O artigo Como Israel perdeu seu rumo, e como Trump pode salvar o Líbano, de Thomas L. Friedman, publicado na Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (23), é apenas mais uma peça de propaganda pseudo-humanista do Estado sionista.
Friedman, que é editorialista do The New York Times, incia seu texto dizendo que “se você está procurando duas imagens que resumam aonde a estratégia geopolítica de Israel sob o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu levou o país, não poderia encontrar nada melhor do que algumas fotos publicadas no fim de semana na imprensa israelense”.
A primeira foto, que circulou como um furacão pelas redes sociais, “é uma fotografia de um soldado israelense usando uma marreta para destruir uma estátua de Jesus em Debel, uma vila cristã maronita no sul do Líbano, a poucos quilômetros ao norte da fronteira israelense”. Como diz o autor, a primeira coisa que tentaram dizer é que se tratava de uma imagem gerada por inteligência artificial, o que está descartado.
Segundo Lazar Berman, do Times of Israel, se trata de “uma imagem que aponta para um profundo pântano moral nas Forças Armadas e na sociedade israelense”, mas apenas os incautos acreditam que exista algum tipo de moralidade no exército “israelense”. Para quem mata um prisioneiro introduzindo o cano de uma fuzil em seu reto e perfurando seu intestino, a palavra moralidade sequer consta no dicionário.
“A segunda é uma foto no Haaretz” diz Friedman, e “é de um grupo de ministros israelenses de direita radiantes enquanto inauguravam um assentamento recém-restabelecido, Sa-Nur, no norte da Cisjordânia. É um dos quatro assentamentos israelenses isolados implantados na região que está sob autoridade civil e de segurança palestina”.
“A ideia por trás desses assentamentos”, nem seria preciso explicar, “é tornar impossível que um Estado palestino contíguo seja estabelecido”. Isso é para quem tem ilusões nos “acordos” que os sionistas assinam e depois acusam os palestinos de não cumprirem.
“Por que essas duas fotos são tão reveladoras?”, pergunta Friedman de forma retórica, para logo responder que “elas são as representações perfeitas da estratégia de Netanyahu hoje (…): enfrentar cada ameaça ao seu redor esmagando-a com uma marreta”. Então, é preciso fazer outras perguntas: como era antes de Benjamin Netaniahu, era melhor? Quem roubou as terras dos palestinos antes desse fascista subir ao pode? Foram outros fascistas.
Quando Netaniahu for substituído, a política com relação à Palestina será exatamente a mesma. Isso apenas reforça que a única saída para os palestinos é se levantarem em armas contra o Estado genocida de “Israel”.
O jornalista argumenta que, para “Israel” consolidar “quaisquer ganhos estratégicos, precisa estar pelo menos tentando produzir uma solução de dois Estados com a Autoridade Palestina”. Mas a tal solução de dois Estados é uma fraude. Foi isso que fez a ONU em 1948, e tanto o imperialismo quanto os sionistas sabiam que isso era uma farsa. Estes sempre defenderam a fundação de um Estado próprio onde estava a Palestina. “Israel” não aceitou a proposta e tomou 70% do território palestino e mais a cidade de Jerusalém, que deveria pertencer à Palestina.
Os sionistas, desde 1948, impedem a criação da Palestina. A “solução de dois Estados” é apenas uma cortina de fumaça para que, enquanto se negocia, continua-se a construir assentamentos e mais assentamentos.
A única solução para a Palestina, como foi definida pela Quarta Internacional, é a libertação do país das garras do imperialismo, e a criação de um Estado onde os judeus poderiam viver como minoria religiosa, como já acontece em qualquer país do mundo. Não faz sentido os judeus na Palestina terem um status diferente.
Friedman diz que não seria fácil construir os dois Estados. Sua conclusão “genial” é achar que “os palestinos têm uma liderança envelhecida e corrupta que precisa ser substituída, energizada e reformada”. E não apenas isso, afirma que “têm muito a responder por si mesmos por seu próprio sofrimento”. Chega a ser um insulto alguém proferir tamanha excrescência, colocar a culpa na vítima é atingir o fundo do poço.
O jornalista sionista nem deveria falar de liderança corrupta, pois nesse quesito os sionistas são imbatíveis. Quem corrompeu a Autoridade Palestina senão os ultra corruptos governos israelenses?
Embora o Irã não tenha atacado um país deliberadamente pelo menos nos últimos 200 anos, o editorialista do NYT diz acreditar que “o Irã e seus representantes representam uma ameaça letal a Israel que não poderia ser ignorada”, o que justifica a guerra de agressão. Há mais de trinta anos que Netaniahu diz que os iranianos estão a 30 dias de construírem uma bomba atômica, até virou piada.
Essas falas reiteradas nunca foram sem propósito, serviam como cobertura para os israelenses atacarem o Irã de “forma preventiva”. Porém, os iranianos são muito mais inteligentes que os sionistas, se preparam durante décadas para o confronto inevitável, e mostraram para o mundo sua superioridade.
O Estado de “Israel” é completamente dependente dos Estados Unidos. Nesta guerra, não poderia dar um único passo sem a ajuda norte-americana. É por isso que, como menciona Friedman, democratas centristas nos Estados Unidos cada vez mais“se opõem à ajuda militar subsidiada dos EUA a Israel e questionam seu status ‘especial’”.
Segundo o editorialista, “é claro que o governo israelense e o comando do Exército condenaram o soldado que destruiu a estátua de Jesus no sul do Líbano e puniram os envolvidos. De fato, reconhecendo que desastre de relações públicas foi, Israel correu para substituir a estátua”.
O governo israelense não condena soldados por assassinarem crianças, por estuprarem prisioneiros, por atirarem bombas sobre escolas de crianças e hospitais, mas condenam por destruírem uma estátua? Quem vai levar isso a sério?
Em vez de repor uma estátua, por que não repõem os prédios e vilas inteiras demolidos por bombas? Os sionistas só estão fazendo esse teatro porque manchou ainda mais a imagem putrefata daquele “país”.
Como todo bom sionista, Friedman prega o desarmamento do Hesbolá, mente que os libaneses os odeiam, e quer a OTAN fortemente armada no sul do Líbano para retirar dali os israelenses e trabalhar em parceria com o exército libanês. É uma ótima piada.
“Israel pode confiar na Otan”, diz Friedman, e isso é verdade; mas ninguém mais o pode, muito menos os libaneses, que, se permitirem essa loucura, terão que lutar desta vez contra dois exércitos.





