O artigo de Célia Parnes, O antissemitismo perdeu o constrangimento, publicado no sítio Poder360 neste domingo (12), é o retrato de que o sionismo está em uma ofensiva tentando minimizar o estrago que o genocídio na Faixa de Gaza, o bombardeio da escola de meninas em Minad, no sul do Irã, bem como as violações de cessar-fogo contra o Líbano produziram e continuam produzindo.
Seu primeiro parágrafo diz que “após o fim da 2ª Guerra Mundial, consolidou-se, nas democracias ocidentais, um consenso moral relativamente claro: a hostilidade aberta contra judeus carregava um custo elevado. O preconceito nunca desapareceu, mas tornava-se politicamente incorreto e socialmente tóxico”.
Chama a atenção que Parnes tente jogar novamente a carta do Holocausto, cada vez mais gasta. Já se passaram mais de 80 anos desde o fim da Guerra, ninguém se lembra disso. No entanto, o holocausto palestino (se é que se pode chamar assim), está acontecendo neste momento. Para a maioria das pessoas, incluindo judeus, é inaceitável que pessoas que teriam passado por um massacre, pratique o mesmo com outro povo.
A resposta para essa questão é razoavelmente simples: os sionistas se apropriaram do Holocausto para acobertarem seus crimes e, na verdade, eles não têm relação com os judeus que sofreram nas mãos dos nazistas. Nada de bom se pode esperar de uma gente que bombardeou e destruiu a sinagoga Rafi-Nia, localizada em Teerã, capital do Irã?
A articulista que até pouco tempo se evitava uma linguagem conta os judeus, mas afirma que “o que se observa hoje sugere uma mudança radical de atmosfera” e que “correntes ideológicas diversas encontram um estranho ponto de convergência. Tanto movimentos nacionalistas quanto setores da esquerda radicalizada se alinham na perda do pudor”. No entanto, Parnes, propositadamente confunde judeu com sionista.
Manobras
Além de equiparar sionismo e judaísmo, Parnes apela para outro truque, diz que “quando representantes eleitos ou ativistas transmitem ódio sem enfrentar contestação proporcional, ocorre algo ainda mais profundo do que aumento de atos de intolerância: o limite do aceitável desloca-se gradualmente, e o custo reputacional desaparece”. Desta vez, a crítica vira “ódio”, “intolerância”.
Para reforçar seu ponto, a autor diz que “a memória oferece advertências sobre esse tipo de desenvolvimento”; o problema, no entanto, é que recorrer à memória não é bom caminho, pois o que está fresco na memória de todos são as atrocidades cometidas por “Israel”.
“O antissemitismo”, diz Célia Parnes, “raramente se apresenta primeiro na forma de violência organizada. Ele costuma aparecer antes como menções toleradas – generalizações abstratas, alusões conspiratórias e acusações coletivas relacionadas a crises econômicas”, e são essas coisas vagas, abstratas, que querem tornar crime, sendo que no Direito o crime tem que ser objetivo, ou pessoas acusadas ficarão à mercê da interpretação dos juízes.
Segundo a articulista, “aos poucos, aquilo que começa como retórica passa a moldar percepções mais amplas, sobretudo quando encontra terreno fértil na desinformação factual e no desconhecimento”. É uma fala curiosa, pois o imperialismo e, portanto, o sionismo, estão lutando para o aumento da desinformação, querem censurar as redes, onde são divulgados milhões de vídeos com os crimes que os palestinos têm sido vítimas, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia.
O texto é uma choradeira, fica o tempo todo tentando retomar o passado. Em seguida começa a utilizar uma série termos em inglês como new hate, mainstreaming of hate, toxic mainstreaming etc. Essa é uma técnica utilizada pelos identitários para criarem novos crimes e penalizações. É como as “fake news”, o mesmo que mentiras e notícias falsas, que viraram crimes pela ação do STF, que acha por bem legislar no lugar do Congresso. Depois, o “discurso de ódio”, “transfobias”; agora, a “misoginia”. Toda hora uma novidade
Como a articulista escreve, “o new hate nomeia uma mutação: não exatamente um preconceito novo, mas uma transformação na verbalização que o torna socialmente aceitável”. E utiliza isso para sustentar que “É sob esse enquadramento que se manifesta a demonização de Israel, a deslegitimação do direito de autodeterminação judaica e a aplicação de padrões morais que não são exigidos de nenhum outro país”. Uma proposição absurda que tem conexão com a proposta pró-sionistas da deputada Tabata Amaral (PSB).
“Israel” não pode reivindicar autodeterminação porque se trata de uma força colonial invasora que oprime o povo palestino, de quem tem roubado as terras sistematicamente. Criticar os crimes desse Estado genocida não é demonizar.
Os padrões morais exigidos a “Israel” são se aplicam a qualquer país. Quem cometer genocídio, limpeza étnica, guerras de agressão, apartheid, será criticado. Porém, existem crimes que apenas os sionistas estão cometendo, de modo que não se pode exigir padrão moral de outro país que não bombardeie mulheres e crianças na Faixa de Gaza, submeta os palestinos da Cisjordânia a um tratamento desumano.
Desespero
Esse artigo e Célia Parnes – presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo e secretária-geral da CONIB (Confederação Israelita do Brasil) –, é a demonstração que o sionismo está em desespero, pois perdeu a batalha da propaganda, na qual investiu décadas e bilhões de dólares.
Desde a Guerra do Líbano, quando ficou claro que os israelenses queriam ocupar o Líbano, caiu a máscara da autodeterminação. O massacre de Sabra e Chatila foi um grande golpe na imagem do Estado que se vendia como a pequena democracia valente cercada por ditaduras de todos os lados.
Foi assim, com o mundo assistindo quem era “Israel” nos anos 1980, que nasceu a necessidade de uma ampla campanha mundial para cooptar políticos, jornalistas etc., para limpar o sangue da imagem daquele país.
Até a operação Dilúvio de Al-Aqsa, em 7 de outubro de 2023, o sionismo vinha conseguindo um relativo sucesso, porém, o massacre preferencialmente de civis, a crueldade de soldados invadindo casas, vestindo roupas de mulheres para zombar. As inúmeras cenas de crianças famintas, mortas ou mutiladas, povoaram as redes sociais.
É impossível apagar o que já foi visto. No entanto, o imperialismo está trabalhando para censurar as redes, para que o mínimo de pessoas vejam. E trabalha também tentando criminalizar, colocar na cadeia, quem critique os sionistas ou exponham seus crimes.





