Passados mais de três semanas do governo Milei e esquerda argentina segue sem rumo político. Mesmo com toda a truculência do golpe de Estado vigente, a esquerda argentina não consegue coordenar uma política de resistência para a classe operária, organizando fracassos.
A esquerda argentina demonstra não ter uma avaliação política precisa do cenário posto. Seja nas ações, na falta delas ou em artigos publicados na sua imprensa, a esquerda argentina não compreende o governo Milei como fruto de um golpe imperialista.
Os setores com análise que mais se aproximam da realidade, veem o governo Milei no máximo com um Estado de exceção. Algo que não expressa concretamente a política do Milei, de sacrificar a Argentina para amenizar a crise imperialista.
Sem conseguir estabelecer um diagnóstico correto para a enfermidade que aflige o país, essa esquerda também é incapaz de indicar um tratamento. Se alguns setores como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) acertam ao chamar a mobilização dos trabalhadores, eram em esperar três semanas, que podem acarretar prejuízos enormes para a classe trabalhadora argentina.
24 de janeiro
Segundo o secretário-geral da CGT, Héctor Daer: “No dia 24 vamos fazer uma greve com mobilização ao Congresso para apoiar aqueles deputados e senadores que nos colocarem que isto não pode acontecer na Argentina”. Daer complementa afirmando que “não há nenhum contato com o governo e nós não propusemos essa dinâmica”, continua “em menos de uma semana transformam a Argentina e nos levam à Argentina pastoril”.
Essa declaração deixar transparecer o porquê da política da CGT e setores próximos ser de tal parcimônia. Não reagindo imediatamente e na amplitude necessária a situação a objetiva.
Na concepção destes setores, a luta contra o governo deve dar-se por meio do Congresso argentino. Suas ações e pronunciamentos não colocam o fenômeno Milie como um golpe fascista, não tendo assim uma resposta adequada.
Em outras palavras, esses setores da esquerda argentina veem a necessidade de pressionar o governo para negociar. Essa burocracia ainda não concebe a dimensão da ameça que paira sobre os mesmos, infelizmente algo que coerente ao seu histórico político.
Em toda a esquerda
Essa confusão acerca da situação política argentina não é uma exclusividade da CGT. Setores como a Prensa Obrera e Política Obrera, vagam no mesmo pântano. Nas suas críticas a política da CGT, em geral, não tocam na questão do golpe imperialista.
Esses setores acertam ante a necessidade de uma resposta imediata, com mobilização da classe trabalhadora, mas ainda não tem a caracterização essencial golpista da situação. Criticam a burocracia pela inatividade, mas não colocam a política necessária para as questões atuais, algo que também é histórico desses setores.
A greve geral apresenta-se como uma panaceia universal, mais do que um instrumento de luta contra o golpe imperialista. A análise limitada em relação à ofensiva imperialista, acabar ocasionando uma política limitada de combate a mesma ofensiva.
Se ignoramos a já esperada atuação limitada da burocracia, o maior problema coloca-se na desorientação daquele que seria o setor mais “consciente” da classe operária argentina. Em resumo, essa greve no final de janeiro, aponta um fracasso da esquerda argentina frente a Milei, facilitando assim a imposição da política golpista do imperialismo para a Argentina.
Fascismo, a verdadeira face do imperialismo
A política do Milei, expressa no Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 70/23, e no projeto de lei “Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos”, conhecida por “Lei Ônibus”. É uma política que visar destruir a organização da classe operária argentina e dilapida seu patrimonio.
Essa política fascista, por definição, cercear os direitos democráticos, individuais e de organização do povo argentino. Eliminando assim sua capacidade de reação ao gigantesco golpe de expropriação intencionado pelo imperialismo.
Esse é um ponto central ignorado pela esquerda argentina, que em, razão disto não consegue elabora uma resposta política adequada. Seguindo sem rumo em pleno fronte de combate, deixando toda a iniciativa política ao imperialismo.
Sacrifício na crise
A situação internacional, com a resistência na Palestina e domínio russo da situação na Ucrânia, acentua a crise imperialista. Visando evitar o desenvolvimento da mesma em seu núcleo – EUA, Europa e Japão – o imperialismo se prepara para sacrificar regimes sob seu domínio.
Esse é o caso da Argentina, uma nação posta em martírio, mesmo com o preço do fim da estabilidade da exploração do país, usado para evitar que o ônus da situação recaia sobre países mais desenvolvidos. A crise política, mesmo não sendo desejada, é necessária para a continuidade do regime de controle mundial imperialismo.
Esse cenário não está distante do futuro brasileiro. Se o imperialismo está disposto a destroça nosso vizinho menor, certamente não terá cerimônia com a maior economia latino-americana. Como lá, a maioria das organizações da nossa esquerda não tem uma leitura correta do momento, seja no governo ou na oposição, estando em sua maioria igualmente perdida no rumo traçado pelo imperialismo.




