A Causa Operária TV realizou, neste sábado (3), uma verdadeira maratona de transmissões para marcar o último dia da campanha eleitoral. Começando às 10 horas da manhã e avançando por mais de dez horas, a Superlive da COTV reuniu no estúdio e pela Internet convidados de diferentes estados brasileiros e até do exterior, além de candidatos e dirigentes do Partido da Causa Operária (PCO).
A proposta era transformar o último sábado antes da votação em uma programação especial, sem ficar restrita ao formato tradicional de uma live eleitoral. Houve política nacional e internacional, futebol, imprensa, liberdade de expressão, censura, direitos das mulheres, torcidas organizadas, relatos da campanha do PCO e, principalmente, uma longa sequência de conversas com pessoas que mantêm algum tipo de colaboração ou diálogo com a imprensa da Causa Operária.
Logo na abertura, a apresentação deixou claro que se trataria de uma transmissão fora do comum. O público foi chamado a permanecer ligado durante todo o dia e a espalhar o link pelos grupos de WhatsApp, entre amigos e familiares. O chat já estava movimentado antes mesmo dos primeiros convidados e, ao longo da programação, permaneceu como parte da própria transmissão, com perguntas, comentários e contribuições sendo lidos no ar.
A primeira parte contou com João Pimenta e Adriana Machado nos estúdios da COTV. A partir dali, a Superlive começou a assumir o formato que predominaria durante o restante do sábado: convidados entravam e saíam, novos nomes eram anunciados durante a própria programação e a conversa transitava rapidamente entre assuntos diferentes.
Um dos primeiros destaques internacionais foi Jackson Hinkle, secretário de relações internacionais do American Communist Party (ACP), que participou diretamente de Moscou. A conversa foi realizada em inglês e passou pela aproximação existente entre o ACP e o PCO, a situação internacional, a luta contra o imperialismo e a questão dos recursos naturais dos países atrasados.
Hinkle comentou, entre outros assuntos, a enorme importância da energia para o desenvolvimento nacional. Ao discutir petróleo, energia nuclear e a situação dos países submetidos ao imperialismo, afirmou que a melhoria das condições de vida está diretamente relacionada à capacidade de uma sociedade controlar e desenvolver seus recursos.
“Se você nacionaliza, então qual é o problema? A qualidade de vida vai subir e você também terá consequências fiscais positivas”, afirmou Hinkle durante a conversa.
A Superlive não reuniu apenas integrantes do próprio PCO, mas pessoas e organizações com trajetórias políticas distintas e, em vários casos, importantes divergências entre si. O critério adotado ao longo do dia foi justamente abrir espaço para discussão com setores que vêm mantendo relações, debates e atividades comuns com a Causa Operária.
Foi nesse clima que Rafael Machado, da Nova Resistência, entrou pela primeira vez na transmissão. Machado conversou com João Pimenta e Adriana sobre nacionalismo, imperialismo, perseguição política e as divergências existentes dentro da própria esquerda. Ele explicou a trajetória de sua organização e chamou atenção para o ambiente de “caça às bruxas” criado em torno de posições consideradas inconvenientes pelo regime político e pelos setores mais domesticados da esquerda.
A participação, que inicialmente seria relativamente curta porque Machado tinha outro compromisso, acabou sendo extensa. E não terminou ali: ele retornaria horas mais tarde para participar de outro dos grandes blocos da noite.
A manhã ainda reservava um dos nomes que mais havia provocado expectativa nas redes sociais quando a programação foi anunciada: Bruno Aiub, o Monark. A própria COTV destacou que a publicação anunciando sua presença provocara milhares de reações antes da Superlive.
Monark entrou em um ambiente bastante descontraído. Houve brincadeiras com os problemas técnicos, com a censura e até com sua antiga trajetória como produtor de conteúdo sobre jogos eletrônicos. O resultado foi uma conversa que se estendeu muito além do horário inicialmente previsto.
O comunicador falou sobre seu atual projeto de entrevistas, comentou a perseguição judicial que sofre, debateu liberdade de expressão e respondeu também a perguntas enviadas pelo público. A conversa passou ainda pelas bets, tema que se tornou uma das polêmicas da reta final da campanha eleitoral.
