O peão perde mais uma batalha

No Acordo Coletivo dos Metalúrgicos com a CSN levou a melhor a empresa

Os metalúrgicos da CSN aprovaram nesta terça-feira (03) a renovação do acordo que permite a manutenção do turno de oito horas por mais dois anos, até o dia 2 de dezembro de 2021.

Os metalúrgicos da CSN aprovaram nesta terça-feira (03) a renovação do acordo que permite a manutenção do turno de oito horas por mais dois anos, até o dia 2 de dezembro de 2021. Eles receberão como compensação o valor de R$ 4.275 cada um, divididos em três parcelas de R$ 1.425 cada, que serão pagas nos dias 23 de dezembro, janeiro e fevereiro.
A decisão foi tomada por uma luta e uma forte queda-de-braço travada entre os trabalhadores de um lado, e a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos do outro, que pode ser percebido pela votação apertada 1.690 votos pela renovação do acordo, e 1.617 contra a renovação e nove votos brancos ou nulos, resultado esse que dá a vitória à empresa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Silvio Campos, justifica o “teatro” que faz dizendo que a votação secreta confirma a política do sindicato de sempre atender ao que o trabalhador deseja. Dez ele: “Este é um assunto que interessa ao trabalhador que faz turno. Por isso, eles é que tiveram a palavra final sobre a questão”, e fala isso mas todos sabem que o resultado é manipulado e o trabalhador ainda sofre pressão, com ameaça de demissão, para votar favoravelmente à manutenção do turno de 8 hs contra, o que era antes de 2017, o turno de 6hs.

Aliás, desde 1988 a Constituição Federal havia estabelecido que os turnos de revezamento deveriam ter duração máxima de seis horas. No entanto, com a reforma trabalhista de 2017 isso acabou, sendo o texto da constituição flexibilizado de forma irregular por meio de lei ordinária, a lei nº 13467 de 13 de julho de 2017, cuja redação autorizou a mudança desde que com a aprovação do Sindicato da categoria.

Com isso, a cada 2 anos, período de validade do Acordo Coletivo, a decisão deve ser submetida à categoria, que, tendo à frente seu sindicato, inicia as rodadas de negociação com o patrão, com a apresentação da pauta contendo a lista de reivindicações que espera ver contempladas.

Com a data base no dia 1º de maio, o sindicato já inicia a negociação em março, como se deu com a CSN, que protela até o fim do ano as negociações com a conivência do sindicato. Aí quando o trabalhador já está cansado e preocupado com as festas de fim de ano, a CSN vem com o cala-boca, e consegue a aprovação da manutenção do plano da forma mais conveniente aos seus interesses.

Há dois anos, para que fosse aprovada a volta do turno de 8 horas, a CSN apresentou cala-boca de R$ 3.500 em duas parcelas. Os trabalhadores do turno também receberam crédito extra de R$ 500 no cartão alimentação. Além disso, havia a possibilidade de que os próprios colaboradores do turno escolhessem a escala.

No dia 3 passado, a renovação do acordo com a manutenção do turno de oito horas por mais dois anos, até o dia 2 de dezembro de 2021, foi amaciada com uma recompensa no valor de R$ 4.275 para cada um dos trabalhadores, dividida em três parcelas de R$ 1.425 cada, que serão pagas nos dias 23 de dezembro, janeiro e fevereiro.

Mais uma vez refém de um sindicato colaborador de classe, subserviente ao patrão, o trabalhador não tem como se colocar contra a empresa sem correr o risco de perder seu emprego. Dessa forma, precisa do sindicato que dispõe de gente com estabilidade de emprego garantida por lei para fazer isso. Sem essa defesa, não tem como arriscar.

Faz parte do contexto atual em que o mercado se vê diante do monopólio, quando a concorrência é superada pela possibilidade de lucro é controlado antecipadamente, incluir, além do Estado, também o sindicato, para achatar os salários e conscientizar o trabalhador com a falsa mensagem de que ele é um colaborador, que precisa vestir a camisa da empresa, com a promessa mentirosa de que um dia ele poderá ser dono do seu próprio negócio e um empresário milionário também.

Mas essas ilusões começam a cair por terra. Não que a ideia do “quanto pior melhor” seja a solução que se esperava, todavia, é para onde irremediavelmente a situação caminha. A crise está trazendo a caristia, e o trabalhador começa a ficar pressionado por todas as dificuldades vindo de todos os lados.

Só nos socorre as ruas e uma luta organizada, não por ideias falsas, mas pelas reivindicações reais de uma vida mais digna contra a opressão e a exploração desmedida do trabalhador.

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