O Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram 222.139 casos. Os dados são da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com base em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
O levantamento passou a ser feito em 2023, quando uma portaria do Ministério da Saúde tornou obrigatória a notificação de todos os acidentes de trabalho atendidos pelos serviços de saúde. Antes, apenas casos graves, fatais ou envolvendo crianças e adolescentes precisavam ser obrigatoriamente registrados.
Mesmo com a mudança, a Anamt considera que os números estão abaixo da realidade. Segundo a diretora científica adjunta da entidade, Rosylane Rocha, muitos acidentes continuam fora das estatísticas oficiais.
“Muitas vezes, não tem uma avaliação correta ou falta a empresa, o próprio trabalhador ou o sindicato ao qual pertence abrir uma CAT [Comunicação de Acidente de Trabalho]”, afirmou.
Os homens representam 74,7% dos casos registrados no período. Foram 1.376.463 acidentes, contra 466.921 entre mulheres, correspondentes a 25,3% do total. Em outros 220 registros, o sexo não foi informado.
A maior parte dos acidentes atingiu trabalhadores entre 20 e 49 anos. A faixa dos 20 aos 34 anos concentrou 783.598 notificações, enquanto a dos 35 aos 49 teve 610.441.
Somadas, as duas faixas responderam por 1.394.039 acidentes, ou 75,6% de todos os casos registrados.
Também houve 107.154 notificações envolvendo pessoas de 15 a 19 anos. Como a estatística reúne menores de idade e trabalhadores de 18 e 19 anos, não é possível saber quantos desses casos estão relacionados ao trabalho infantil ou ao emprego de adolescentes em atividades proibidas.
A Anamt prepara outro levantamento para identificar os setores com maior concentração de acidentes. Entre eles está a construção civil, atividade marcada pela presença majoritária de trabalhadores homens.
O Sudeste e o Sul reuniram 1.338.895 acidentes desde 2023, o equivalente a 72,6% de todos os registros do País.
O Sudeste lidera com 788.518 casos, 42,8% do total. O Sul aparece em seguida, com 550.377, ou 29,9%. No Nordeste foram registrados 223.250 acidentes; no Centro-Oeste, 175.366; e no Norte, 106.093.
Cinco estados reúnem sozinhos 67% dos acidentes: São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. São Paulo ocupa a primeira posição, com 533.557 notificações. Depois aparecem Rio Grande do Sul, com 245.641; Paraná, com 197.011; Minas Gerais, com 152.192; e Santa Catarina, com 107.725.
A mudança nas regras de notificação explica, em parte, o aumento da quantidade de acidentes que passaram a aparecer nas estatísticas a partir de 2023. Como anteriormente nem todas as ocorrências precisavam ser comunicadas, os números atuais não podem ser comparados diretamente com os dos anos anteriores.
Para o presidente da Anamt, Francisco Cortes Fernandes, a ampliação dos registros permite identificar com maior precisão os locais, trabalhadores e circunstâncias envolvidos nos acidentes.
“Ao ampliar a notificação, passamos a enxergar melhor onde os acidentes acontecem, quem são os trabalhadores expostos e quais circunstâncias mais contribuem para esses eventos. Essas informações são fundamentais para orientar políticas públicas e estratégias de prevenção”, declarou.





