Filas gigantescas e horas de espera nos postos de combustíveis são cenas cada vez mais comuns no Reino Unido. Cenários de desabastecimento ou aumento de preços dos combustíveis é o tipo de coisa que derruba governos ou no mínimo gera revolta popular de grande magnitude.
Há dois anos, na França, um helicóptero presidencial chegou a ficar ligado na área de decolagem do Palácio do Eliseu quando os coletes amarelos marcharam ao palacete para exigir a cabeça de Emmanuel Macron. A onda de protestos dos coletes amarelos começou por causa da criação de uma taxa “ecológica” adicional sobre os combustíveis. A fúria tomou conta da população das cidades menores, que depende em tudo do carro.
A crise dos combustíveis britânica chegou até Cristiano Ronaldo. O motorista do jogador ficou sete horas no posto de gasolina para abastecer o veículo do esportista, mas não conseguiu.
No Reino Unido não falta combustível, mas faltam condutores para transportá-lo até os postos. Boa parte desse problema se deve à redução no número de caminhoneiros, uma das consequências da saída do Reino Unido da União Europeia. Nessas condições, o líder da oposição, Keir Starmer, do Partido Trabalhista, acusa o governo do primeiro-ministro Boris Johnson de negligência e ineficiência. Starmer garantiu que parte da crise se deve ao Brexit.
Com a saída do Reino Unido da União Europeia, o governo teve que resolver os problemas relacionados à falta de força de trabalho e circulação de mercadorias. Segundo o trabalhista, se a administração Johnson não agir imediatamente, a escassez de combustível ainda continuará por muitos meses. Por outro lado, o ministro dos Transportes do país, Grant Shapps, disse não haver escassez de combustível. Segundo ele, o pânico da falta de gasolina é uma situação “fabricada”.
Para dar conta do problema, o Executivo busca implementar medidas temporárias, como afrouxar as regras de imigração para que haja motoristas estrangeiros. Assim, o governo anunciou a concessão de 5.000 vistos de trabalho temporário para transportadoras estrangeiras, uma virada inesperada na política de imigração profissional após o Brexit. Contudo, Johnson continua a insistir que o Reino Unido não depende mais da força de trabalho estrangeira. Essa crise deixa claro a importância dos condutores profissionais para o funcionamento de qualquer país.
No Brasil, onde há a combinação da alta dos custos dos combustíveis, assim como todo o custo de vida da população, não faltam motivos para uma greve generalizada dos caminhoneiros, assim como uma greve geral da classe trabalhadora, podendo dar um xeque-mate no governo ilegítimo de Jair Bolsonaro.