Monark declarou que considera as apostas prejudiciais, mas rejeitou a política de simplesmente proibi-las.
“Eu acho bet ruim, mas sou a favor de legalizar”, resumiu, ao explicar que sua oposição às apostas como hábito pessoal não significa apoio à repressão estatal contra quem decide apostar.
Mesmo com temas bastante sérios, o bloco manteve o tom informal da Superlive. Em determinado momento, Monark foi perguntado até mesmo sobre se ainda jogava Minecraft, em uma referência à fase de sua carreira que o transformou em uma das principais figuras da Internet brasileira.
No meio da programação ocorreu a tradicional Análise Política da Semana com Rui Costa Pimenta. Como o programa já possui cobertura própria e uma extensa discussão dos acontecimentos políticos nacionais e internacionais, a Superlive simplesmente incorporou a transmissão à maratona do dia. Depois dela, a programação especial retomou o formato de mesas e convidados.
Foi então realizado o chamado “bloco das canceladas”, com Isadora Dias, candidata do PCO ao governo de São Paulo, Adriana Machado, Isabela Cepa e Celina Lazari, dirigente da Mátria. O ponto de partida foi o episódio ocorrido durante o debate na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, quando Isadora foi hostilizada após defender que presídios femininos sejam organizados com base no sexo dos detentos.
Celina relacionou o episódio a outras campanhas de perseguição acompanhadas pela Mátria e lembrou que diferentes mulheres vêm sofrendo ataques por defender posições semelhantes. Isabela Cepa, por sua vez, relatou sua própria experiência com perseguições, ameaças e processos. Houve divergências pontuais e diferentes maneiras de abordar o problema, mas todas destacaram a necessidade de garantir o direito ao debate e de impedir que acusações e ameaças sejam utilizadas para silenciar posições políticas.
Depois de um dos blocos mais polêmicos do dia, a Superlive mudou completamente de assunto e foi para o futebol. Henrique Áreas, dirigente nacional do PCO e candidato ao governo de Minas Gerais, entrou na transmissão para discutir a importância do esporte e das torcidas organizadas. A conversa contou ainda com Caik da Lapola, jornalista independente que realiza um trabalho dedicado às torcidas, e Mateus Vetter, ligado à Raça Jovem Metropolitana, de Santa Catarina.
O bloco procurou tratar o futebol como um dos principais elementos da cultura popular brasileira. Henrique destacou que milhões de trabalhadores acompanham os clubes e participam diretamente da vida do futebol, o que torna absurda a postura de setores da esquerda que simplesmente desprezam o assunto.
Caik apresentou sua experiência como jornalista dedicado ao cotidiano das organizadas e lembrou que havia pesquisado os programas apresentados nas eleições. Segundo ele, o PCO se diferenciava por citar diretamente as torcidas organizadas e tratar sua existência como um movimento popular que possui reivindicações próprias.
“A torcida organizada é feita no dia a dia. Colocar a torcida organizada no centro do debate nesses momentos de eleição é muito importante”, afirmou Caik.
Mateus Vetter completou a discussão a partir da experiência concreta de quem participa desse ambiente. Os convidados falaram da repressão policial, das proibições impostas às organizadas e da necessidade de que os próprios torcedores tenham liberdade para decidir sobre seus clubes e suas formas de organização.
A mudança de tema ajudou a dar à Superlive um ritmo bastante diferente do de uma programação puramente eleitoral. Entre uma discussão sobre censura e outra sobre política internacional, entravam futebol, episódios da campanha, perguntas do público e pequenas intervenções de candidatos espalhados pelo País.
Uma dessas participações foi a de Antonio Carlos Silva, vice na chapa presidencial do PCO, que apareceu já no fim de uma série de atividades realizadas por diferentes estados. Falando do Piauí e correndo para não perder um voo, Antonio Carlos fez uma breve saudação ao público e lembrou que a campanha havia percorrido mais de uma dezena de estados.
