Política internacional

Stop World War 3: leia nota em defesa da Rússia e da Palestina

"Batalha tenaz travada pela Resistência Palestina e pelo povo e governo do Iêmen são dois fatores de importância histórica global"

Um manifesto internacional, divulgado neste domingo (7) pelo grupo Stop World War 3, destaca que apenas a resistência popular em escala mundial pode impedir a eclosão de uma Terceira Guerra Mundial. O texto, publicado no site International Peace Conference, situa os conflitos atuais — em especial a guerra na Ucrânia e o genocídio em Gaza — dentro de um cenário de “transição histórica entre sistemas hegemônicos” marcado pelo declínio do poder dos Estados Unidos e pela ascensão da China.

O documento questiona a própria noção de início formal de uma guerra mundial. Assim como a Segunda Guerra não teve um marco único, a nota sugere que o atual conflito global já estaria em curso, ainda que sem declaração oficial. O crescimento vertiginoso dos gastos militares em diversos países seria a prova mais concreta de que a humanidade caminha para um confronto de grandes proporções.

Segundo o manifesto, a guerra na Ucrânia tem um caráter decisivo porque opõe a Rússia não apenas ao exército ucraniano, mas a todo o bloco da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Para os signatários, a Rússia trava uma guerra “existencial” e, ao mesmo tempo, funciona como barreira contra o “revanchismo imperialista ocidental”. A possibilidade de paz, dizem, só existiria caso o imperialismo renunciasse a seus objetivos de dominação, algo considerado improvável.

O texto acusa as potências europeias de prolongarem a guerra ao manter apoio irrestrito ao presidente ucraniano Vladimir Zelensqui. O recente plano de rearmamento da União Europeia, aprovado apesar de resistência social, é visto como sinal da fragilidade interna do bloco e prenúncio de tensões sociais que podem abrir espaço para movimentos populares anti-imperialistas.

A nota destaca ainda a luta da Resistência Palestina e do povo iemenita como fatores de “importância histórica global”, especialmente diante da postura de conciliação de Rússia e China em relação a Israel. Segundo o texto, esses povos demonstram que a resistência popular pode manter viva a chama do anti-imperialismo.

Leia o texto na íntegra

Só a resistência popular de massas pode impedir a Terceira Guerra Mundial

Quando começou a Segunda Guerra Mundial? Com o ataque alemão à Polônia em 1º de setembro de 1939? Com o ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941? Em 1936, com a intervenção nazi-fascista para esmagar a Revolução Espanhola? Ou em 1931, com a invasão japonesa da Manchúria?

(1) Ninguém, especialmente na fase histórica das guerras assimétricas e híbridas, irá declarar a Terceira Guerra Mundial. Se definirmos como mundiais as guerras que marcam a transição de uma fase histórica para outra, de um sistema hegemônico para outro, então já estamos em um conflito de proporções históricas globais, marcado pelo declínio do bloco imperialista liderado pelos EUA e pelos primórdios de uma coalizão liderada pela China. O aumento exponencial dos gastos militares em todas as latitudes é a prova de que um conflito em larga escala se aproxima.

(2) A guerra na Ucrânia tem importância histórico-mundial porque é, de fato, uma guerra na qual a Rússia se encontra lutando não apenas contra o poderoso exército ucraniano, mas também contra todo o bloco da OTAN que apoia Kiev — nos tempos da URSS, esse confronto massivo só ocorreu em 1950-53, durante o sangrento conflito coreano. Na Ucrânia, a Rússia não está apenas travando uma guerra existencial, está atuando como um obstáculo anti-imperialista, adiando e dificultando o revanchismo imperialista ocidental. Uma verdadeira paz na Ucrânia seria possível sob a condição de que o Ocidente Coletivo renuncie a seus objetivos hegemonistas; isso parece improvável.

(3) Isso é demonstrado pela arrogância com que os países mais fortes da Europa Ocidental (os “dispostos”), em contraste com a aparente atitude de Pilatos da América de Trump, mantêm a guerra e seu fantoche Zelenesqui vivos, continuando a armá-lo e financiá-lo e até planejando fornecer-lhe apoio eterno e incondicional. Recusam-se a descartar uma futura guerra europeia em larga escala. Isso explica o grande plano de rearmamento decidido pela União Europeia, aprovado apesar da opinião pública e da oposição de alguns países. Um plano que alega força, mas que esconde tanto a fraqueza das elites eurocráticas quanto a profunda crise da UE. O plano de rearmamento, que implica a adoção de políticas sociais de austeridade, pode desencadear um grande ciclo de lutas populares, que os anti-imperialistas devem apoiar por todos os meios, com o objetivo de dissolver a União Europeia. Tal resultado restauraria a soberania nacional dos países.

(4) É errado depositar confiança na administração norte-americana para acabar com a guerra. O trumpismo, apesar da heterogeneidade da base social MAGA, corresponde ao gesto de quem precisa tomar fôlego para voltar a correr. O imperialismo norte-americano dá um passo atrás para dar dois à frente. Trata-se simplesmente de astúcia imperialista. Isso explica tanto a política tarifária para encerrar a globalização baseada no livre-comércio quanto a disposição de chegar a um acordo com a Rússia de Putin, na esperança de afastá-la da China, em vista do confronto decisivo antecipado com Pequim. A prova infalível da natureza imperialista irredutível do trumpismo é seu apoio incondicional ao regime ultra-sionista de Israel, seu ignóbil apoio à guerra genocida em Gaza e à anexação definitiva da Cisjordânia, e sua agressão contra o Irã — que, apesar de deixado sozinho até mesmo por aqueles que se dizem seus aliados, respondeu corajosamente atingindo Israel profundamente.

(5) Nesse contexto implacável, a batalha tenaz travada pela Resistência Palestina e pelo povo e governo do Iêmen são dois fatores de importância histórica global, ainda mais diante dos duros golpes sofridos pelo “Eixo da Resistência” no Líbano e na Síria e da postura conciliatória adotada por Rússia e China em relação a Israel. Palestina e Iêmen demonstram que, com o apoio das massas populares, a chama anti-imperialista pode existir e resistir.

(6) Em solidariedade à centelha palestina, não apenas no Ocidente imperialista, surgiu um movimento de massas que, como um grande rio, vê a confluência das mais díspares correntes de uma humanidade que parecia estar em transe. Isso pode ser o surgimento de uma nova grande potência mundial: a dos povos que desejam paz, liberdade, direitos democráticos e soberania popular.

STOPWW3 – www.internationalpeaceconference.info
7 de setembro de 2025

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