Gustavo Petro, o presidente colombiano, assinou em 19 de fevereiro um decreto que fixou transitoriamente o salário mínimo legal mensal em $1.750.905 de pesos, mais o auxílio de transporte de $249.095, totalizando cerca de $2 milhões, mantendo o aumento de aproximadamente 23,7% em relação ao valor de 2025. A medida veio durante uma sequência agressiva de decretos em benefício dos trabalhadores da Colômbia.
O governo decretou a medida no final de dezembro de 2025, justificando-a com base na Constituição colombiana, que estabelece o direito a uma remuneração mínima, vital e móvel.
Apesar de suspensões provisórias pelo Conselho de Estado, que questionou aspectos técnicos e pediu novo decreto, Petro manteve o percentual ao expedir um decreto transitório em fevereiro de 2026, assinado publicamente na Plaza de Bolívar, em Bogotá, diante de milhares de apoiadores que gritavam “nem um peso atrás”. A medida beneficiou diretamente milhões de trabalhadores formais, superando em muito os aumentos anteriores (como o de 16% em 2023, também sob seu governo) e atendendo demandas históricas de sindicatos.
Desde então e até antes disso, a situação política na Colômbia já ganhava contornos intensos, com o presidente Gustavo Petro adotando medidas executivas por decreto em meio a bloqueios institucionais e um cenário de polarização crescente, especialmente às vésperas das eleições legislativas de março de 2026 e presidenciais de maio do mesmo ano.
Paralelamente, o governo enfrentou dificuldades no Congresso para avançar reformas sociais prioritárias, como as de saúde, pensões e trabalhista. Em resposta, Petro declarou estado de emergência econômica em dezembro de 2025, visando implementar medidas fiscais para cobrir déficits orçamentários estimados em bilhões de pesos, após o Legislativo rejeitar projetos de financiamento. A Corte Constitucional suspendeu a emergência por maioria expressiva, considerando-a inconstitucional em caráter provisório, o que motivou indignação da população contra bloqueios institucionais ao Executivo, expressa em um aumento substancial da popularidade do presidente Petro.
Para contornar obstáculos legislativos e impulsionar mudanças sociais mais significativas, Petro assinou, em fevereiro de 2026, durante um conselho de ministros em Cartagena, a solicitação de uma Assembleia Nacional Constituinte. O processo, já com comitê promotor inscrito na Registraduría, prevê coleta de mais de 2,5 milhões de assinaturas para validar a convocação. A iniciativa será apresentada após 20 de julho de 2026, quando o novo Congresso (eleito em 8 de março) estiver instalado, evitando sobreposição com o calendário eleitoral imediato. O projeto lista nove eixos principais, incluindo:
- Reformas sociais bloqueadas (saúde, pensões, serviços públicos, educação, soberania de dados e IA);
- Aprofundamento da reforma agrária;
- Adaptação à crise climática;
- Novo ordenamento territorial;
- Modificações no sistema judicial (mantendo a Corte Constitucional);
- Reforma política com mudanças no sistema eleitoral, financiamento de campanhas, voto livre e obrigatório, e facilitação de revocatórias;
- Implementação imediata dos acordos de paz e tratamento do narcotráfico;
- Criação de uma confederação de nações grancolombianas.
Essas ações, especialmente o reajuste salarial agressivo e a defesa pública de direitos trabalhistas, geraram repercussão positiva entre setores populares e bases de esquerda. Pesquisas recentes indicam um aumento na aprovação do presidente: segundo a pesquisa Invamer, divulgada em fevereiro de 2026, a aprovação de Petro saltou para 49,1%, um aumento de mais de 11 pontos em relação a novembro de 2025 (quando estava em 38%). Esse crescimento se deve ao impacto direto do aumento do salário mínimo, uma medida de forte apelo entre trabalhadores, em um contexto de crise social e política.
O governo também tem questionado aspectos do sistema eleitoral, com Petro demandando maior transparência, incluindo acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas e auditorias para evitar possíveis irregularidades.
No geral, essas iniciativas por decreto e a proposta constituinte refletem uma estratégia de Petro para pressionar instituições e mobilizar apoio popular em um momento de desafios institucionais, com efeitos visíveis na opinião pública e no debate pré-eleitoral colombiano.