À noite, a programação montou seu maior painel. Rafael Machado retornou e, aos poucos, outros convidados foram entrando: João Sots, da Nova Resistência; Luan Monteiro, candidato do PCO ao governo do Rio de Janeiro; o comandante Robinson Farinazo, do canal Arte da Guerra; Rubão, do Geoforça Brasil; e Henrique Simonard, candidato do PCO a deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Foi uma mesa propositalmente heterogênea. Havia integrantes do PCO, nacionalistas de outras organizações, comunicadores e um analista militar. Em vários momentos, as divergências eram explicitamente reconhecidas pelos próprios participantes, sem que isso impedisse a discussão.
João Sots apresentou sua candidatura e comentou a aproximação que existe entre determinados militantes nacionalistas e o PCO. Luan Monteiro trouxe elementos da campanha no Rio de Janeiro e também falou sobre a repressão política. Rafael Machado retomou temas da primeira participação, enquanto Farinazo trouxe principalmente a questão da soberania nacional e da situação internacional.
O bloco chegou a ser transmitido simultaneamente pelo Arte da Guerra, levando a conversa também ao público do canal de Farinazo. Em seguida, Rubão entrou no ar e produziu um dos momentos mais explosivos de toda a programação.
Conhecido pelo estilo sem meias palavras, o apresentador do Geoforça Brasil fez uma intervenção indignada sobre a situação política do País, o Judiciário, os bancos e a submissão nacional. Sua participação elevou imediatamente o tom da conversa e provocou reações dos demais integrantes da mesa.
Apesar do caráter inflamado da intervenção, a transmissão evitou se transformar em uma sucessão interminável de discursos individuais. Henrique Simonard entrou pouco depois para falar brevemente da campanha no Rio de Janeiro e da recepção que os candidatos do PCO haviam encontrado entre trabalhadores nas ruas, estações e bairros populares.
No encerramento desse grande bloco, Rafael Machado fez uma comparação que resumiu a disposição de vários dos convidados presentes na transmissão. Para ele, organizações políticas pequenas estão enfrentando estruturas gigantescas e não podem medir seu trabalho apenas pelo resultado imediato da eleição.
“Nós somos formigas enfrentando gigantes. Não se decepcionem. A gente não tem dinheiro, a gente não tem recurso, mas a gente tem a capacidade de fazer um barulho, de chegar a algum lugar, de marcar uma posição, de avançar”, afirmou.
A reta final voltou-se para outro assunto diretamente relacionado à experiência da própria COTV durante as eleições: a imprensa.
Victor Assis, candidato do PCO ao governo de Pernambuco, editor do Diário Causa Operária e apresentador da Reunião de Pauta, entrou no ar para discutir a cobertura eleitoral. O ponto de partida foi o tratamento dado à candidatura de Izadora Dias por grandes veículos de comunicação, incluindo episódios em que seu nome não apareceu corretamente em listas de candidatos.
Pouco depois chegou o jornalista Leandro Fortes, do canal Galo Preto. Com uma longa passagem pela imprensa tradicional e por veículos alternativos, Fortes falou sobre sua experiência profissional e sobre os mecanismos utilizados pelos grandes monopólios para delimitar o que pode e o que não pode aparecer no debate público.
O jornalista lembrou que passou por veículos como Jornal do Brasil, O Globo e CartaCapital antes de desenvolver seu trabalho independente. Para ele, a concentração da imprensa e sua relação com os grandes interesses econômicos constituem um obstáculo decisivo para que posições realmente divergentes cheguem ao público.
Victor Assis complementou a discussão relatando a quase ausência de cobertura de sua candidatura em Pernambuco e comparando a situação com eleições anteriores, nas quais o PCO ainda conseguia participar de algumas entrevistas mais extensas. A campanha de 2026, segundo ele, tornou ainda mais evidente o cerco aos pequenos partidos.
A programação terminou apresentando um retrato da própria atividade desenvolvida pela Causa Operária TV: uma televisão política construída com programação ao vivo, debate, convidados, participação direta do público e disposição para discutir justamente os temas que a imprensa capitalista procura esconder, deformar ou simplesmente retirar de circulação.




