Bolívia

Evo Morales cria novo partido para eleições

Líder nacionalista desafia rivais e a Justiça na corrida presidencial

Por mais de duas décadas, Evo Morales foi o rosto do Movimento Al Socialismo (MAS), partido que fundou em 1995 e com o qual chegou à presidência da Bolívia em 2006. Agora, diante de uma decisão judicial que o torna inelegível e de uma disputa interna acirrada com o atual presidente Luis Arce, Morales aposta em uma nova sigla para tentar retornar ao poder.

Apoiadores do ex-presidente anunciaram no final de março a criação do partido Evo Pueblo, iniciativa que busca viabilizar uma nova candidatura do líder nacionalista às eleições presidenciais marcadas para 17 de agosto de 2025. Com apoio de setores camponeses e operários, o novo grupo ainda precisa obter o reconhecimento legal e reunir pelo menos 109.500 assinaturas, o equivalente a 1,5% do eleitorado boliviano, para poder concorrer.

“Foi proposta a aprovação da sigla ‘EVO PUEBLO’ como identificação oficial do movimento, e a mesma foi aprovada por maioria”, anunciou Morales em suas redes sociais, evidenciando a tentativa de manter viva sua trajetória política mesmo fora da legenda que o projetou.

Em dezembro de 2023, o Tribunal Constitucional Plurinacional da Bolívia determinou que presidentes e vice-presidentes só podem exercer o cargo por até dois mandatos, consecutivos ou não. Como Morales governou o país por quatro mandatos, entre 2006 e 2019, a decisão torna sua eventual candidatura um desafio para o Judiciário boliviano.

Antes de apostar na fundação do Evo Pueblo, Morales havia anunciado que concorreria pelo Frente para a Vitória (FPV), um pequeno partido de esquerda sem representação no Congresso. A sigla, no entanto, também enfrentou impedimentos legais. Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), o FPV não poderia participar do pleito devido a supostas irregularidades na eleição de sua diretoria.

Apesar dos obstáculos jurídicos, Evo reafirma sua disposição em retornar à disputa eleitoral:

“Já temos o partido para participar das eleições deste ano. Agora, com a Frente para a Vitória, venceremos as eleições nacionais novamente”, declarou, pouco antes de confirmar a mudança para o Evo Pueblo.

A ruptura com o MAS

A trajetória de Morales no MAS chegou oficialmente ao fim em novembro de 2023, após o Tribunal Supremo Eleitoral reconhecer Grover García como novo presidente da legenda. A decisão foi baseada nos resultados de um congresso partidário realizado em El Alto e articulado por apoiadores de Luis Arce. O evento aprofundou a divisão interna do partido, com Evo acusando os adversários de “apropriação do movimento indígena” e classificando o episódio como “um sequestro que leva a um genocídio político”.

A cisão entre Morales e Arce ganhou contornos irreconciliáveis ainda em outubro de 2023, quando o ex-presidente realizou um congresso alternativo do MAS em Lauca Eñe, seu reduto eleitoral em Cochabamba. Na ocasião, chamou os aliados de Arce de “traidores” e, em resposta à ausência do presidente no evento, o grupo liderado por Evo determinou a expulsão de Arce da legenda.

Desde que retornou do exílio na Argentina, em 2020, Morales se tornou um dos principais opositores do governo de Arce.

Golpe de Estado na Bolívia em 2019 e a Perseguição a Evo Morales

Em outubro de 2019, a Bolívia mergulhou em uma crise política profunda após as eleições presidenciais que declararam Evo Morales, líder do Movimento ao Socialismo (MAS), vencedor para um quarto mandato.

Impulsionadas pelas denúncias de fraude da Organização dos Estados Americanos (OEA), manifestações contra Morales foram colocadas em marcha como parte do golpe de Estado. Notadamente, o Comitê Cívico de Santa Cruz, liderado por Luis Fernando Camacho, um empresário de direita, assumiu a frente da ofensiva política. A pressão culminou na declaração pública das Forças Armadas exigindo que Morales deixasse o cargo, o que ocorreu em 10 de novembro de 2019.

Após sua renúncia, Morales buscou asilo no México e, posteriormente, na Argentina. Durante seu exílio, enfrentou intensa perseguição política com acusações de “estupro e tráfico de pessoas” relacionadas a um suposto relacionamento com uma menor de idade em 2015.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.