O MintPress News denunciou, em texto publicado pelo próprio veículo, que a plataforma Indiegogo encerrou sua campanha de arrecadação e se recusou a liberar mais de US$51.000,00 em doações feitas por leitores para manter o jornal funcionando. Segundo o portal, a empresa alegou que o projeto “não atendeu às diretrizes”, mas só comunicou essa decisão quase três meses após o término da campanha, quando o veículo tentava acessar o repasse desde outubro.
De acordo com o MintPress News, a empresa afirma que as doações serão devolvidas aos apoiadores. O portal, porém, sustenta que o bloqueio já produziu prejuízo imediato, pois o dinheiro era destinado à manutenção cotidiana do veículo e sua ausência compromete o funcionamento da redação. O jornal afirma ainda que não se trata de um episódio isolado: antes disso, foi impedido de operar por meio da GoFundMe e do PayPal.
Pressão política e censura
Reportagem do MintPress News sobre o caso aponta que os bloqueios estão associados a pressões políticas contra seu trabalho jornalístico, que denuncia ações de aparatos militares e de inteligência imperialistas. O portal diz basear essa suspeita em mensagens internas vazadas e afirma que a ofensiva envolve agentes pró-sionistas e a inteligência britânica, levantando a hipótese de interferência de governos e redes políticas em plataformas financeiras privadas.
O veículo também chama atenção para a direção da Indiegogo. O portal denuncia que o diretor-presidente e cofundador da empresa, Slava Rubin, é um sionista conservador e cita declarações públicas do executivo em 2015, quando ele disse ser “um grande fã” de “Israel” e ter visitado o país diversas vezes. O MintPress News afirma ainda que, após 7 de outubro e a nova fase do genocídio de “Israel” contra Gaza, Rubin manifestou apoio público à política do Estado sionista sob o pretexto de “combate ao terrorismo”.
Dois pesos e duas medidas
No mesmo texto, o MintPress News afirma que, enquanto sua campanha foi bloqueada, a Indiegogo permitiu iniciativas pró-“Israel” fascistas seguirem ativas. O portal cita como exemplo uma campanha de 2014 do Temple Institute, organização kahanista e sediada em Jerusalém, que arrecadou mais de US$100.000,00 para concluir “planos arquitetônicos” de construção de um “Terceiro Templo” no local da Mesquita de Al-Aqsa, plano que implica a destruição de um dos principais locais sagrados do islamismo.
O precedente do WikiLeaks
O MintPress News compara o caso ao bloqueio financeiro imposto ao WikiLeaks após a divulgação de crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos. Na avaliação do portal, a operação não se deu por decisão judicial, mas pelo estrangulamento econômico via empresas de pagamento e bancos, método que passou a servir de modelo para calar veículos independentes por meio da interrupção de receitas e doações.
Investigação independente
No texto, o portal afirma atuar há 14 anos com foco em denúncias envolvendo redes militares, serviços de inteligência, vigilância e repressão. Entre exemplos citados, menciona reportagens sobre Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell e sua ligação com redes de poder no Vale do Silício, bem como denúncias sobre listas automatizadas de alvos e o uso de ferramentas de inteligência na guerra em Gaza. O veículo também afirma ter publicado, no último ano, material sobre ex-integrantes da Unidade 8200 inseridos em empresas de tecnologia e instituições de comunicação.
O fundador do MintPress News se apresenta como jornalista palestino-norte-americano e afirma ter vivido sob ocupação sionista. Ao fim do texto, o veículo declara que não recua diante da pressão e faz um apelo para que leitores contribuam diretamente por meio de seu próprio sítio, alegando que a sobrevivência do jornal depende integralmente de apoio do público.
Indiegogo Withholds $51K In Donations From MintPress in Financial Censorship Crackdown




