Em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira (27), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, avaliou que a disputa pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 entrou em um cenário “delicado” e que “o risco eleitoral é real”. Segundo ele, pesquisas devem ser lidas “criticamente”, mas indicam um quadro apertado.
Pimenta afirmou que parte do campo governista apostou que a ofensiva judicial contra Jair Bolsonaro encerraria o bolsonarismo, o que, na visão dele, não ocorreu. “Todo mundo contava que a ofensiva judicial contra o Jair Bolsonaro iria acabar com o bolsonarismo. Eu nunca acreditei”, disse, acrescentando que o bolsonarismo permanece “firme e forte”.
O dirigente do PCO apontou como principal ameaça à candidatura de Lula o avanço de denúncias, citando o caso do Banco Master e a CPI do INSS. “Eu acho que são as denúncias”, afirmou. Para ele, se as acusações “vierem a respingar a lama diretamente no governo”, a candidatura pode ficar comprometida.
Ao comentar a disputa em torno da quebra de sigilo do filho do presidente, Pimenta disse que o impacto tende a ser maior devido ao equilíbrio eleitoral. “A verdade é que a eleição tá taco a taco, pau a pau”, afirmou. Ele avaliou que, em eleições, o julgamento é político. “Eleição não é um julgamento… é tudo uma questão de percepção”, disse, citando o caso de 1954 que cercou Getúlio Vargas e a frase “sinto que estou sentado sobre o mar de lama”.
Pimenta também criticou a vulnerabilidade do governo ao desgaste e ao ataque político. “O governo está muito vulnerável à crítica. Você atira e ele sente”, declarou. Segundo ele, a cobertura da imprensa capitalista tende a ser mais dura contra Lula do que foi contra Bolsonaro em momentos como o das rachadinhas, quando, disse, a orientação era “controlar” e não derrubar.
Na parte eleitoral, Pimenta afirmou que alianças com figuras como Rodrigo Pacheco, Eduardo Paes e a possibilidade de nomes da centro-direita podem desanimar a base. “A militância do PT tá desanimada”, afirmou, dizendo que parte vota por “dever de ofício”, sem entusiasmo.
Questionado sobre o que poderia alterar o cenário, Pimenta defendeu uma guinada do governo. “O Lula deveria ir para a esquerda”, disse, afirmando que a propaganda atual “não é suficiente”. Ele criticou a política de juros e ironizou a defesa feita por setores do governo ao presidente do Banco Central: “o cara aumentou a taxa de juros para 15% ao ano. É uma loucura total”.
Sobre a direita, Pimenta avaliou que Flávio Bolsonaro “aparentemente está se consolidando” e que a alternativa de uma “terceira via” à direita perde força. Para ele, apesar de se apresentar ao mercado, o bolsonarismo segue com base sólida. “Ele pode ganhar a eleição. Bolsonarismo é forte”, afirmou.
No debate econômico, Pimenta defendeu que não há soberania sem indústria. “Total fora de cogitação”, disse. Ele sustentou que o Estado deveria ser motor da industrialização e elencou medidas como redução dos juros, enfrentamento da dívida pública, interrupção de privatizações e recuperação de estatais. Para ele, esse programa não passaria pelas instituições. “Você vai ter que fazer contra as instituições”.
Ao final, Pimenta afirmou não torcer pela derrota de Lula, mas disse que a vitória não resolveria, por si só, os problemas políticos do país e defendeu a necessidade de debate na esquerda.





