O artigo STF já fez Economist se retratar e fará de novo, de Eduardo Guimarães, publicado no Brasil247 nesta quarta-feira (25), inicia dizendo que “a revista The Economist é meio que uma biruta de aeroporto quando o assunto é América Latina. Baseando-se em fake News da mídia brasileira, em junho de 2025 disse que Lula perdera ‘influência no exterior’. Em novembro, o maior jornal do mundo, o The New York Times, em matéria de capa, diz que Lula desafiou Trump e venceu”.
Talvez o jornalista não tenha percebido, mas colocou o rabo para abanar o cachorro. É a The Economist, porta-voz do imperialismo, que dá o tom para a imprensa brasileira, não o contrário. Em seu parágrafo, Guimarães apenas disse que dois órgãos de imprensa do grande capital, aparentemente, divergiram em uma questão, e acabou escolhendo um deles, aquele que soa melhor para seus ouvidos.
Quanto à influência de Lula na política externa, o presidente barrou a Venezuela de entrar no BRICS; se declarou neutro na ameaça imperialista a nosso país vizinho; disse que a libertação de Nicolás Maduro e Cília Flores não são prioridades; e que o presidente venezuelano deveria ser julgado em seu próprio país, mas não disse quais crimes seu homólogo teria cometido. Quem terá vencido, Lula ou Trump?
Adiante, Guimarães diz que “agora, a centenária publicação britânica ataca de novo com matéria baseada na má-fé da grande mídia de direita, que se bolsonarizou, e na burrice de setores da esquerda, que não sabem nem onde têm o nariz e vêm fazendo coro com um ataque que começou no STF e já está chegando a Lula – como qualquer pessoa sensata previra”.
A grande imprensa no Brasil se bolsonarizou tanto quanto apoiou Temer, FHC e todos os outros direitistas. Aliás, pode-se dizer que esta ajudou a controlar esses governos; bem como, quando foi conveniente, colocou todos os holofotes sobre o Supremo Tribunal Federal no período do vergonhoso julgamento do Mensalão e alçou à condição de árbitro da política nacional.
Quanto à certa esquerda, seria “burrice” desta atacar uma corte que sempre sustentou que nem mesmo deveria existir? Uma corte que esteve em sintonia com a ditadura militar e que foi fundamental no golpe contra Dilma Rousseff; que colocou Lula na cadeia e ajudou a eleger Bolsonaro?
É um escândalo
No terceiro parágrafo, Guimarães traz que “na recaída, a publicação britânica assevera que ‘O Supremo Tribunal Federal do Brasil está envolvido em um enorme escândalo’”, e isso é um fato. A coisa só não está maior porque essa imprensa que se “bolsonarizou” está pegando leve. E o faz porque sabe que é importante manter a ordem institucional, além de o STF ser uma ferramenta crucial de controle político.
Guimarães, desde a arquibancada, diz que “o Supremo Tribunal Federal já demonstrou capacidade de fazer veículos internacionais reconhecerem o valor de sua atuação em defesa da democracia. Em abril de 2025, Economist publicou críticas duras ao tribunal, apontando excesso de poder concentrado em ministros como Alexandre de Moraes e questionando se isso não gerava uma crise de confiança na Corte”. Desde quando golpista defende democracia? Além disso, Moraes não ouviu o alerta da revista e deu no que deu.
O artigo tenta levantar a bola do STF dizendo que o “ministro Luís Roberto Barroso, rebateu com uma nota oficial firme, publicada no site do tribunal, defendendo que as decisões foram coletivas, apoiadas pelo plenário e essenciais para proteger a democracia contra ameaças reais, como os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Uma tentativa de nos fazer crer que o tribunal tenha autonomia.
No parágrafo seguinte, Eduardo Guimarães escreve que “pouco depois, em agosto de 2025, a própria The Economist mudou o tom em matéria de capa sobre o julgamento da trama golpista de Jair Bolsonaro. A chamada dizia ‘What Brazil can teach America’, ou O que o Brasil pode ensinar à América. No texto, a própria revista responde: ‘democracia’”.
Guimarães aceita o que diz a revista apenas quando o dito coincide com suas opiniões. Não compreende que o alerta a Moraes seguiu valendo mesmo quando o STF obedeceu aos planos do imperialismo e tirou Jair Bolsonaro da corrida presidencial, o que deu lugar ao elogio. A The Economist não “elogiou o Brasil e o STF por oferecerem ‘uma lição de maturidade democrática’ ao mundo”, mas apenas porque fizeram o dever de casa. Ou devemos acreditar que essa revista está preocupada, ou mesmo defende, a democracia?
‘Baluarte’ da democracia
Chega a ser engraçado o trecho que diz que o “reconhecimento posterior mostra que o trabalho do STF, ao combater ameaças autoritárias, acabou encantando observadores internacionais. O tribunal segue vigilante e pronto para novo alerta caso haja novas críticas infundadas — reforçando seu papel como baluarte da democracia plena no Brasil”. – grifo nosso.
Quem serão os tais “observadores internacionais”? Talvez aqueles que têm servido para tantas coisas, como melar eleições em países da América Latina, corroborar a opressão contra o Irã, classificar a resistência palestina de terroristas etc.
O STF está muito longe de ser um “baluarte da democracia plena no Brasil”, é exatamente o contrário. O Supremo, seguem alguns exemplos, além de seu papel no golpe de 2016, instaurou um inquérito, o das fake news, que não tem data para acabar. A corte atropela decisões de outros tribunais para cassar direitos conquistados de trabalhadores, como no caso dos enfermeiros e dos Correios. Passou por cima da Constituição para abolir a liberdade de expressão. Usurpa as funções do Legislativo… a lista é enorme.
Há uma questão que Guimarães não entendeu: o poder que o STF tem é dado a ele pela burguesia, e o que é dado pode muito bem ser tomado. A The Economist, e não apenas ela, vinha avisando Moraes, e outros, para que não avançassem muito o sinal. Não foram ouvidos.





