O artigo da Corrente Revolução Permanente – Quarta Internacional (CRP – QI), Pela derrota dos Estados Unidos e de Israel! Abaixo a guerra imperialista de Trump e Netanyahu contra o Irã!, publicado no sítio Esquerda Diário nesta segunda-feira (2), tem uma peculiaridade, ali se demora mais tempo para atacarem o governo do Irã.
São quase 12 mil caracteres, e apenas na metade do texto passam a criticar o regime, este que está enfrentando o imperialismo.
No início dizem que “A ofensiva militar coordenada entre os Estados Unidos e o Estado colonialista de Israel contra o Irã, mediante bombardeios aéreos e ataques em múltiplas cidades, é uma guerra de agressão imperialista”.
Acusam que “os ataques combinados de Washington e Tel Aviv, os mesmos responsáveis pelo genocídio do povo palestino em Gaza, já assassinaram centenas de civis iranianos (incluindo dezenas de crianças em uma escola para meninas no sul no país), destruíram dezenas de ativos de infraestrutura em Teerã e no resto do país, assim como levaram ao assassinato do aiatolá e líder supremo iraniano Ali Khamenei”.
Consideram que “Abre-se com isso uma dinâmica imprevisível para todo o Oriente Médio, com tendências abertas a uma guerra regional. Tanto mais que Pete Hegseth, ministro da guerra de Trump, afirmou que não há um “fim à vista” para a agressão. Israel lançou uma campanha de ataques contra o Líbano e sua capital, Beirute, causando dezenas de mortos”.
Os exemplos acima demonstram um discurso até radicalizado. Mais adiante falam da Síria, Cuba, e que “é imperioso levantar, categoricamente, a derrota política e militar dos Estados Unidos e de Israel no Irã. A esquerda anti-imperialista, socialista e revolucionária deve defender incondicionalmente a derrota dos Estados Unidos e de Israel (assim como das potências europeias que os apoiam), ou seja, estar inconfundivelmente no campo da nação oprimida contra a nação opressora”.
Naturalmente, o grupo reivindica ter essa “postura anti-imperialista”. Porém… “com a mais absoluta independência de classe diante do regime anti-operário, repressivo e reacionário dos aiatolás”.
O regime iraniano é fruto de uma revolução que expulsou do país uma elite vendida, a do xá Reza Pahlavi, que governou o país após um golpe que objetivava reverter a nacionalização do petróleo e promover o saque das riquezas iranianas pelo imperialismo, o que foi feito com sucesso durante um período, uma vez que o povo foi jogado na miséria. No entanto, a tensão social aumentou com a crescente exploração que culminou no Revolução Iraniana de 1979.
Apesar de o Irã ser uma república islâmica, o alega que “o regime político teocrático e ultraconservador do Irã, até agora liderado por Ali Khamenei, é um inimigo implacável das massas trabalhadoras e populares do Irã, responsável pela perseguição às mulheres (emblematicamente simbolizado no assassinato da jovem curda Mahsa Amini em 2022), aos curdos e pela repressão às greves operárias no país”.
A morte de Mahsa Amini, como vídeo comprova, não tem nada a ver com assassinato e outras mentiras que tanto se repetem. O mesmo se pode dizer da tal “perseguição às mulheres”. Há perseguição contra mulheres quando estas representam 60% das pessoas com formação universitária? Quando são a elite da medicina e quando foram as responsáveis técnicas pelos três satélites que o país acaba de lançar?
Isso não é tudo, o Irã tem uma universidade exclusiva para as mulheres, quais outros países dão a elas tantos privilégios? Essa esquerda fica apenas repetindo a propaganda produzida pelo “mundo civilizado”. Ocorre que esse civilzados não estão interessados no bem-estar das mulheres, querem o Irã volte ao tempo em que as mulheres viviam na miséria e o petróleo fluía para enriquecer o capital financeiro.
Outra fraude grotesca é a afirmação de que “em janeiro, Khamenei orquestrou um massacre contra milhares de manifestantes, afogando em sangue os protestos por demandas legítimas, contra os efeitos da miséria, da fome e da crise econômica nacional que recaíram sobre as massas”.
Existem milhares de vídeos circulando na internet mostrando as milícias comandadas pela CIA e pelo Mossad massacrando a população e agentes de segurança espancados até a morte, decapitados, ou até queimados vivos. Os americanos e os sionistas até se gabaram de ter “gente no terreno” para tentar uma mudança de regime. A CRP – QI não pode mentir que não sabe do que realmente se passou, essa informação é pública, e só repetem as mentiras porque estão comprometidos ideologicamente com o imperialismo e precisam atacar seus inimigos.
Os ‘comunistas’
Toda hora que os esquerdistas pequeno-burgueses falam da Revolução Iraniana surge a questão dos comunistas. Como se vê no trecho que diz que “efetivamente, a ditadura teocrática dos aiatolás surgiu da expropriação política da Revolução Iraniana de 1979, o mais orgânico dos processos revolucionários no Oriente Médio, que derrotou Reza Pahlevi e os EUA, dando origem às shorás (conselhos operários), que poderiam em seu desenvolvimento ter aberto uma nova situação regional, mas que foram brutalmente reprimidos pelo aparato repressivo clerical”.
Faltou a esse grupo revelar que dentre os tais comunistas houve quem traísse a revolução e se unisse ao Iraque, que foi jogado contra o Irã pelo imperialismo em 1980 com o intuito de esmagar a revolução.
“Esta é a origem deste regime e de seu acionar repressor contra as massas como método de sustentação no poder”, na opinião da CRP – QI, que ainda afirma que “esta conduta prejudicou sistematicamente a preparação do enfrentamento e da resistência anti-imperialista no Irã”, o que é uma verdadeira aberração. Basta olhar para o que está acontecendo no mundo.
O Irã foi fundamental para a criação do Eixo da Resistência, e é seu pilar principal. O Eixo é composto pelo Irã, Iêmen, Palestina e Líbano, faltando apenas a Síria, tomada por forças terroristas apoiadas pelo imperialismo.
Não faz o menor sentido dizer que “é muito mais difícil para a população trabalhadora iraniana, as mulheres e a juventude, enfrentarem o imperialismo norte-americano e o sionismo colonialista, as forças mais contrarrevolucionárias da atualidade, tendo sobre si a repressão sistemática do reacionário regime dos aiatolás” , porque não é o povo que está lutando, mas o Estado, seu exército, e isso é o governo quem coordena e comanda tudo isso. Ser contra o governo é ser contra a luta, pois o povo não pode lutar sem estar organizado.
Há ainda outo dado que desmente essa posição da CRP – QI: o povo saiu às ruas aos milhões para apoiar o governo contra os mercenários do imperialismo. Agora, com o martírio do aiatolá, o povo tomou as ruas em luto e canta pedindo vingança. Que tipo de ditador sanguinário recebe esse tipo de carinho e respeito?





