Nesta segunda-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reuniu-se com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para discutir sobre a reabertura dos colégios militares do país em meio à expansão da pandemia do coronavírus e escalada no número de mortes. O governador sinalizou a possibilidade de reabertura dos “colégios cívico-militares”, isto é, as escolas públicas que passaram por um processo de militarização no DF, onde a Polícia Militar ou o Exército passaram a fazer parte da gestão escolar.
As escolas que passaram pelo processo de militarização experimentaram uma série de transformações internas. A PM ou o Exército, além de fazerem parte da direção escolar e da equipe pedagógica, mantém um controle político e ideológico sobre a atividade dos docentes e alunos. Os debates sobre temas polêmicos, como sexualidade, religião, política e movimentos sociais, se encontram extintos do espaço escolar, uma vez que o direito de liberdade de expressão foi cassado. A atividade dos sindicatos de professores e das entidades estudantis também são proibidas. Diversos professores relatam perseguição às atividades sindicais.
Para trabalhar nestas escolas militarizadas, o professor passa por um processo de seleção político-ideológico. Os militares se encarregam de impedir o trabalho de qualquer professor que expresse uma concepção crítica da realidade do país e que, sobretudo, busque se organizar para defender os direitos dos trabalhadores e intervir no desenvolvimento da luta política. A penetração dos partidos de esquerda e as entidades sindicais , uma vez detectadas pela vigilância dos militares, são sumariamente banidas. O perfil selecionado para trabalhar nestas escolas é o professor conservador e de extrema-direita, alinhado com a noção de “tradição, família e propriedade” e com ideologia e o programa bolsonaristas. O próprio Ministro da Educação, Abraham Weintraub, declarou que a escola militar é uma escola de direita.
Pelo caráter fascista das escolas militares, as decisões da extrema-direita, caso do governador Ibaneis e de Bolsonaro, acabam sendo impostas pela força. Não há qualquer possibilidade de contestação e mobilização dos professores e estudantes. Atualmente, existem no DF 11 escolas militarizadas, com a gestão compartilhada com a PM o Exército, além do colégio da Polícia Militar e o do Corpo de Bombeiros. Ao todo, estima-se que são 25 mil alunos.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) reúnem centenas de sindicatos de professores em todos os Estados e cidades do país. É preciso organizar uma mobilização dos professores com as entidades estudantis para combater o plano de militarização das escolas públicas, que significa o avanço da extrema-direita sobre a juventude e a cassação dos direitos democráticos fundamentais. Estas escolas são verdadeiras ditaduras militares e tornam os espaços escolares infestados de fascistas.





