Império destrói empregos

Petrobras demitiu dois terços dos petroleiros desde o golpe

Dos quase 500 mil trabalhadores dentro da cadeia produtiva do óleo e gás, liderados pela Petrobras, 2 de cada 3 trabalhadores perderam o emprego.

A Petrobrás desafiou os trabalhadores a provarem a existência de demissão em massa. A FUP, Federação Única dos Petroleiros, topou. Desafio aceito, publicou em sua página oficial do Instagram. Na mesma postagem, a representante dos petroleiros, publicou gráfico, em que demonstra a demissão em massa de 257.239 trabalhadores nos últimos cinco anos, sob a chamada “Fatos e Dados”.

Reportagem do jornal Causa Operária, saiu a campo, para confrontar o desafio pela Petrobrás feito, e a lacônica resposta, com a publicação do gráfico referido, o qual pode aqui ver, e as notícias à respeito, na imprensa capitalista, toda ela, engajada e entusiasta da operação golpista Lava Jato, comandada pelo então Juíz Sergio Moro, no Paraná.

O site Rede Brasil Atual, em 7/3/2015, ainda no governo do PT, mas após um ano da Operação Lava Jato, a grande algoz da Petrobrás, e também das demissões em massa, já apresentava as primeiras 20 mil demissões de trabalhadores. Sob a manchete, “Crise já fez Petrobras desistir de projetos a refinarias e pode reverter expectativas criadas com o pré-sal”. Continuava, “alvo de uma onda de ataques especulativos da direita, proibida de captar novos recursos no mercado financeiro, a Petrobras tem evitado fazer novas contratações”. Os ataques já traziam as primeiras consequências sobre o nível de emprego na cadeia produtiva de óleo e gás. As investidas da Lava Jato, tornava a situação dos trabalhadores difícil.

 

20  mi demissões… e era só o começo

 

Relatório da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Fenatracop) apontava as demissões de pelo menos 20.116 mil trabalhadores de 38 empresas, em sete projetos executados nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

DEMISSÕES na cadeia de Óleo (Petrobrás e Contratadas)
Bahia Estaleiro Enseada Industrial Naval (EIN) 1.500
Candeias 1.500 3.000
Mato Grosso do Sul Fábrica Três Lagoas 1.500
Minas Gerais Regap 559
Pernambuco Refinaria Abreu e Lima 5.700
Rio de Jaeiro Comperj 2.500
Reduc 1.757
Porto do Açú 400 4.657
Rio Grande do Sul Polo de Charqueadas 1.100
São Pauulo Cubatão 3.600
Total de DEMISSÕES 20.116
Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Fenatracop)

Empreiteiras OAS e UTC, contratadas pela empresa Sete Brasil, investigadas na Operação Lava-Jato. Empréstimos bloqueados junto ao BNDES, a Fenatracop, a justificativa para as demissões. Demissões que passaram a pipocar por todo o Brasil, Cubatão (SP), com 3,6 mil demissões; Reduc (RJ, 1.757 demissões), Candeias (BA, 1,5 mil demissões), Fábrica Três Lagoas (MS, 1,5 mil demissões), Polo de Charqueadas (RS, 1,1 mil demissões), Regap (MG, 559 demissões) e Porto do Açu (RJ, 400 demissões).

Ainda no governo do PT, a presidenta Dilma Rousseff sequer completava o primeiro ano de seu segundo mandato, sendo totalmente sabotada por um congresso golpista que não a deixava governar. O Jornal do Comércio, de Porto Alegre, às véspera do natal, em 24/12/2015, estampava, “Crise fecha estaleiros e provoca demissões”.

 

Demissões em todos os setores

 

Às primeira demissões de 20.116, somavam-se mais 22 mil empregos dizimados. Desta vez, o tsunami caía sobre a indústria naval, novamente a ser estraçalhada, como da época dos anos 80, ainda na ditadura militar.

DEMISSÕES na Indústria NAVAL (Petrobrás e Contratadas)
Bahia Maragogipe 7.000
Rio de Jaeiro Estaleiro EISA 3.000
EISA Petro Um 3.500
Estaleiro Aliança em Niterói 1.600
Angra dos Reis, o Brasfels 500
Demissoes programadas para Janeiro de 2016 1.500 10.100
Rio Grande do Sul Polo de Charqueadas 5.000
Total de DEMISSÕES 22.100
Confederação Nacional dos Metalúrgicos (24/12/2015)

As demissões se tornaram rotina no setor de construção naval e se espalham por todas as regiões brasileiras. As empresas fluminenses do setor naval demitiram mais da metade dos seus funcionários neste ano, informava o jornal gaúcho. De acordo com a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, já foram cortadas 14 mil vagas em 2015, reduzindo para 12 mil o total de empregados no segmento, detalhava.

