A situação da população brasileira é cada vez mais crítica. Desde que a pandemia atingiu o país, os índices econômicos não param de gerar preocupação. Queda do PIB, aumento da inflação e, sobretudo, o crescente desemprego atuam como um pesadelo interminável. Segundo dados da Pnad Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 30, cerca de 32,9 milhões de brasileiros estão desempregados. A chamada mão de obra “desperdiçada” inclui desocupação, subocupação e desistência por parte da força de trabalho existente.
A taxa de desemprego ficou em 14,6% de março a maio deste ano, o que corresponde a 14,8 milhões de desempregados em busca de uma ocupação neste período. Em comparação ao trimestre relativo aos meses de dezembro a fevereiro, o percentual aumentou em 0,2%, isto é – antes era de 14,4%, sendo 14,4 milhões de desempregados desamparados. Vale, ademais, destacar a falta de política para geração de empregos e a inexistência de auxílio para os desempregados. Por outro lado, a crescente informalidade – resultado direto da falta de emprego aliado a tentativa de sobrevivência da população teve um aumento de 809 mil, atingindo a casa dos 86,7 milhões de trabalhadores informais. Esse aumento, por sua vez, corresponde a um acréscimo de 0,9% em comparação ao trimestre anterior. Reside aqui, portanto, a mística do aumento da ocupação. Trata-se da crescente informalidade e da precarização das condições de vida da população, uma vez que esses números não são amparados pela legislação trabalhista. Vale destacar que desde 2016, quando houve o golpe contra o governo democraticamente eleito do PT, a classe trabalhadora vem sendo duramente atacada pelas reformas defendidas e pautadas pela burguesia e seus representantes no Congresso Nacional e no Senado. Sendo assim, além de falta de emprego, a população sofre com mudanças nas relações trabalhistas que procuram beneficiar o empresariado ao custo da miséria e precarização dos trabalhadores.
O mínimo aumento no número de ocupações, no entanto, já servira como propaganda nos jornais golpistas, como é o caso do jornal O Globo. Em matéria publicada, é possível perceber a tentativa de mostrar uma certa positividade na questão da informalidade. De acordo com o jornal golpista, o aumento de 3% dos trabalhadores por conta própria, levando a taxa de informalidade a atingir 40% seria um avanço. Esse total, chegando a 34,7 milhões de pessoas, seria apresentado como única categoria que apresentou crescimento. Ainda assim, o número dos trabalhadores informais estaria abaixo do período anterior à pandemia, quando chegara aos 40, 6% , ou seja – 38,1 milhões de trabalhadores na informalidade. Os setores de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas seriam os responsáveis pela absorção dessa mão de obra ociosa, afirma Adriana Beringuy, analista de pesquisa.
Outro fator de grande importância é a desistência. Com a crise sanitária, muitos trabalhadores tem desistido de procurar emprego. Levando em conta a política levada adiante pelo governo golpista de Jair Bolsonaro, o prognóstico – para sermos realistas, não é nada bom. Desde que houve o golpe em 2016 com a derrubada do governo de Dilma Rousseff (PT) e a posse do golpista Michel Temer (MDB), a situação econômica brasileira tem se agravado exponencialmente. Para a classe trabalhadora, não há nenhuma perspectiva de melhora até que se ponha abaixo todo o regime político responsável pelo status quo. Após mais de um ano e meio de pandemia, apenas 19,2 % da população está totalmente vacinada. Se somarmos os trabalhadores desempregados, os desalentados e os que trabalham na informalidade, chegamos a um total de cerca de 70 milhões de pessoas sem emprego propriamente dito. Num país com 220 milhões de habitantes, é extremamente alarmante a situação em que vivemos. Soma-se a esses números a miséria e a fome crescentes, bem como o número de desabrigados. Esse é o resultado do golpe de 2016. Para manter a lucratividade da banca privada e atender aos interesses do capital monopolista, milhões de trabalhadores estão sendo jogados na miséria. Os subempregos, longe de apresentarem um “avanço” para a população, correspondem à precarização das condições de vida dos trabalhadores. É preciso lutar por um governo dos trabalhadores, sem patrões. O caminho para a classe trabalhadora é o choque com o regime político para mudar radicalmente a situação de intenso sofrimento do povo. Fora Bolsonaro e todos os golpistas.




