Dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Centro do Professorado Paulista (CPP) revelam uma situação alarmante: o Brasil está entre os países com os maiores índices de violência contra professores, e seis em cada dez profissionais relatam já ter sofrido algum tipo de agressão nas escolas. A situação não pode ser explicada simplesmente pelo comportamento individual de alunos ou familiares. Ela ocorre em meio a uma política sistemática de ataques à educação e aos trabalhadores do setor.
Em uma sociedade na qual o dinheiro determina, em grande medida, o prestígio social, o próprio Estado dá o exemplo de desprezo pelos professores. São salários miseráveis, escolas sucateadas, retirada de direitos e uma deterioração permanente das condições de trabalho. Ao tratar dessa maneira uma categoria essencial para o funcionamento da sociedade, o poder público contribui diretamente para a desmoralização do professor diante da população.
Ao ataque material soma-se uma campanha política contra os educadores. Setores da direita e os grandes capitalistas procuram transformar professores em responsáveis pelos problemas da educação, enquanto escondem as verdadeiras causas da crise: o corte de recursos públicos, a privatização do ensino e a transferência de uma parcela gigantesca do orçamento para banqueiros e especuladores por meio do pagamento da dívida pública.
O professor acaba transformado em bode expiatório de uma crise provocada justamente pela política dos governos contra a escola pública. Enquanto faltam recursos, funcionários e condições adequadas de ensino, multiplicam-se campanhas contra os educadores, apresentados como privilegiados ou culpados pelo fracasso de um sistema que vem sendo deliberadamente destruído.
A violência nas escolas, portanto, não será resolvida com mais polícia nem com campanhas abstratas pela paz. É preciso atacar as condições que produziram essa situação. Isso passa pela organização e mobilização dos professores, estudantes e de toda a população em defesa da escola pública, pelo aumento imediato dos salários, por um piso salarial não inferior a R$ 8.500, pelo fim do sucateamento das escolas e pela garantia de ensino público, gratuito e de qualidade para todos.





