Assistência estudantil para quê? UnB quer despejar criança com paralisia cerebral

No início da semana, o caso da estudante de direito da UnB, Millena Silva, teve repercussão com a emissão de despejo por meio da universidade contra a permanência de sua família na Casa do Estudante. A ordem de despejo foi especificamente contra sua irmã de apenas 11 anos, que é vítima de paralisia cerebral, que reside no alojamento da instituição junto com a irmã e mãe. Segundo a nota, Millena só poderia ter apenas uma acompanhante, sendo essa a norma estabelecida para estudantes especiais que necessitam desse recurso, logo a permanência de sua irmã não seria aceitável.

A jovem, residia na periferia da capital federal, onde morava na cidade de Ceilândia -onde há um campus da UnB, porém só  para os cursos de saúde- e é fato a segregação existente em Brasília, onde as cidades satélites são distantes do “centro”, onde se encontra o campus Darcy Ribeiro, único campus onde as aulas do curso de direito são ministradas. E portanto, a mudança da estudante para o local se fez necessária, a ida da mãe junto a irmã é apenas o resultado da realidade vivida pela família, uma vez que Millena necessita da atenção da mãe, mas sua irmã por consequência também. É preciso dizer que, a assistência estudantil é dada de maneira muito precária, o valor no qual foi estipulado como benefício para a estudante, não seria suficiente para a família arcar com apartamento nas proximidades da universidade, logo a necessidade de permanência da família na Casa do Estudante, é fruto desse déficit do auxílio.

Por direito, todos os estudantes deveriam ter a assistência estudantil com eficiência, mas como se demonstra na prática, o que tem acontecido são os cortes nos mais diversos setores, aqui em especial no auxílio que garante a moradia. O ataque a universidade, começa desde a precarização de benefícios direcionados aos estudantes desde ao sucateamento da mesma, isso com um único viés; massacrar os direitos dos estudantes, que muito minimamente se mantêm com a assistência defasada que é oferecida, e no momento seguinte privatiza-la.

Em contrapartida, estudantes da Universidade de Brasília, e demais colegas da estudante, realizaram ato contra a ordem de despejo expedida contra sua irmã, assim reafirmando a permanência tento da estudante, quanto a de sua família. O prazo dado pela nota seria até o dia 28 de agosto, última terça-feira. Com a mobilização dos estudantes do Centro Acadêmico de Direito e demais presentes, o decano de Assuntos Comunitários da UnB, anunciou o cancelamento da ordem de despejo.

Com isso, mais uma vez é preciso reforçar a denúncia contra os ataques que são desferidos contra os estudantes e a universidade de conjunto. Essa é a maneira como os estudantes devem se organizar; mobilizarem todo o corpo estudantil para barrar qualquer avanço de uma política que somente visa retirar direitos fundamentais, que devem ser garantidos.

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