Questão catalã alimenta impasse para coalizão entre PSOE e Podemos

A crise do regime político na Espanha se estende. Após as eleições de abril, que garantiu o Partido Socialista Espanhol (PSOE) como vencedor, elegendo 123 cadeiras de um total de 350, o primeiro-ministro do País, Pedro Sánchez, corre para tentar costurar uma aliança para poder governar. Caso contrário, novas eleições poderão ser chamadas, o que certamente irá aumentar a crise.

Os partidos da direita tradicional já anunciaram que não farão a coalizão com o PSOE e que votarão contra a posso de Sanches como Primeiro-ministro. Desesperado por garantir a instalação do governo, ele pediu que PP (Partido Popular) e Cidadãos (Liberais) ao menos decidissem pela abstenção. Mas tudo indica que não conseguirá um acordo.

A saída então é procurar a aliança com o partido da esquerda pequeno-burguesa, o Podemos, que obteve 42 cadeiras. As negociações com o chefe do Podemos, Pablo Iglesias, estão difíceis principalmente porque ele sabe que os votos de seu partido são imprescindíveis para que Sanches seja conduzido ao governo.

O principal problema de fundo é a questão da Catalunha. A crise que se desenvolveu na região levou o governo anterior à crise terminal. O Podemos, embora não tenha se colocado a favor da independência catalã, tem em suas fileiras setores favoráveis à autodeterminação da região. Como um partido típico da esquerda pequeno burguesa, parecido com o PSOL no Brasil, embora a política geral do partido seja direitista, existem muitas contradições internas devido a diferentes grupos que integram a coligação do Podemos.

Um dos problemas para Sanches e o próprio Pablo Iglesias é tentar se livrar dos setores pró-Catalunha para formar um governo que não se desmanche novamente diante da intensa crise na região.

A depender do impasse, caso Sanches não consiga montar sua coalizão, novas eleições serão chamadas, o que dve aumentar exponencialmente a crise do regime político na Espanha, que já se mostrou profunda nas eleições de abril, com a queda dos votos dos partidos tradicionais (PSOE e PP) e o aumento da extrema-direita.

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