54ª Universidade de Férias

Rui Pimenta explica relação capital-trabalho e luta de classes

A sexta aula tratou sobre a relação fundamental capital-trabalho, que estrutura a sociedade capitalista através da exploração e a consequente luta de classes

Na 54ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO), realizada no hotel-fazenda Estância Primavera, em Sorocaba (SP), Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, ministrou a sexta aula do curso introdutório à obra magna de Karl Marx. A exposição concentrou-se na estrutura fundamental do capitalismo: a relação entre capital e trabalho (K → T), que define a exploração da força de trabalho como motor da acumulação capitalista.

Sobre essa base econômica ergue-se toda a superestrutura da sociedade, composta por formas jurídicas, políticas e, acima delas, as formas ideológicas que ocultam e legitimam a exploração. Pimenta enfatizou que a luta do trabalhador pelo seu salário para suprir o mínimo existencial e a luta do burguês para ampliar a mais-valia constituem a luta de classes em sua essência. A pressão constante sobre os salários, frequentemente reduzidos abaixo do necessário para a reprodução da força de trabalho, torna a resistência operária uma condição de existência da própria classe.

Ideias não movem a história, afirmou Rui Costa Pimenta, contrapondo-se às visões idealistas. Nesse sentido, criticou o identitarismo contemporâneo, que supervaloriza a escravidão moderna como singular, ignorando que todas as sociedades de classes são, em essência, escravagistas. No capitalismo, o “trabalho livre” mascara uma forma mais acabada de subordinação: a classe operária pertence coletivamente à classe burguesa, diferentemente da escravidão antiga, em que o escravo pertencia individualmente a um senhor específico.

Após uma breve pausa motivada pela entrada de novos participantes na sala, a aula retomou com respostas a dúvidas dos presentes. Foram esclarecidos, por exemplo, os conceitos de trabalho produtivo e improdutivo: o mestre de obras, envolvido em planejamento e administração, realiza trabalho improdutivo, já que sem conexão direta com a mercadoria, restrito a ideias abstratas (ainda que seja útil para a produção indiretamente); já o controle de qualidade, diretamente ligado à produção da mercadoria, é produtivo.

Rui Pimenta negou a existência de elementos verdadeiramente atemporais na sociedade, exceto a matéria em sua forma mais elementar, reforçando o caráter histórico e concreto da análise marxista. Sobre ideologia, explicou que ela surge da necessidade humana de compreender e justificar as ações coletivas, funcionando como elemento da superestrutura.

Pimenta abordou também a produção de valor em sociedades pré-capitalistas, como a escravagista, onde ela pode ocorrer, mas não predomina. Por fim, rebateu a tese do “encolhimento da classe operária”, destacando que o fundamental é o peso estratégico da produção que sustenta toda a sociedade. Setores como eletricitários (cerca de 50 mil trabalhadores) e petroleiros podem paralisar o país inteiro com greves. Lembrou que a Revolução Russa de 1917 foi vitoriosa apenas com aproximados 4 milhões de operários em uma população de mais de 100 milhões. Além disso, apontou o superdimensionamento da suposta diminuição do operariado, que frequentemente ignora setores massivos como a construção civil.

A aula reforçou a centralidade da teoria do valor e da mais-valia para compreender a dinâmica da exploração capitalista, estruturada sobre a relação fundamental capital-trabalho. O curso prossegue com a introdução de O Capital até o dia 25/01, com possibilidade de inscrições remotas e presenciais, em que ambas dão acesso às aulas anteriores gravadas, confira em unimarxista.org.br ou entre em contato pelo número (11) 99741-0436.

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