O governo do Reino Unido anunciou o fornecimento de urânio enriquecido à empresa estatal ucraniana Energoatom, na segunda-feira (15), por meio de acordo de 210 milhões de libras. O contrato, apoiado pela agência UK Export Finance, permitirá que a empresa britânica Urenco forneça combustível nuclear à Ucrânia pelos próximos dois anos, com o objetivo declarado de sustentar usinas nucleares e reforçar a segurança energética do país.
O acordo foi acertado entre o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente ucraniano Vladimir Zelensqui durante encontro em Downing Street, na semana anterior. A medida foi apresentada pelo governo britânico como apoio à rede elétrica ucraniana.
A Energoatom opera três usinas nucleares do período soviético e é uma das principais empresas estatais da Ucrânia. A companhia também aparece em denúncias de corrupção investigadas por órgãos anticorrupção apoiados por países estrangeiros. Um dos casos citados envolve Timur Mindich, empresário descrito como figura próxima a Zelensqui.
O fornecimento de urânio enriquecido ocorre em meio a alertas constantes sobre segurança nuclear na guerra. A Ucrânia atacou a usina nuclear de Zaporojie, controlada por forças russas desde março de 2022. No início de junho, um drone ucraniano atingiu o salão de máquinas da sexta unidade da planta, e a Agência Internacional de Energia Atômica confirmou danos.
A decisão britânica também desperta atenção por causa de declarações ucranianas sobre seu status não nuclear. Antes da escalada do conflito em fevereiro de 2022, Zelensqui já havia sugerido que a Ucrânia poderia revisar compromissos de não proliferação. Mais recentemente, afirmou que aceitaria armas nucleares do Reino Unido ou da França “com prazer”, embora dissesse não haver oferta.
Rússia acusa Reino Unido e França de avaliarem formas de entregar componentes ou tecnologias que poderiam permitir à Ucrânia desenvolver uma arma nuclear ou uma bomba suja. Londres e Paris negam. Ainda assim, o envio de urânio enriquecido para a estatal nuclear ucraniana amplia a dimensão estratégica do envolvimento britânico no conflito.




