Oriente Médio

Povo libanês recebe combatentes do Hesbolá como heróis de guerra

No sul, moradores cruzavam regiões devastadas pelos ataques israelenses; em Beirute, o subúrbio sul voltou a encher de carros, buzinas e manifestações de alegria

A entrada em vigor da trégua de 10 dias no Líbano, na madrugada de 17 de abril, foi marcada por uma cena que resume o resultado político e militar de mais de um mês de combates: milhares de libaneses voltaram às suas casas e receberam os combatentes do Hesbolá como verdadeiros heróis de guerra, após 45 dias de resistência à ofensiva israelense.

As estradas em direção ao sul do Líbano e ao subúrbio sul de Beirute ficaram lotadas logo nas primeiras horas do cessar-fogo. Comboios de carros e ônibus carregavam famílias deslocadas de volta às aldeias e bairros atingidos pelos bombardeios. Mesmo em meio à destruição de pontes, casas e infraestrutura civil, a população começou imediatamente o retorno, numa demonstração de que a agressão sionista fracassou em quebrar a moral do povo libanês.

O movimento de volta para casa ganhou força cerca de uma hora depois da entrada em vigor da trégua. No sul, moradores cruzavam regiões devastadas pelos ataques israelenses; em Beirute, o subúrbio sul voltou a encher de carros, buzinas e manifestações de alegria.

Ao fazer um balanço dos 45 dias de combate, o Hesbolá afirmou ter realizado 2.184 operações militares, uma média de 49 por dia, contra posições, quartéis, bases e assentamentos israelenses. Segundo a organização, seus ataques alcançaram áreas profundas do território palestino ocupado, inclusive regiões para além de Telavive, utilizando foguetes, mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs). O partido libanês definiu seu esforço como uma batalha travada em defesa do Líbano, de seu povo e de sua soberania diante da máquina de guerra sionista.

A própria formulação do grupo aponta o sentido político da trégua: não se trataria de uma concessão a “Israel”, mas de uma pausa imposta pela firmeza da resistência e pela pressão regional exercida pelo Irã. Parlamentares do bloco Lealdade à Resistência disseram que o acordo foi alcançado graças a uma “pressão iraniana clara”. O deputado Hussein al-Hajj Hassan afirmou que as comunicações entre o Irã e outros governos da região tiveram papel decisivo. Já Hassan Fadlallah declarou que o embaixador iraniano em Beirute havia informado previamente às autoridades libanesas sobre o início do cessar-fogo e que este era resultado direto dos esforços diplomáticos iranianos.

De acordo com fontes militares iranianas citadas pela imprensa regional, o Irã esteve diversas vezes perto de retomar operações militares próprias diante da continuidade dos ataques israelenses. O Irã teria suspendido ataques com mísseis em troca de promessas de cessar-fogo, enquanto “Israel” mantinha sua agressão. Diante disso, um ultimato definitivo teria sido estabelecido na quarta-feira (15) à noite. A combinação entre essa pressão e a resistência armada do Hesbolá no terreno acabou forçando o inimigo a recuar.

Mas, como já era esperado, “Israel” começou a violar o acordo quase imediatamente. Cerca de meia hora depois do início da trégua, a agência oficial libanesa informou que os bombardeios contra as cidades de Khiam e Dibbine continuavam. Também foram registradas atividades intensas de VANTs israelenses em outras áreas do país. O Hesbolá respondeu com um comunicado alertando a população a ter cautela e a não retornar imediatamente a todas as zonas atingidas, justamente porque o inimigo tem longa tradição de descumprir pactos e atacar civis mesmo em momentos de trégua.

Ainda assim, a população voltou. Depois de semanas de massacres, destruição e deslocamento forçado, milhares de libaneses escolheram regressar às suas terras e bairros não sob bandeiras do governo golpista do Líbano, mas sob o prestígio conquistado pela resistência. Num momento em que setores ligados ao imperialismo defendem negociações diretas com “Israel” e até mesmo o desarmamento do Hesbolá, a resposta popular foi de sentido oposto: a resistência aparece, para amplos setores do povo, como a força que realmente defendeu o país.

Essa percepção foi reforçada por declarações de dirigentes da própria resistência. Al-Hajj Hassan destacou que “Israel” não conseguiu alcançar seus objetivos declarados e que cidades estratégicas como Bint Jbeil e Khiam não caíram sob controle israelense. Em outras palavras, apesar da brutalidade do ataque e da destruição causada, Telavive fracassou em esmagar o Hesbolá e em submeter o sul do Líbano à ocupação direta. O povo libanês, ao receber os combatentes como heróis, dá forma concreta a essa avaliação.

A reação de outras forças da região apontou no mesmo sentido. O Ansar Alá, do Iêmen, saudou o cessar-fogo como uma vitória histórica do Hesbolá e do povo libanês. Organizações palestinas, entre elas o Hamas e os Comitês de Resistência Popular, também afirmaram que o acordo demonstra a incapacidade de “Israel” de impor sua vontade pela força. Para esses grupos, a unidade entre Líbano, Palestina, Irã, Iêmen e Iraque foi decisiva para deter a ofensiva do inimigo.

Mesmo dentro de “Israel”, setores da extrema direita e representantes dos assentamentos reagiram com fúria ao cessar-fogo, classificando-o como uma rendição diante do Irã. A irritação desses setores revela o essencial: a guerra não produziu a vitória prometida pelo regime sionista.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.