de classes e dar fôlego para seu principal inimigo, o imperialismo.

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