PCO nas eleições

Rui Pimenta encerra turnê de viagens com ato no Recife nesta quarta

Candidato do PCO fecha série de viagens pelo País com dois atos na capital pernambucana após uma campanha marcada por mobilizações e forte crise política

Rui Costa Pimenta, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República, encerra nesta quarta-feira (30), no Recife, a série de viagens realizada durante a campanha eleitoral. A programação começa às 18 horas, com um ato de solidariedade aos perseguidos pelo sionismo, pelo Estado e pelo latifúndio, promovido pela Articulação Norte-Nordeste Palestina Livre.

Às 19 horas, começa o ato Rui Presidente, organizado pelo PCO. Rui falará ao lado de Victor Assis, candidato do Partido ao governo de Pernambuco. Também estarão presentes os candidatos do PCO a deputado federal e estadual.

A atividade no Recife encerra uma campanha nacional que levou Rui a diferentes regiões do País desde agosto. O candidato passou pelo Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Dourados e São Paulo, além de participar de entrevistas, debates e outras atividades públicas. O roteiro originalmente anunciado pelo Partido previa ainda outras cidades e sofreu mudanças ao longo das semanas.

As viagens tiveram uma característica comum: reunir a candidatura presidencial com os candidatos estaduais e desenvolver o trabalho político do Partido em cada região. Em vez de limitar a campanha à propaganda eleitoral e às aparições nos grandes meios de comunicação, onde o PCO está praticamente vetado pelos monopólios que manipulam os eleitores, o Partido concentrou boa parte de sua atividade em atos, sindicatos, manifestações e encontros com setores em luta.

Em Porto Alegre, Rui participou do lançamento das candidaturas gaúchas no Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre e realizou da capital gaúcha a Análise Política da Semana. A atividade ocorreu depois de passagens pelo Rio de Janeiro e por Brasília e abriu a sequência mais intensa de viagens pelo País.

Uma semana depois, Rui esteve em Belo Horizonte. A passagem por Minas Gerais coincidiu com o agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal. O candidato dedicou parte importante de suas intervenções ao assunto, apresentando a posição do PCO de que os acontecimentos no STF expressavam uma crise mais ampla do regime político brasileiro. Essa avaliação foi repetida por Rui durante diferentes etapas da campanha.

A atividade mais singular da turnê ocorreu no Mato Grosso do Sul. Em Dourados, Rui participou do lançamento das candidaturas do Partido junto a índios guarani-caiuá, terena e cadiué, com a presença de moradores de aldeias e retomadas. Mais de 200 pessoas compareceram apesar da forte chuva e das dificuldades enfrentadas pelas delegações que precisaram percorrer estradas de terra. A luta pela terra, a autodemarcação e os ataques sofridos pelas comunidades ocuparam o centro do ato.

A passagem pelo Mato Grosso do Sul sintetizou um dos aspectos que o PCO procurou dar à campanha. O lançamento eleitoral foi realizado dentro de uma aldeia e diretamente ligado a uma luta que não começou com a eleição nem terminará com ela. Rui utilizou a atividade para defender as posições do Partido sobre a questão da terra e sobre o direito de defesa das comunidades.

A sequência nacional desembocou no grande ato Rui Presidente realizado no domingo (27), em São Paulo. Mais de 2 mil pessoas participaram da concentração na Praça Oswaldo Cruz e da passeata que seguiu pela Rua Treze de Maio até o Bixiga. Delegações vieram do Amazonas, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Distrito Federal, Goiás, Pernambuco, Bahia, Ceará, Santa Catarina e de cidades do interior paulista.

A mobilização reuniu em São Paulo uma parte expressiva do trabalho desenvolvido pelos militantes nos estados. Dias antes, Victor Assis já havia afirmado ao DCO que, na avaliação do Partido, a campanha vinha obtendo resultados políticos importantes apesar dos obstáculos enfrentados. O candidato pernambucano citou dificuldades com recursos eleitorais e a exclusão de candidatos do PCO de debates e de parte da cobertura eleitoral.

No ato nacional, Rui voltou a apresentar algumas das principais propostas defendidas pelo PCO durante a eleição: aumento do salário mínimo, suspensão do pagamento da dívida pública, estatização dos bancos e recuperação das empresas privatizadas. Ao fim da manifestação, afirmou que o período eleitoral havia confirmado, em sua avaliação, o esgotamento do regime político e a necessidade de soluções mais radicais.

A campanha se desenvolveu justamente quando a disputa dentro das instituições do Estado assumiu proporções incomuns. O caso Banco Master aprofundou o conflito dentro do STF e passou a ocupar uma parcela crescente do debate político nacional. Rui tratou repetidamente do assunto durante suas viagens e entrevistas, relacionando a crise do Supremo a uma crise mais geral das instituições do regime.

Ao mesmo tempo, o próprio Partido enfrentou uma operação da Polícia Filial. Em 11 de agosto, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Rui Costa Pimenta e em um escritório ligado ao PCO. O Partido classificou a medida como uma clara perseguição política e levou a denúncia às ruas durante a campanha.

É diante dessa combinação que o PCO apresenta um balanço positivo da campanha. A candidatura percorreu vários estados, promoveu lançamentos regionais, realizou atos próprios e conseguiu reunir mais de 2 mil pessoas na principal manifestação nacional da reta final, a única de um partido político nestas eleições. Esses resultados são demonstração de que a campanha conseguiu desenvolver uma atividade política própria mesmo enfrentando dificuldades eleitorais e uma situação de forte turbulência institucional.

O encerramento no Recife mantém a mesma orientação. Antes do ato propriamente eleitoral, Rui participará de uma manifestação de solidariedade aos perseguidos pelo sionismo, pelo Estado e pelo latifúndio. A atividade coloca lado a lado três temas presentes no trabalho político desenvolvido pelo Partido: a defesa da Palestina, a denúncia da repressão estatal e a luta pela terra.

Depois, às 19 horas, Rui sobe ao ato Rui Presidente acompanhado de Victor Assis e dos demais candidatos do PCO em Pernambuco. A passagem pela capital pernambucana fecha a série de viagens que atravessou praticamente toda a campanha presidencial e que serviu para colocar o programa do PCO nas ruas em um período de profunda crise política.

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