Polêmica

O ‘contra todos’ em favor do imperialismo

Ação Comunista Europeia utiliza política ultraesquerdista para esconder sua adesão ao imperialismo

ACE

A esquerda pequeno-burguesa segue cometendo seu erro capital: não conseguir caracterizar adequadamente o imperialismo.

O sítio Em Defesa do Comunismo publicou nesta quinta-feira (26) um texto intitulado Ação Comunista Europeia: A guerra deles destrói tudo o que sua paz deixou de pé (Declaração conjunta), no qual a confusão reaparece.

O primeiro parágrafo é um anúncio geral, informando que “os partidos da Ação Comunista Europeia (ACE) reuniram-se por teleconferência, organizada pelo Novo Partido Comunista dos Países Baixos (NCPN), em 15 de fevereiro de 2026, sob o lema: ‘A guerra deles destrói tudo o que a sua paz deixou de pé. Desenvolvimentos nos campos de batalha e a posição dos comunistas sobre a alternância entre guerra imperialista e paz sob a mira das armas’”.

A partir do segundo parágrafo, lê-se que “poucos dias antes do quarto aniversário do início formal da guerra imperialista na Ucrânia, e apenas algumas semanas após a intervenção imperialista aberta dos EUA na Venezuela e as ameaças que estes emitiram contra Cuba, outros países da América Latina e a Groenlândia, além da atual escalada de tensões em torno do Irã, os partidos da ACE discutiram as posições de seus partidos diante da intensificação das rivalidades interimperialistas, que têm graves consequências para os povos do nosso continente e para os povos de todo o mundo”.

O primeiro grifo revela uma incompreensão profunda desses partidos. Desde o fim do Pacto de Varsóvia, em 1991, há 35 anos, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma organização militar imperialista, nunca deixou de se expandir para o Leste, apesar de ter cessado sua razão de existir: a União Soviética.

Em vez de encerrar suas atividades, dado que a “ameaça” já não existia, o bloco cresceu como nunca e foi cercando a Rússia, que estabeleceu a Ucrânia como uma linha vermelha. A possibilidade de uma guerra, caso a OTAN avançasse até a Ucrânia, era conhecida.

Após o golpe na Ucrânia, o Euromaidan, ficou claro que o imperialismo estava prestes a instalar um arsenal nuclear na fronteira russa. A linha vermelha foi cruzada, e não restou outra alternativa à Rússia senão invadir o país vizinho.

Foi o cerco da OTAN (imperialismo) à Rússia — um país atrasado, exportador de commodities, apesar de ser uma potência militar — que provocou a guerra. Os russos passaram anos tentando, em vão, evitar o conflito; negociaram o quanto puderam para impedir o uso da força. Quando perceberam que o imperialismo utilizava os Acordos de Minsk apenas para enganar e ganhar tempo, iniciaram sua operação militar especial.

A Ucrânia está sendo utilizada como bucha de canhão para agredir a Rússia. Portanto, não se trata de uma “guerra imperialista na Ucrânia”, mas de uma medida defensiva russa diante de uma agressão grave do imperialismo.

O segundo grifo, “rivalidades interimperialistas”, é outro aspecto do mesmo equívoco. Não existem diversos imperialismos lutando entre si. Essa concepção é antimarxista e anti-histórica.

A formação do imperialismo e a partilha dos mercados e recursos mundiais custaram duas grandes guerras. Na Segunda Guerra Mundial, consolidou-se o bloco imperialista, que passou a ser dirigido com mão de ferro pelos Estados Unidos, que desde então comandam a ordem mundial. Dizer que há “diversos imperialismos” é não compreender do que se trata esse fenômeno.

Os partidos da ACE alegam que “as classes burguesas formam diversas alianças e blocos imperialistas, como o euro-atlântico (OTAN, União Europeia). Estes entram em choque em várias frentes com seus concorrentes, incluindo outras potências do moderno mundo capitalista internacional (China, Rússia etc.), que também buscam estabelecer suas próprias alianças”. Acontece que uma aliança como a formada por Rússia, China e Irã é defensiva.

O imperialismo tem poder para cercar a Rússia; o contrário já não é possível. O imperialismo também foi à China incitar o separatismo de Taiwan. Não são os chineses que vão a Porto Rico ou ao Havaí tentar separá-los dos EUA. O Japão, integrante do bloco imperialista, declarou recentemente que tratará uma eventual invasão de Taiwan como uma declaração de guerra. Assim, fica claro que existe uma diferença brutal entre o imperialismo e os países que ele oprime.

Essa confusão, no entanto, não é gratuita. Ao classificar China e Rússia como países imperialistas, essa esquerda deixa de defender justamente os principais alvos do imperialismo, que pretende se apoderar dos recursos minerais e energéticos da Rússia, bem como do mercado chinês. Em outras palavras: o que acaba ocorrendo é um apoio velado ao imperialismo.

Contra todos

O truque da esquerda pequeno-burguesa, para não apoiar os países ameaçados pelo imperialismo — e, assim, enfraquecê-lo — é dizer que luta “contra todos”.

Alegam que “os partidos da ACE lutam, em particular, contra as alianças imperialistas às quais seus respectivos países estão vinculados, contra a OTAN e a UE, e contra seus respectivos governos, que colocam em grave risco a segurança dos povos de nossos países”. E, logo na sequência, vem o truque: afirmam que “destacam a necessidade de derrubar o poder capitalista”.

Um trecho mostra que o Irã, mesmo sob forte ataque do imperialismo, não seria apoiado. Dizem que “os trabalhadores, com os comunistas na linha de frente, podem e devem organizar sua luta contra as políticas antipopulares, reunindo outras forças populares contra o sistema de exploração e guerra”.

Aplicando essa concepção, bastaria alegar que o governo iraniano adota medidas antipopulares e, a partir daí, usar isso como justificativa para fomentar grupos insurgentes dentro do país. O governo teria de lutar simultaneamente em duas frentes e dificilmente sobreviveria. Isso é uma política de sabotagem e, na prática, serve ao imperialismo.

A crise do imperialismo e a polarização social dela decorrente têm arrastado a esquerda pequeno-burguesa para o lado do grande capital. Ainda que tentem disfarçar, sua política é cada vez mais burguesa e trai a classe trabalhadora, especialmente a dos países ameaçados pelo imperialismo.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.