Do Rio Grande do Sul a Pernambuco, 28 mil já haviam sido demitidos em 2015, reduzindo o contingente de empregados a cerca de 54 mil trabalhadores. Eram 82 mil os trabalhadores da Indústria naval. Em toda a dizimação de empregos, lá estava o dedo da Lava Jato e a Polícia Federal. Ativa na destruição da Petrobrás, suas subsidiárias, suas contratadas.

Segundo especialistas, a crise do setor começara quando a Petrobras fora forçada a pisar no freio dos gastos, por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, informava o jornal.

Antecipava ainda o jornal, que entre 2015 e 2016, Petrobrás suspendera encomendas de embarcações de apoio, navios-plataforma e sondas de exploração. Soube-se tempos depois, que Petrobrás cancelara 25 sondas de extração de petróleo do fundo do mar das empreiteiras brasileiras. Cancelava também navios petroleiros aqui encomendados. Sondas voltaram a ser alugadas do reino unido e da Holanda. Navios passaram a ser comprados de Cingapura e Coréia do Sul. Os empregos que eram dizimados no Brasil, eram criados e mantidos na Europa e na Ásia.

A expectativa era de que o ano de 2016 seria ainda pior.

No Rio de Janeiro, o corte de empregos já chegava a 14 mil pessoas. No Brasil, as demissões atingiam cerca de 28 mil pessoas, declarava Edson Carlos Rocha da Silva, coordenador nacional da Indústria Naval pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói. O estaleiro Inhaúma, do grupo Enseada Indústria Naval, também poderia ter de demitir duas mil pessoas por conta das suspensões dos contratos de construção de plataformas da Petrobras. Em Niterói, os estaleiros Aliança, UTC e Vard já haviam dispensado mais de 1,6 mil trabalhadores somente no ano de 2015. Em Angra dos Reis, o Brasfels, que já dispensara 500 funcionários, preparava o corte de mais 1,5 mil trabalhadores até janeiro de 2016.

Três semanas antes da votação do impeachment de Dilma, em 29/03/2016, jornal Folha de S.Paulo, estampava a manchete, “Petrobrás já demitiu 170 mil desde o início da Lava Jato”.

Desde que foram alvejadas pela Operação Lava Jato, há pouco mais de dois anos, a Petrobrás e suas subsidiárias haviam demitido 169,7 mil pessoas.

O corte era de quase 40% dos empregados da Petrobrás. De um total de 446.300 empregados desde 2013, haviam sito dizimados 169.700.

Os números que mostravam em meio à euforia das enormes reservas do pré-sal, a Petrobrás que saíra de 198,9 mil funcionários em 2004 para o recorde de 446,3 mil em 2013, estava a se desfazer.

Os maiores cortes de trabalhadores 85% eram da empresas contratadas. Dos 175.800 trabalhadores de 2013 foram reduzidos a pó. Restavam apenas 30,8 mil em fevereiro de 2016. Operação Lava Jato, mostrava a que veio.

 

Facão nos trabalhadores continuariam

 

Os cortes de funcionários não devem parar por aqui, em nota informava a Petrobrás. Os cargos executivos seriam reduzidos em 40%.

O contingente de pessoal próprio da Petrobrás já recuara em 8,7%, para 78,6 mil pessoas, entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2016. No mesmo período, a redução nos terceirizados das áreas administrativas e de operação foram de 9,3%.

Em 2015, a Petrobras demitiu 6.000 funcionários administrativos.

Dois meses após o afastamento do PT, Petrobrás preparava a privatização da BR Distribuidora e, segundo o Estadão, a Petrobrás planejava um Plano de Demissão Voluntária (PDV) onde a companhia esperava o corte de 12 mil trabalhadores da maior distribuidora de combustíveis do país, privatizada já no governo Bolsonaro, e entregue à capitalistas americanos.

Dos quase 500 mil trabalhadores dentro da cadeia produtiva do óleo e gás, liderados pela Petrobras, 2 de cada 3 trabalhadores perderam o emprego. Não foi para punir possíveis corruptos que o golpe foi dado. Foi para destruir a Petrobrás, aprofundar sua privatização e o roubo do petróleo nacional. Foi para dizimar os empregos de trabalhadores no Brasil.

 

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