Conforme avança a guerra contra o Irã, a esquerda pequeno-burguesa vai ficando mais tímida e evita a criticar o governo iraniano como no período anterior. O artigo do MES-PSOL, Abaixo o ataque imperialista e sionista contra o Irã! Pelo direito à resistência do Irã!, publicado no sítio Revista Movimento nesta segunda-feira (2), também adotou esse formato, mais ‘adequado’ para o momento.
No olho do artigo o artigo diz defender “o direito do Irã resistir do ponto de vista militar, respondendo aos ataques imperialistas e protegendo seu arsenal militar”.
O primeiro parágrafo diz que “Trump e Netanyahu começaram um ataque sem precedentes contra o Irã, no sábado 28 de fevereiro. Batizada de “Fúria Épica”, a operação foi coordenada entre o imperialismo estadunidense e o estado sionista, sendo muito mais forte e brutal que a guerra de doze dias levada a cabo em junho passado”. Porém, essa informação não está totalmente correta, existem outras forças envolvidas.
O Reino Unido, desde a invasão ao Iraque, esteve envolvido em todas as operações com os EUA, auxiliou no genocídio em Gaza, bem como esteve presente com CIA e Mossad nos distúrbios no início do ano.
A França também colaborou no genocídio e está se engajando na guerra contra o Irã.
Em abril de 2014, esses países, incluindo Itália, Jordânia e países do golfo, agiram conjuntamente para tentar bloquear a retaliação iraniana contra as agressões israelenses.
Apesar de informar a mortes de civis e lideranças “dentre elas, o principal líder do país, o Aiatolá Ali Khamenei e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, figura conhecida na mídia e na diplomacia mundial. Nesse momento, a guerra de agressão se alastra para todo Oriente Médio, com ataques de Israel no Líbano, ampliando o número de frentes. A ilustração da crueldade máxima do ataque imperialista-sionista foi a destruição de uma escola para meninas”, faltou dizer que matar pessoas que não estão combatendo, como o caso do aiatolá, é um crime grotesco, sinal de degeneração completa.
Motivos
O texto diz que “os motivos de Trump são a neutralização da capacidade militar e nuclear do Irã”, mas, do jeito que está escrito, dá a impressão de que os iranianos estavam atrás de construir uma bomba nuclear, sendo que havia duas fátuas de Khamenei que impedia a construção.
Em seguida, quem escreveu artigo fala sobre o caso Epstein, o projeto da “Grande Israel” e do desejo de aniquilação da Palestina.
A reprovação
Na hora de defender o Irã, escrevem o seguinte: “defendemos o direito do Irã resistir, do ponto de vista militar, respondendo aos ataques e protegendo seu arsenal militar. Isso não significa emprestar apoio político ao regime iraniano, nem a sua política repressiva, a qual sempre condenamos veementemente”.
Defendem, mas não defendem. E ainda repetem a mentira que nunca abandona os noticiários burgueses, de que o governo iraniano seria uma ditadura repressiva. Se isso fosse verdade, por que as ruas estão abarrotadas de pessoas chorando a morte do aiatolá?
‘Trump, o inimigo da humanidade’
Este é o intertítulo que precede o parágrafo que “para derrotar a agressão imperialista ao Irã é preciso ampliar a resistência dos povos, coordenar as ações anti-imperialista ao redor do Planeta e sobretudo, apoiar a resistência que pode dobrar a linha de Trump dentro dos Estados Unidos”. Coordenar as ações com quem se o mundo “democrático” está ao lado de Trump?
A esquerda pequeno-burguesa fez uma grande campanha, a de que todos deveriam se unir para derrotar o fascismo, encarnado na figura de Donald Trump. Essa política agora mostra sua cara, não passava de colaboração de classes, conforme já vínhamos denunciando.
Nunca houve uma luta contra o fascismo. Os supostos inimigos de Trump estão neste momento ajudando na guerra contra o Irã. Então, essa esquerda precisa explicar com quem será ampliada a resistência, e luta não pode ser apenas contra Trump, tem que envolver todos os associados.
“É possível derrotar Trump. Não haverá paz justa ou mesmo qualquer paz no mundo sem derrotar Trump e Netanyahu”, a questão é que existe a necessidade de se derrotar os outros países do imperialismo, que estão neste momento participando na Ucrânia ao lado dos nazistas.
Sectarismo
A esquerda identitária, que se vale de uma suposta opressão contra as mulheres para não apoiarem o Irã, o Talibã, e outras resistências muçulmanas, precisam deixar o sectarismo de lado. Não é preciso ser religioso para entender a importância da religião muçulmana como fomentador da resistência. Isso se mostrou desde a revolução de 1979, que colocou o Irã na mira do imperialismo.
Quem não apoiar o Irã, e isso tem que ser incondicional, estará traindo também a Palestina.
Esta guerra precisa ser ganha. Caso contrário, se o imperialismo vencer, o principal pilar do Eixo da Resistência, o Irã, será destruído, o que dará novo alento para o imperialismo e até mesmo sua expansão dentro do Oriente Médio.
A vitória no Oriente Médio pelo imperialismo não determinará apenas a expansão de “Israel”, mas abrirá uma avenida para que avancem sobre a Rússia e, sobretudo, a China. Dois países que a esquerda pequeno-burguesa insiste em chamar de imperialistas, o que revela uma incompreensão teórica que apenas favorece o imperialismo.




