Guerra contra o Irã

Folha de S.Paulo, o fascismo ‘democrático’

Imperialismo matou o líder que impedia o Irã de produzir armas nucleares, atacou covardemente o país e reclama do protagonismo dos militares

Khamenei e Soleimani

O artigo Escolha de líder sela transição, e teocracia do Irã agora veste farda, de Igor Gielow, publicado na Folha de S. Paulo no domingo (8), apesar da arrogância tradicional, e de sua adesão ao sionismo, mal consegue esconder a apreensão, a sensação de que algo não vai bem.

Seu texto inicia dizendo que “A escolha de Mojtaba Khamenei, 56, para suceder ao pai como líder supremo do Irã serve aos desejos mais imediatos do que sobrou da teocracia islâmica instalada no poder desde 1979”. Talvez Gielow não tenha prestado atenção no que tem circulado nas redes, mas o que sobrou da “teocracia” islâmica são ruas lotadas, mesmo sob bombardeio criminoso, com pessoas chorando a morte do aiatolá Khamenei e entoando cânticos pedindo vingança.

O jornalista utiliza maldosamente o termo “teocracia”, mas sabe que se trata de uma república islâmica. Talvez Igor Gielow não tenha coragem de se referir assim a “Israel” que se apresenta como um Estado Judeu, no qual seus políticos reivindicam as terras dos palestinos, pois teriam sido prometidas por ninguém menos que Deus, que, por sinal, os teria escolhido como seu povo. E, caso tenha coragem, perderá seguramente o emprego.

“Sob ataque dos Estados Unidos e Israel desde sábado (28)”, segue o jornalista,  “quando Ali Khamenei foi morto ao lado de talvez 40 integrantes da cúpula militar e política do país, o regime demonstrou rápida capacidade de adaptação à crise”. O aiatolá foi brutalmente assassinado, isso que a imprensa venal não quer revelar, ele não era um alvo legítimo, não era um combatente, seu assassinato fere as convenções internacionais. Khamenei não estava escondido, trabalhava em casa que, aliás, não tinha luxo. Com ele morreram diversos familiares, incluindo sua neta, Zahra Mohammadi Golpayegani, de apenas 14 meses de idade.

Essa é uma guerra de agressão, é um crime contra a humanidade. Igor Gielow, que se notabilizou falando de fundamentalismo e de terrorismo, fica bem quietinho dependendo de quem o está praticando.

Primeira surpresa

Gielow diz que o regime, que também é uma forma pejorativa de se referir ao governo iraniano, “sustentava uma retaliação a alvos em todo o Oriente Médio que provou dispensar cadeia de comando vertical”. Os monarcas absolutistas, que os capachos da grande imprensa, tratam por reis e príncipes, viram as bases americanas em seu solo sendo duramente castigadas e reduzidas a escombros. E, sim, o Irã desenvolveu um sistema de defesa que independe de um comando vertical, portanto, o inimigo errou feio e está sendo duramente castigado, apesar do grande poder que possui.

Outra grande importância da descentralização é ser um antídoto contra a conhecida covardia dos genocidas sionistas, que podem querer fazer uso de armas nucleares. Caso se atrevam, os iranianos terão como responder e podem atingir as instalações nucleares israelenses e varrerem o país do mapa.

“Este sucesso aparente”, reconhece Gielow envergonhado, “escamoteia o risco existencial a que a teocracia segue exposta, mas também o fato de que ela só usa turbante agora na fachada. O real poder no país é fardado, e a escolha do recluso Mojtaba indica novo centro de gravidade na política iraniana”. Acontece que não há risco nenhum. O aumento da importância dos militares é uma medida defensiva, foi a agressividade dos sionistas e do imperialismo que obrigou o Irã a isso.

Essas pessoas que se dizem tão inteligentes, assassinaram exatamente o homem que impediu que o Irã produzisse armas nucleares. Portanto, não reclamem, vocês pediram. É sabido que o Irã tem plenas condições de produzir armas nucleares. Era desejo dos militares, mas eles obedeciam Khamenei.

A suposta “transição para uma República Islâmica de forte caráter militarizado”, à la “Paquistão”, de fato não é “um processo que não começou nesta guerra”, foi uma necessidade de sobrevivência, pois faz trinta anos que os sionistas estão a trinta dias de construir uma bomba, e são ameaçados e agredidos militarmente e com sanções econômicas.

Foi o imperialismo, atirando seus cães sionistas contra o Irã que levou o Irã a ser o que é. O país, que fez uma revolução em 1979, alfabetizou a população e é um dos que mais produz engenheiros no mundo, apesar dos poucos recursos. Desenvolveu armas inovadoras e se tornou a principal potência militar no Oriente Médio.

Canalhice

Gielow repete as mentiras sobre os costumes sobre a “morte sob custódia de uma jovem”. Mente que “o ataque terrorista do aliado Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 abriu o caminho até a guerra atual”. O jornalista sabe que os palestinos têm direita de lutarem contra invasores colonialistas, a lei internacional os protege.

Para esse jornalista pró-“Israel”, um povo que está lutando contra aqueles que roubam suas terras é terrorista, mas trata naturalmente quem joga bombas sobre uma escola com meninas entre 6 e 12 anos, matando 180. E por que essas meninas estavam na escola? Porque os “honrados” americanos fingiam estar negociando, supostamente não iriam atacar.

É uma piada ter de ler que “a barbaridade perpetrada pelo grupo palestino deu a Binyamin Netanyahu, que desde antes de seus primeiro governo nos anos 1990 priorizava o embate com o Irã, a oportunidade de um acerto de contas regional contra a linha de defesa primária do regime”. Barbaridade? Gielow já ouviu falar de Deir Yassin, Tantura, Sabra e Chatila, Gaza, para ficarmos em poucos exemplos de muitos, mas prefere, como todo hipócrita, agredir as vítimas.

Igor Gielow é patético ao escrever que “na virada do ano, mais um golpe com os megaprotestos que, a exemplo do que aconteceu no Brasil em 2013, começaram por causa da economia, mas viraram sistêmicos.” Em seguida, em tom afetado, diz que “o regime fez o que sabe, repressão dura, mas a desconexão da casta religiosa da população se fez evidente. – grifo nosso.

Essa frase destacada é reveladora. Gielow sabe que pelo menos trinta milhões de pessoas saíram às ruas em mais 1500 cidades para apoiar o governo. A revolução colorida que seus patrocinadores tentaram armar no Irã fez água. Até opositores saíram às ruas apoiando as medidas.

Piso escorregadio

Finalizando, Gielow escreve que “agora, com Mojtaba à frente, decorativo ou não, a teocracia pode por ora dizer que vive enquanto novos atores dão as cartas. O quanto aguentará o assalto pelos ares é variável tão importante quanto sua capacidade de manter o desgaste regional de Trump, uma aposta na inconstância do americano. – grifo nosso.

O Irã está resistindo, e bem. Ataca incessantemente seus inimigos, obrigou a marinha americana a correr e se afastar ainda mais. A arrogância do jornalista se desfaz na última frase, com ênfase na palavra “inconstância”, pois ele sabe que sem os EUA… nada feito para os criminosos de guerra: o Estado sionista, que pode tomar um golpe que nunca imaginou. Donald Trump deu a entender que a “missão” no Irã está quase “concluída”.

Aquilo que Trump fala não se escreve, mas essa “missão quase concluída” está mais para saída honrosa.

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