As escolas dos assentamentos no Espírito Santo têm diretrizes que reconhecem a relação entre ensino e vida comunitária. Apesar disso, um educador recebeu uma punição de dois anos e dez meses de afastamento depois de participar de uma atividade ligada à comunidade. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e outras seis entidades denunciam perseguição por parte da Superintendência Regional de Educação de São Mateus e da Secretaria estadual da Educação.
Segundo as entidades, a atividade ocorreu fora da estrutura da escola. Murilo de Jesus Nunes, dirigente do setor de educação do MST no estado, afirma que a participação do educador havia sido tratada com a superintendência. Ainda assim, o profissional foi processado e afastado. As organizações exigem a revisão da punição e a apuração de denúncias de assédio e retaliação.
A contradição com as normas educacionais é direta. Em 2025, o Conselho Estadual de Educação aprovou diretrizes para as escolas de assentamentos que reconhecem a Pedagogia do Movimento. O texto foi publicado no início de 2026 e prevê que a formação dos alunos se relacione ao trabalho, à cultura e à história das famílias. Também reconhece a ligação entre os processos educativos e a participação política na comunidade.
Murilo relata que outros educadores passaram a temer sanções quando defendem essa proposta pedagógica. O dirigente aponta mudanças administrativas feitas desde 2016 que dispersaram as escolas por diferentes superintendências e enfraqueceram a organização conjunta dos trabalhadores. O afastamento atual pesa sobre um profissional, mas o aviso chega a todas as escolas do movimento.
As entidades querem que o governo estadual cumpra as diretrizes que aprovou. A presença dos educadores na vida dos assentamentos não é um desvio a ser punido: faz parte da proposta educacional reconhecida nas normas do próprio Espírito Santo.





