Lançar a alcunha de terrorista para perseguir seus opositores políticos é uma prática política tradicional da burguesia. Ataque que ocorre historicamente em inumeráveis episódios, dessa vez, factualmente as vítimas escolhidas pela ditadura burguesa do governo de Lenín Moreno foram lideranças dos povos indígenas do Equador.
Com o agravamento das crises econômicas e sanitárias, e todos os ataques às condições de vida da população aprofundados na pandemia do covid-19, há uma tendência natural ao acirramento da luta de classes. Esse quadro aciona um reflexo natural da burguesia de endurecer sua política. Para a burguesia não importa os corpos de populares nas ruas vítimas da pandemia. A única coisa que importa para esta, é manter os lucros dos capitalistas, mesmo que para isso tenha que atacar, sufocando todas as vozes de oposição escancarando a fraude da democracia burguesa como ela realmente é. Uma ditadura da burguesia sobre o restante da população.
Nesta última sexta-feira, dia 17/04/2020, a justiça do Equador deu prosseguimento a um processo aberto pelo advogado e político Alberto Dahik (ex vice-presidente do país entre 1992 e 1995, durante o governo de Sixto Durán Ballén) representante de políticos de direita aliados do governo de Lenín Moreno. A ação caracteriza como terroristas as lideranças indígenas Jaime Vargas e Leónidas Iza, ambos presidentes de organizações indígenas que se colocam contra a política genocida de Moreno, foram intimados a comparecer aos tribunais para prestar esclarecimento em juízo, Jaime Vargas no dia 29 e Leónidas Iza no dia 30 de abril.
O Jaime Vargas é presidente da Confederação Nacional dos Povos Indígenas do Equador (Conaie), que horas após a notificação ao seu presidente emitiu um comunicado com seguinte teor “Esta notificação vem imediatamente após o anúncio de novas medidas econômicas apresentadas por Lenín Moreno (….) que agora prefere colocar sua vingança política e um sistema judicial perseguidor como método para fazer política, em vez de atuar em favor dos equatorianos e atender à emergência de saúde e conter a disseminação do coronavírus no país”.
O Leónidas Iza é presidente do Movimento Indígena Camponês Cotopaxi (MICC), que assim como a Conaie se manifestou sobre o ocorrido após a intimação ao seu presidente, em suas palavras: “limita as garantias constitucionais dos povos indígenas, mas isso não é nada novo, já que a perseguição aos nossos líderes já era evidente desde o ano passado, e vamos resistir novamente desta vez”




