Domingo (26) encerraram-se as eleições para o Parlamento Europeu, depois de quatro dias de votação por todos os países da União Europeia (UE), incluindo o Reino Unido, que ainda não deixou o bloco. A participação nas eleições europeias foi excepcionalmente alta dessa vez comparando-se com eleições anteriores, com 50% de comparecimento às urnas. Na França, a participação também foi de 50%, com Marine Le Pen, de extrema-direita, derrotando Macron, atualmente no governo, por uma pequena margem (23,31% dos votos contra 22,41%, e uma diferença de 200 mil votos).
Longe dessas votações expressivas, em sexto lugar, ficou o Partido Socialista (PS), que antes de Emmanuel Macron estava governando, durante a presidência de François Hollande. Junto com Os Republicanos (que ficaram em quarto lugar nessas eleições, com 8,4% dos votos), o PS era um dos principais pilares do regime burguês na França. Agora, o PS comemora seus 6,19% dos votos, que ultrapassaram por pouco a cláusula de barreira e possibilitaram a continuação do PS no Parlamento Europeu, agora com apenas seis deputados.
Como isso aconteceu?
A degradação eleitoral do PS corresponde a uma desagregação do próprio regime político. O PS serviu de mecanismo para substituir a direita tradicional do regime e continuar aplicando uma política econômica neoliberal, com cortes de gastos públicos e ataques aos direitos trabalhistas.
A reforma trabalhista levada adiante por Hollande, liderada por Manuel Valls, levou o PS a um confronto com a classe trabalhadora. Além disso, posteriormente, com o partido já completamente desmoralizado diante das massas, o PS apoiou Macron nas eleições contra Le Pen no segundo turno das eleições presidenciais de 2017.
Em 2017, o PS já viveu um fiasco eleitoral completo nas eleições presidenciais, seu candidato a presidente, Benoît Hamon, ficou apenas em quinto lugar. Todas essas políticas direitistas e apoios a políticos de direita acabaram destruindo a influência eleitoral que o partido tinha.
Crise se repete em toda a Europa
O caso da França mostra uma etapa avançada desse processo. Os partidos tradicionais do regime desmoronaram, e diante disso, enquanto a esquerda não apresenta uma política alternativa ao regime, a extrema-direita prospera à sombra dessa crise política. A saída encontrada pelos capitalistas franceses para manter a estabilidade do regime foi uma manobra eleitoral, com Emmanuel Macron, que saiu do nada para vencer as eleições, com base na chantagem eleitoral. Essa saída indica que, apesar de continuar funcionando por enquanto, também acabará se desgastando.




