Dois novos assassinatos de líderes comunitários na Colômbia, esta semana, chamam a atenção do mundo e comprovam uma tendência macabra que se tornou a marca da política deste país, a execução de lideranças populares por grupo paramilitares clandestinos. Ambos os casos ocorreram no espaço de uma semana em Cauca e Antioquia, dois dos 32 Departamentos que junto com o Distrito Federal compõem a Colômbia. Cauca fica no sudoeste do país, no litoral Pacífico, enquanto Antioquia fica ao norte e é banhada pelo mar do Caribe. No dia 15 de junho, Município de Guapi (Cauca), Gracelio Micolta, membro do conselho da comunidade de Alto Guapi, foi interceptado enquanto era conduzido pelo rio para participar de uma reunião em seu município. O corpo do líder comunitário só foi encontrado na quarta-feira à noite. Segundo a imprensa local, o crime está associado à presença de membros das Forças de Autodefesa Gaitanista da Colômbia (AGC) e de um grupo de crime organizado dedicado ao tráfico de drogas, além de outras organizações militares irregulares que operam na área. No último Domingo (20/06), a Associação Camponesa do Baixo Cauca (Asocbac) denunciou o assassinato do vice-presidente do Conselho de Ação Comunitária da vila de Popales, Édier Lopera, perto de sua fazenda El Diamante, na área rural de Tarazá, Antioquia, no norte da Colômbia. Ainda segundo a Asocbac, após o crime, a família de Lopera fora ameaçada pelo grupo, que impediu e proibiu a remoção o corpo que, portanto, ainda permanece no local. De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), o crime de Cauca tem relação histórica com conflitos pela terra entre a população local e setores privados ilegais como por exemplo a mineração. Além disso, a presença de grupos armados que disputam o controle da rotas de tráfico de drogas contribuem para um aumento da violência na região. O Indepaz divulgou relatório que apontam o departamento de Cauca, com 63 líderes assassinados em 2020, como o mais violento do país, seguido de Antioquia com 22 líderes assassinados, Putumayo 15, Córdoba 9. No total já foram 138 assassinatos de líderes políticos populares na Colômbia em 2020, não contabilizando porém, os assassinatos de ex-combatentes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Além de líderes camponeses, são assassinados e perseguidos indígenas, ambientalistas, defensores dos direitos humanos, membros de ONGs, sindicalistas e ex-militantes das FARC. Anualmente são centenas de assassinatos políticos, o deu ensejo em 2019 a uma denúncia à ONU contra o governo colombiano por violação de Direitos Humanos. Por fim, só é possível explicar a violência política na Colômbia pela constatação do fato do país ser governado por uma ditadura assassina de extrema-direita, fantoche do imperialismo estadunidense, que serve como base para agressões intervencionistas contra a Venezuela. Desde 2009, Colômbia e EUA têm um acordo militar que permiti a este, o uso de três bases aéreas, duas bases da Marinha e outras duas do Exército em território colombiano, o que afeta a segurança de todo o subcontinente.




