Circula em São Paulo um panfleto da “chapa de mulheres” do partido Unidade Popular pelo Socialismo, a UP. Nele constam, conforme pode ser visto abaixo, as candidaturas de Carol Vigliar, postulante ao governo, Vivian Mendes, postulante ao Senado, Isis Mustafa, concorrente ao cargo de deputada federal, e Ligia Mendes, que busca uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Bem que poderia ser um panfleto do PSB, do Rede Sustentabilidade ou por que não… do PSDB?!
Tanto a candidata ao governo como a candidata a deputada estadual colocam em destaque em suas respectivas biografias que são “mães de dois filhos”. E daí? Simone Tebet, a candidata dos banqueiros é mãe de duas filhas. Ela poderia ser candidata pela UP? Margaret Thatcher, cuja morte foi comemorada pela classe operária britânica, tamanho o ódio de seu governo, era mão de um casal de filhos. Se ela viesse ao Brasil, votaria 80?
É uma coisa ridícula. No fim das contas, não passa de pura demagogia rasteira e profundamente direitista. Ser mãe não faz de ninguém melhor candidato. E pior: a apologia à maternidade é, por sua vez, uma política reacionária, uma vez que reforça o aspecto mais atrasado da mulher, que é a sua prisão ao ambiente doméstico.
A campanha “vote em mim porque sou mãe” é só mais uma versão da homenagem da revista Veja à ex-primeira-dama Marcela Temer: “bela, recatada e do lar”.
O que não é abertamente reacionário se reduz a colocações vazias e abstratas. Por exemplo: Isis Mustafa é candidata para defender “os direitos da juventude” e o “fim da violência contra a juventude negra”? O que isso quer dizer, exatamente? Para a candidata, o fim da violência virá com o fim da polícia ou virá com mais polícia? E a candidata ao Senado, que defende o “aborto seguro”, defende o direito ao aborto ou só que ele seja feito em segurança em alguns casos?
Lígia Mendes aparece ainda como “defensora da Saúde” que atua na “defesa do SUS”. Que defesa seria essa, exatamente? É a da expropriação de toda a indústria farmacêutica e dos hospitais privados ou a mesma “defesa” do SUS do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que é um funcionário dos planos de saúde?
Sobre o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro, uma única menção: seria preciso responsabilizá-lo pelos ataques às mulheres. Novamente, a UP receberia aplausos de Simone Tebet, que vai ao Twitter se mostrar ofendida e indignada toda vez que Bolsonaro fala alguma coisa tachada como “machista”.
Mas e os problemas fundamentais relacionadas ao regime político? O que pensa a UP sobre o golpe que depôs Dilma Rousseff e que segue como eixo fundamental de toda a reorganização do Estado para atacar os direitos da população? E sobre o imperialismo, que está em uma operação para desmantelar por completo o País?
E o tal “socialismo” que aparece no nome da UP? Onde estão as propostas por um governo de trabalhadores, onde está a palavra “revolução”? Não há.
A UP está longe de ser um partido revolucionário, como prega. Na verdade, sua função no momento foge até mesmo da de um partido de esquerda: é um partido que está se propondo a sustentar o regime golpista.




