Eleições 2026

Operário metalúrgico, Adriano Teixeira lança candidatura ao governo do Paraná

Pré-candidato do PCO denunciou as dificuldades impostas aos partidos operários nas eleições e contrapôs seu programa às candidaturas de Ratinho Júnior, Sergio Moro e Requião Filho

Operário metalúrgico e militante do Partido da Causa Operária (PCO), Adriano Teixeira lançou sua candidatura ao governo do Paraná destacando justamente uma característica praticamente inexistente entre os principais candidatos apresentados pelas eleições de 2026: trata-se de um trabalhador que continua pertencendo à classe operária e que se apresenta para defender um programa político voltado aos interesses dos trabalhadores.

Morador do interior do Paraná, Teixeira afirmou que esta será a segunda vez em que representará o PCO como cabeça de chapa no estado.

“Essa é a segunda vez que o partido me dá a oportunidade e a honra de representar a política do partido no estado do Paraná, na cabeça de chapa como governador do estado.”

A condição de operário do candidato não é um aspecto secundário de sua candidatura. Ao contrário dos candidatos dos grandes partidos, oriundos ou integrados há muito tempo ao aparelho político da burguesia, Adriano Teixeira é um trabalhador que se apresenta às eleições por um partido operário.

É também a partir dessa condição que Teixeira denunciou o caráter antidemocrático do processo eleitoral. Para um partido da classe trabalhadora, sem o aparato financeiro, político e de comunicação dos grandes partidos burgueses, uma campanha de apenas 45 dias impõe obstáculos enormes para levar seu programa a milhões de trabalhadores.

“A gente vê que existe toda uma organização, uma orquestração da burguesia para que a população às vezes não tenha conhecimento em relação a quem são as verdadeiras propostas políticas, quais são as melhores propostas políticas que a pessoa possa votar. Então, a gente vê que não tem nada de democrático no processo eleitoral.”

Os grandes candidatos entram na campanha cercados por dinheiro, exposição permanente nos meios de comunicação e estruturas partidárias diretamente ligadas aos setores dominantes da sociedade. Um candidato operário, por outro lado, precisa disputar espaço praticamente à margem de todo esse aparato.

É nesse sentido que Teixeira também colocou a perseguição contra o PCO. Segundo ele, existe uma tentativa permanente de reduzir a visibilidade do partido e impedir que seu programa chegue aos trabalhadores.

“Eles tentam esconder de todas as formas possíveis o Partido da Causa Operária em todos os lugares, nas redes sociais, enfim, eles estão vendo, digamos assim, o perigo que é a população saber dos direitos que ela tem, saber, conhecer um programa verdadeiramente revolucionário, uma coisa que possa fazer a diferença verdadeiramente para a classe operária, a classe trabalhadora, como é o meu caso.”

Um operário contra os candidatos da burguesia

Ao tratar especificamente da eleição paranaense, Teixeira mostrou o contraste entre sua candidatura e as candidaturas apresentadas pelos principais partidos.

Ratinho Júnior foi apontado pelo candidato do PCO como representante direto dos grandes interesses econômicos do estado, particularmente dos latifundiários e dos setores privatistas.

“No governo do estado nós temos Ratinho, né? Ratinho, que é um candidato burguês, privatista, é representante dos latifundiários, da burguesia de uma forma geral.”

Teixeira destacou como exemplo dessa política a privatização da Copel. Para o candidato operário, a venda da empresa estadual faz parte da política aplicada nacionalmente pelos governos burgueses, independentemente das diferenças partidárias entre eles.

O candidato também criticou a política do PT no Paraná, que decidiu apoiar Requião Filho, do PDT. Teixeira lembrou que Requião Filho procurou recentemente o ex-governador Beto Richa, responsável pelo governo durante a violenta repressão aos professores paranaenses.

“Nós temos o PT que vai fazer campanha para o PDT, né?, com o Requião Filho, que inclusive esse Requião Filho foi esses dias atrás pedir bênção para o ex-governador do estado Beto Richa, que de forma criminosa jogou bomba de helicóptero em cima dos professores alguns anos atrás lá na praça, na frente da Assembleia. Então é desse tipo de gente que a gente está falando.”

A crítica de Teixeira evidencia também a situação imposta aos trabalhadores nas eleições: enquanto os grandes partidos realizam acordos entre políticos tradicionais e setores da burguesia, uma candidatura operária precisa abrir espaço para apresentar de maneira independente os interesses da classe trabalhadora.

Moro e a Lava Jato

Adriano Teixeira também denunciou Sergio Moro, que aparece entre os principais nomes da disputa pelo governo paranaense.

O candidato recordou a atuação do ex-juiz na Operação Lava Jato e as denúncias feitas desde o início pelo PCO sobre seu caráter político. Posteriormente, as revelações da Vaza Jato expuseram a colaboração existente dentro da operação para perseguir Lula e interferir diretamente na situação política nacional.

“A Lava Jato, depois vem a Vaza Jato, e a gente vê ali um conluio entre o juiz e o desembargador para retirar a principal candidatura das eleições, que era o presidente Lula, dando continuação, então, ao golpe de Estado de 2016.”

Para Teixeira, o fato de Moro chegar às eleições como um dos principais candidatos ao governo do Paraná mostra a situação política enfrentada pelos trabalhadores no estado.

De um lado, encontram-se representantes tradicionais da burguesia, políticos privatistas e personagens ligados à Lava Jato. Do outro, o PCO apresenta um operário metalúrgico para defender diretamente um programa da classe trabalhadora.

“Então aqui a gente coloca a nossa disposição, a nossa candidatura, a candidatura do PCO, que tem um verdadeiro programa político, um verdadeiro programa de luta para a classe operária, para a classe trabalhadora.”

Contra a entrega do patrimônio público

Entre os pontos que Teixeira pretende levar à campanha está a luta contra as privatizações. O candidato relacionou a venda da Copel por Ratinho Júnior à privatização da Eletrobras pelo governo Bolsonaro.

“O Ratinho, o rato lá no governo do Paraná, ele privatizou a Copel, o Bolsonaro privatizou a Eletrobras, né? Então nós temos aí um grupo de gente que está sucateando e acabando com tudo o que tem no país, vendendo tudo o que a gente tem no nosso país.”

Além da luta contra as privatizações, Teixeira destacou a defesa da liberdade de expressão e afirmou que existe disposição entre militantes, simpatizantes e trabalhadores próximos ao partido para ampliar a campanha e apresentar seu programa político.

Sua candidatura coloca assim na disputa paranaense um elemento ausente nas chapas dos principais partidos: um candidato que não apenas fala em nome dos trabalhadores, mas que é ele próprio um trabalhador metalúrgico e permanece ligado diretamente à classe operária.

Ao encerrar sua intervenção, Adriano Teixeira resumiu em três reivindicações a orientação que pretende levar às ruas durante a campanha:

“Então é isso, companheiros: salário, trabalho e terra, e vamos à luta por um Partido da Causa Operária!”

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