A indústria espacial iraniana está desenvolvendo satélites de observação terrestre capazes de produzir imagens com resolução de um metro ou inferior. O avanço foi anunciado na terça-feira (6) pelo presidente da Agência Espacial do Irã, Hasan Salarie, durante uma reunião sobre os projetos de desenvolvimento tecnológico do país.
Segundo Salarie, diversos equipamentos estão sendo projetados em cooperação com organismos estatais. Alguns já concluíram a etapa de desenvolvimento técnico e deverão entrar em fabricação nos próximos períodos. O objetivo é ampliar a capacidade do Irã de obter imagens detalhadas de seu território sem depender de fornecedores estrangeiros.
Os novos satélites permitirão identificar objetos e alterações relativamente pequenas na superfície terrestre. A tecnologia possui aplicações na agricultura, no acompanhamento dos recursos naturais, na elaboração de mapas e na avaliação dos danos provocados por enchentes, terremotos e outros desastres.
O dirigente explicou que o programa espacial iraniano prevê o desenvolvimento de aparelhos com diferentes níveis de precisão. As informações obtidas serão utilizadas por instituições públicas em atividades de planejamento, cartografia e desenvolvimento econômico.
A conquista tem importância especial para um país submetido há décadas às sanções dos Estados Unidos. Washington mantém restrições sobre equipamentos, componentes eletrônicos e tecnologias industriais que podem ser utilizados em atividades consideradas estratégicas.
O programa espacial exige conhecimento em diferentes ramos da indústria. A fabricação de um satélite envolve sistemas de comunicação, eletrônica, equipamentos ópticos, programas de controle, fontes de energia e componentes capazes de funcionar nas condições do espaço.
Desenvolver essas tecnologias dentro do próprio país permite reduzir a dependência de importações e ampliar a capacidade de produção industrial.
O Irã já realizou diferentes operações espaciais. Em dezembro de 2025, três satélites fabricados nacionalmente foram lançados a partir do cosmódromo russo de Vostochni: Zafar 2, Paya e Kowsar.
Os equipamentos possuem aplicações distintas, relacionadas ao sensoriamento remoto, à coleta de informações e à utilização de tecnologias de comunicação. O lançamento por uma instalação russa também demonstra a cooperação espacial estabelecida entre os dois países.
O desenvolvimento dessa colaboração ganhou importância com o aumento das pressões norte-americanas sobre Teerã e Moscou. Ambos os países enfrentam sanções e procuram ampliar suas relações econômicas e tecnológicas.
Apesar da participação russa nos lançamentos, os equipamentos enviados ao espaço em dezembro foram fabricados por instituições iranianas. O país também possui projetos próprios de veículos lançadores, estações terrestres e sistemas de controle.
Segundo Hasan Salarie, os dados transmitidos pelos satélites colocados anteriormente em órbita já começaram a ser distribuídos a organismos do governo. Entre os destinatários está o Centro Nacional de Cartografia, responsável por informações geográficas utilizadas no planejamento e na execução de projetos públicos.
O desenvolvimento de câmeras com resolução de um metro deverá melhorar a qualidade dessas informações. Imagens mais precisas permitem acompanhar mudanças nas plantações, identificar danos a instalações e produzir mapas com maior detalhamento.
A tecnologia também possui aplicações militares, razão pela qual os Estados Unidos procuram restringir o acesso de países adversários a equipamentos espaciais avançados. Sistemas de observação podem ser utilizados para acompanhar movimentações de veículos, alterações em instalações e outras atividades na superfície.
Para o Irã, possuir capacidade própria de observação representa uma forma de diminuir a vulnerabilidade diante do bloqueio tecnológico imposto pelo imperialismo.
A República Islâmica construiu sua indústria espacial mediante investimentos em universidades, centros de pesquisa e empresas nacionais. Mesmo com as dificuldades para importar determinados equipamentos, o país conseguiu desenvolver tecnologias de fabricação, lançamento e operação de satélites.
O novo anúncio não significa que os equipamentos de resolução métrica já estejam funcionando em órbita. Salarie informou que parte deles terminou a fase de projeto e deverá iniciar a fabricação. Os testes e futuros lançamentos ainda precisarão ser realizados.
A Agência Espacial iraniana pretende incorporar os novos satélites aos sistemas nacionais de observação, ampliando os dados disponíveis para instituições públicas. O desenvolvimento faz parte de um programa de longo prazo para consolidar a autonomia tecnológica do país num setor estratégico da indústria moderna.





