No último dia 6, grupos indígenas iniciaram manifestações no Canadá contra o projeto Coastal GasLink, proposto pelo primeiro-ministro liberal Justin Trudeau. O projeto prevê a construção de um gasoduto em território indígena na Colômbia Britânica.
A manifestação dos grupos indígenas bloqueou o distrito de Tyendinaga, em Ontário, leste de Toronto, e o objetivo era bloquear as Ferrovias Nacionais Canadenses. A comunidade tenta há mais de um ano impedir a instalação do gasoduto em suas terras. O bloqueio teve início após a prisão de membros da comunidade Wet’suwet’en, como manifestação de solidariedade dos Mohawk, comunidade indígena.
O governo de Justin Trudeau encontra o peso do passado como um motivo para encarar o problema com cautela: na década de 90, ocupações indígenas contra a invasão do governo às suas terras levaram o País a uma das suas piores crises na década, com a radicalização do movimento e confrontos com a polícia, que agrediu uma adolescente e matou manifestantes.
Não só o passado, mas o presente preocupam o governo: as manifestações, que começaram no Oeste, na Colúmbia Britânica, já ampliaram-se para o Leste, em Ontário, e têm apoio de organizações de trabalhadores. Os protestos contra o governo Trudeau têm adquirido cada vez mais densidade e relevância e demonstram a polarização política, fato que a imprensa tenta ocultar.
Apesar de elementos da extrema-direita, como Andrew Scheer, líder do Partido Conservador, pedirem repressão, o governo, representado pela direita e o centro político, procura evitar confronto e encontram-se num impasse que desmoraliza o regime e escancara a crise no País.
A economia canadense já começa a mostrar fraqueza diante das mobilizações indígenas e a burguesia já demonstra o descontentamento com elas. “A Fertilizer Canada defende o direito a protestos pacíficos, no entanto, o bloqueio das principais rotas ferroviárias impede o fluxo de mercadorias e causa danos irreparáveis à economia e agricultura do Canadá”, disse Garth Whyte, presidente da empresa.
Os manifestantes Mohawk afirmam que os bloqueios não serão desfeitos até que a polícia deixe o oleoduto que os Wet’suwet’en disputam, na Colúmbia Britânica.




