O artigo “O patriarcado criou o gênero matador e o gênero matável”, diz Marcia Tiburi, publicado no Brasil247 nesta sexta-feira (20) revela a verdadeira cara do identitarismo, uma ideologia perversa que se infiltrou na esquerda, um retrocesso completo que já está propondo até mesmo prisão perpétua.
No primeiro parágrafo, a matéria diz que “em entrevista ao programa Boa Noite 247, a filósofa Marcia Tiburi analisou o avanço da violência contra mulheres no Brasil e afirmou que o problema é estrutural, resultado direto da organização patriarcal da sociedade. Segundo ela, a misoginia não é um fenômeno isolado, mas um sistema cultural que cria as condições para o feminicídio”.
Isso que Tiburi diz não passa de achismo. Não é verdade que exista um “sistema cultural” que cria condições para o feminicídio. Os crimes violentos são um problema social que atingem toda a sociedade, especialmente os mais pobres. O único problema “estrutural” contra as mulheres é o modo como elas estão posicionadas no mercado. Muito mais do que sofrerem violências físicas, as mulheres, por ocuparem posições subalternas na produção social, acabam sendo superexploradas: recebem salários menores na média, e têm jornadas de trabalho mais extensas, o que acarreta a elas mais problemas de saúde.
Amortecedor burguês
Tentar reduzir a questão das mulheres à misoginia é desviar do principal: as mulheres precisam receber o mesmo que os homens nas mesmas funções, e precisam de serviços de saúde especiais, além de creches, restaurantes e lavanderias públicos para que se livrem do trabalho doméstico.
Ao afirmar que existe um “sistema cultural” que oprime as mulheres, os identitários protegem a verdadeira estrutura opressora: o capitalismo. Em vez de lutar contra o sistema econômico, os identitários fazem com que as mulheres passem a brigar com os homens em geral, não contra aqueles que detêm os meios de produção.
Também não é verdade que a sociedade seja misógina, nem os homens, vistos de conjunto, pois seria o equivalente a dizer que estes não gostam de suas mães, irmãs, filhas, esposas… Se existem misóginos, e esse é um conceito vago, corresponderia a uma parcela minoritária da sociedade.
O identitarismo, embora queira se mostrar muito progressista e radical, acaba sendo um amortecedor dos atritos entre a classe trabalhadora e a burguesia. Ao mesmo tempo, enfraquece as reivindicações da esquerda, cria divisões entre homens e mulheres. Tudo isso ajuda a burguesia a manter sua dominação.
Matando a lógica
Segundo Marcia Tiburi, “do jeito que o patriarcado se organiza, ele criou dois gêneros: o gênero matador e o gênero matável. Os homens são o gênero matador, as mulheres são o gênero matável.”. Uma conclusão bastante estranha, uma vez que, pelo menos no Brasil, 90% das pessoas assassinadas são homens, devemos sair por aí dizendo que a sociedade é misândrica?
É completamente falsa a afirmação de que “as condições de possibilidade do feminicídio são todas misóginas. Existe misoginia sem feminicídio, mas não existe feminicídio sem misoginia”. Uma mulher pode ser morta por inúmeros motivos. Existem, inclusive, mulheres mortas por outras mulheres. Ou vão argumentar que estas mulheres são misóginas?
As redes, para variar…
O identitarismo, como toda ideologia liberal, está em sintonia com o imperialismo. De acordo com matéria abordado por Tiburi “foi o crescimento de um “mercado do ódio” nas redes sociais, onde discursos misóginos são monetizados e transformados em fonte de lucro. Tiburi afirmou que essa dinâmica está ligada ao poder econômico e político historicamente concentrado nas mãos dos homens”.
As redes sociais, são um dos principais alvos do imperialismo, que precisa a todo custo evitar que as informações fluam livremente pelas redes sociais.
Os motivos são óbvios: graças às redes sociais, a propaganda sionista caiu como um castelo de cartas. Os crimes dos sionistas são retratados diariamente. Não faltam vídeos e imagens de bombardeios, soldados sionistas confessando assassinatos e estupros, colonos promovendo pogroms na Cisjordânia ocupada etc.
Além do sionismo, a violência policial é retratada cotidianamente, seja atirando, batendo na população, ou tomando mercadorias de ambulantes tentando ganhar algum sustento.
Por esses, e por outros motivos, a burguesia precisa impedir que as pessoas utilizem livremente suas redes. A censura começou com a desculpa de combater as fake news; em seguida, para supostamente proteger os jovens da pedofilia, estes estão sendo proibidos de utilizar celulares.
Depois da “pedofilia”, a restrição subiu mais um degrau, e agora o problema é a “educação”, os jovens estariam sendo prejudicados pelas IAs e pela falta de concentração. Não demorou muito, e a censura avançou mais um pouco, algumas universidades já querem restringir seus alunos de utilizarem celulares. Na Europa já se fala em aplicativos que ficariam fiscalizando o que os usuários digitam em suas conversas e estas poderiam ser utilizadas para acusação. Tudo em nome da segurança e do combate ao crime, obviamente.
Identitarismo = repressão brutal
Uma evolução natural do identitarismo encontramos no penúltimo parágrafo do texto. Tiburi “também propôs medidas mais duras no campo penal, como prisão perpétua para feminicidas e aumento de penas para crimes de violência doméstica e estupro”. – grifos nossos.
O aumento da repressão não diminuiu a violência contra as mulheres e ainda assim Marcia Tiburi quer mais punição, mais poder nas mãos do Estado. Como a justiça é burguesa, já sabemos quem vai apodrecer atrás das grades.
Pedir prisão perpétua é uma monstruosidade, é coisa da extrema direita, não da esquerda, nunca foi.
Victor Hugo, autor de Os Miseráveis, achava que uma sentença que não vise a reintegração do homem à sociedade é apenas vingança, não justiça. A prisão perpétua, por definição, nega essa volta, o que conflitava com sua crença na luz e no progresso humano.
Pleitear prisão perpétua é uma aberração. Qual será o próximo passo, exigir a pena de morte?




