Nesta sexta (31), o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales denunciou que sua advogada Patricia Hermosa, foi detida pelo governo golpista da Bolívia junto com seus documentos para registro de candidatura ao Legislativo.
Morales foi reeleito presidente no final de 2019, no entanto sofreu um golpe militar e renunciou, abandonando o mandato que estava no final e o que se iniciaria em 2020. Após o golpe fugiu para o México e depois para a Argentina, onde está atualmente.
A detenção de sua advogada e procuradora e dos seus documentos, mostra que o governo golpista de Jeanine Áñez não está disposto a qualquer tipo de conciliação com o ex-presidente, independente de quão moderada seja sua política.
Morales disse no twitter:
“Denuncio ante la comunidad internacional la detención ilegal, de mi apoderada Patricia Hermosa, responsable de realizar los trámites para mi postulación como asambleísta y el secuestro de toda mi documentación personal, como mi libreta de servicio militar. #DictaduraEnBolivia
— Evo Morales Ayma (@evoespueblo) January 31, 2020”
“Denuncio à comunidade internacional a detenção ilegal de minha advogada Patricia Hermosa, responsável por executar os procedimentos para minha inscrição como assembleísta e pelo sequestro de toda a minha documentação pessoal, como meu caderno de serviço militar. #DictaduraEnBolivia.” (tradução livre)
Outro dado que ajuda a entender a perseguição é que Hermosa é ex-chefe de gabinete do ex-presidente. Possui uma procuração para representar Morales oficialmente. Segundo matéria da revista Fórum, a Defensoria Pública disse estar monitorando o caso, porém não se sabe o paradeiro da advogada.
O ex-presidente continuou:
“Não há democracia, não há eleições limpas quando há detenções diárias e violações de garantias constitucionais e direitos humanos, peço a libertação imediata de minha advogada e a devolução de todos os meus documentos… Em outubro, vencemos no primeiro turno e eles roubaram nossa vitória. Então eles me forçaram inconstitucionalmente a renunciar à candidatura presidencial. Agora, eles sequestram minha documentação para me impedir de concorrer à Assembleia. Peço aos conspiradores do golpe que não se submetam a imposições americanas.”
Uma prova cabal que os golpistas, seguindo a política do imperialismo, não dão golpes para derrubar presidentes e em seguida realizarem eleições democráticas e permitir que o grupo político derrubado pelo golpe retorne ao poder.
Por isso, apesar da denúncia correta dos golpistas, a política de Morales e do seu partido (MAS) em manter a luta no terreno eleitoral, parlamentar é uma política errada, insuficiente e ineficaz para a luta contra os golpistas, que tomaram o poder a força na Bolívia e só sairão de lá se forem derrotados por uma força superior a que os levou ao poder.
Para combater os golpistas na América latina, da Bolívia ao Brasil, é preciso mobilizar a única força capaz de derrotar o imperialismo: os trabalhadores. Para isso é preciso agrupá-los em torno de um programa que seja independente das instituições do Estado burguês. É necessário mobilizar os trabalhadores para reagir à ofensiva da direita e lutar pelo poder político, muito além do que por cargos eletivos no Estado.




