Nesta segunda-feira, dia 06 de abril, o equatoriano Wilmer Enrique AV, 44 anos, foi preso em Guayaquil, epicentro da pandemia da Covid-19 no Equador, por um tal “crime de atos de ódio”.
A Polícia Nacional informou que a prisão foi feita depois que dois vídeos – ainda nas redes sociais em 08 de abril – de Wilmer acabaram viralizando. Nesses vídeos, usando palavras fortes e visivelmente irritado, ele faz referências ao presidente Lenín Moreno, aos políticos de um modo geral, banqueiros e à própria Polícia Nacional, que, segundo Wilmer, mantém o presidente traidor no poder.
Os pontos que o equatoriano destaca nos vídeos são a manipulação dos fatos relativos à pandemia por parte das autoridades, a incompetência destas em lidar com o vírus e o tratamento diferenciado (privilegiado) que a ministra Maria Paula Romo tem dado a alguns prefeitos.
O preso se refere a Lenín Moreno como “patuleco”, que é aquele que tem pés ou pernas tortas e caminha como pato. Diz também que gostaria de ficar frente a frente com ele, não se importando com quanto tempo poderiam deixá-lo na prisão.
Chamou a ministra Romo de “cadela maldita” e duvidou da contaminação da prefeita de Guayaquil, Cynthia Viteri.
Além das ofensas, o mais importante é que Wilmer responsabiliza as autoridades equatorianas, em especial o governo federal, pela morte de tantas pessoas, incluindo, segundo ele, alguns de seus familiares.
No dia seguinte à prisão, um juiz declarou que a prisão de Wilmer Enrique A.V foi ilegal e ele foi libertado, de acordo com o advogado Héctor Vanegas, que se ofereceu para defendê-lo gratuitamente.
Apesar disso, o Ministério Público manteve sua posição de iniciar uma investigação prévia pelo crime de ódio, e que pode, segundo a lei equatoriana, levá-lo a três anos de cadeia.
“Vamos até o fim para provar a inocência de Wilmer, e queremos sanção para todos os maus policiais que se prestaram a esse show”, disse o advogado.
A prisão de Wilmer não é o único caso de violação do direito de expressão e de opinião no Equador. Profissionais de saúde que denunciam as péssimas condições de trabalho deles próprios e dos pacientes em tratamento tem medo de sofrer processos disciplinares, segundo relata a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Segundo o canal RT, os parentes de mortos pela Covid-19 e profissionais de saúde que tem relatado a este veículo a situação acabam pedindo anonimato.
Todos esses meios ditatoriais de intimidação não significam outra coisa que o medo que o traidor Lenín Moreno tem de ser rechaçado de uma vez do poder. Lembremos que o presidente sofreu uma derrota em outubro de 2019. Acossado pela rebelião popular, foi obrigado a revogar medidas neoliberais e fugir da capital Quito, transferindo a sede do governo para Guayaquil.
Isso explica o clima de medo que os profissionais de saúde – e a população em geral – tem em falar da situação. Explica também porque a prisão de Wilmer ocorreu justamente depois que seus vídeos viralizaram.
Afinal, basta uma faísca para acender o fogo de uma rebelião. Quem não lembra da Primavera Árabe, quando o estopim da revolta latente foi o suicídio desesperado de um vendedor de frutas na Tunísia, privado injustamente dos meios para trabalhar e sustentar a família?
Lenín Moreno e todos os governantes inimigos do povo sabem disso e por isso perseguem quem os critica. Esses tiranos proíbem reuniões, ameaçam e torturam. Como sempre, usam como desculpa a pandemia real ou o “terrorismo” fictício para prender quem sai na rua ou para violar a privacidade e perseguir quem revela as verdades inconvenientes.




