Leste Europeu

União Europeia organiza golpe de Estado na Armênia

Governo de Nikol Pashinyan vence eleição marcada por prisões, pressão contra a oposição e interferência imperialista

O partido Contrato Civil, do primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan, declarou vitória nas eleições parlamentares realizadas no domingo (7), em uma votação marcada por denúncias de repressão contra a oposição, uso da máquina estatal e interferência direta do imperialismo europeu.

Segundo a Comissão Eleitoral Central da Armênia, o partido governista obteve 49,81% dos votos, resultado que permitiria a Pashinyan formar um novo governo. Em segundo lugar ficou o bloco Armênia Forte, liderado pelo empresário russo-armênio Samvel Karapetyan, com 23,29%. A Aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kocharyan, ficou em terceiro, com 9,94%. O partido Armênia Próspera, de Gagik Tsarukyan, também ultrapassou o limite necessário para entrar no Parlamento.

A imprensa imperialista apresentou a eleição como uma escolha “democrática” entre Rússia e União Europeia. Na realidade, o processo foi conduzido sob forte pressão contra as forças que defendem uma política externa menos submissa à União Europeia e aos Estados Unidos.

O caso mais grave envolve o bloco Armênia Forte. Samvel Karapetyan, seu principal dirigente, está em prisão domiciliar sob acusações de ter planejado um golpe durante protestos antigovernamentais de 2024 e 2025. No fim de semana da eleição, seis candidatos de seu movimento foram presos.

Karapetyan denunciou que sua organização sofreu uma verdadeira operação de intimidação. Segundo ele, cerca de 75 membros de sua equipe foram presos e mais de 700 apoiadores detidos ao longo do último mês. Em outra denúncia, afirmou que aproximadamente 100 simpatizantes foram presos no sábado e no domingo da votação.

A oposição também acusa o governo de ter tentado desqualificar o bloco Armênia Forte antes do pleito. Além disso, observadores relataram irregularidades durante o dia da eleição e pressão exercida por homens não identificados.

O ex-presidente Robert Kocharyan, líder da Aliança Armênia, anunciou que contestará oficialmente os resultados. Segundo ele, a eleição ocorreu em meio a “pressão sistemática das autoridades”, uso sem precedentes de recursos administrativos e violações do processo eleitoral.

Outro elemento fundamental é a exclusão da diáspora. A Armênia tem cerca de três milhões de habitantes dentro do país, mas entre cinco e sete milhões de armênios vivem no exterior, principalmente na Rússia, nos Estados Unidos e na França.

Mesmo assim, as urnas foram abertas apenas dentro da Armênia. A legislação eleitoral não permite o voto no exterior em eleições parlamentares. Para votar, o cidadão armênio que vive fora precisa estar fisicamente no país no dia da eleição.

Em março, o governo ainda endureceu as regras, barrando o voto de pessoas que vivem fora da Armênia há mais de dez anos. Também houve relatos de que cidadãos armênios vindos da Rússia, especialmente jovens, tiveram que verificar sua situação militar antes de votar. Autoridades chegaram a afirmar que homens em idade de conscrição poderiam ser obrigados a participar de treinamento militar ou enfrentar processo.

Na prática, milhões de armênios foram afastados da decisão sobre o futuro do país. Essa exclusão atinge em cheio a comunidade armênia na Rússia, que é enorme e tende a se opor à ruptura artificial entre os países.

A vitória de Pashinyan é um passo rumo à União Europeia. O próprio primeiro-ministro tem defendido a aproximação com o bloco europeu, apesar de a Armênia sequer ter status de candidata à adesão.

A União Europeia, por sua vez, ofereceu 50 milhões de euros a Ierevan em meio ao processo político.

A Armênia é um país pequeno, sem litoral e economicamente dependente de relações regionais estáveis. A Rússia é seu principal parceiro comercial e abriga uma enorme comunidade armênia. O país também integra a União Econômica Eurasiática, bloco do qual recebe importantes benefícios econômicos.

Vladimir Putin afirmou que a saída poderia custar até 14% do PIB armênio. A questão energética também é decisiva. A Rússia fornece gás à Armênia a US$177,50 por mil metros cúbicos, enquanto os preços no mercado europeu ultrapassam US$600.

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