América Latina

Povo cubano toma as ruas em defesa de Raúl Castro e da revolução

Milhares de cubanos se concentraram na Tribuna Anti-imperialista José Martí contra a tentativa dos EUA de processar o líder da Revolução Cubana

Milhares de cubanos tomaram as ruas de Havana nesta sexta-feira (22) para defender o líder da Revolução Cubana, Raúl Castro Ruz, alvo de uma nova ofensiva judicial dos Estados Unidos. A concentração ocorreu na Tribuna Anti-imperialista José Martí e foi liderada pelo presidente Miguel Díaz-Canel, ao lado de dirigentes do Partido Comunista de Cuba (PCC), do Estado cubano, de organizações juvenis, estudantis e de massa.

O ato foi convocado depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou, na quarta-feira (20), uma acusação contra Raúl Castro por supostos crimes de assassinato, conspiração para matar cidadãos norte-americanos e destruição de duas aeronaves. A acusação se refere ao abatimento, há 30 anos, de duas avionetas da organização imperialista Hermanos al Rescate.

O governo cubano denuncia a acusação como uma manobra política do governo de Donald Trump. Para Cuba, os Estados Unidos manipulam os fatos de 1996 para justificar uma nova agressão contra a ilha. As aeronaves haviam violado reiteradamente o espaço aéreo do país, a resposta ocorreu em legítima defesa.

Díaz-Canel havia convocado a mobilização por meio de suas redes sociais. “Não se desrespeita os heróis da Pátria; não se ofendem a história e as tradições sem resposta. Não em Cuba”, afirmou o presidente cubano. Em outra mensagem, declarou: “o General de Exército é Cuba, e Cuba exige respeito. Nos vemos na Tribuna Anti-imperialista”.

A mobilização ocorreu também nas atividades pelos 95 anos de Raúl Castro, que serão completados em 3 de junho. Militantes da União de Jovens Comunistas, estudantes e trabalhadores carregaram bandeiras cubanas e do Movimento 26 de Julho em defesa da revolução, contra o bloqueio econômico e contra o cerco energético imposto pelos Estados Unidos.

A primeira secretária da União de Jovens Comunistas, Meyvis Estévez, declarou à agência Prensa Latina que a concentração foi convocada pela defesa da soberania cubana. “Convoca-nos a dignidade de Cuba, o direito à nossa autonomia e a honra de ser uma geração formada sob o legado de Fidel e Raúl”, afirmou.

Segundo Estévez, a mobilização denunciou a “infame acusação” contra Raúl Castro, além do bloqueio e do cerco energético impostos pelos Estados Unidos. “Defendemos a revolução, o socialismo e esta pátria”, declarou.

O ato contou com a presença do presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Esteban Lazo; do primeiro-ministro Manuel Marrero; do secretário de Organização do PCC, Roberto Morales; e do Comandante do Exército Rebelde, José Ramón Machado.

Durante a concentração, foi lida uma mensagem de Raúl Castro ao povo cubano. O líder revolucionário agradeceu “de coração a solidariedade de nosso povo e dos amigos do mundo” e afirmou que, enquanto viver, seguirá marchando à frente do povo cubano em defesa da Revolução.

O texto foi lido por Gerardo Hernández Nordelo, Herói da República de Cuba e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR). Hernández, que integrou o grupo dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos, afirmou que a resposta de Cuba às violações de seu espaço aéreo pela organização Hermanos al Rescate foi “um ato de legítima defesa, um direito inalienável de qualquer nação”.

Hernández lembrou que Cuba denunciou, entre 1994 e 1996, mais de 25 violações de seu espaço aéreo e enviou alertas aos Estados Unidos sobre as possíveis consequências dessas provocações. Para o dirigente cubano, a acusação norte-americana carece de qualquer autoridade moral.

O jovem jurista Rolando López também se pronunciou no ato. Ele classificou a acusação dos Estados Unidos contra Raúl Castro como “absolutamente fraudulenta e ilegítima” e destacou que a Convenção de Chicago de 1944 estabelece a soberania exclusiva dos Estados sobre seu espaço aéreo.

López denunciou que os Estados Unidos tentam deturpar fatos históricos provados e amplamente documentados. Segundo ele, as violações foram denunciadas formalmente pelo governo cubano às autoridades norte-americanas antes do episódio usado agora pelo Departamento de Justiça.

A mobilização também deu voz a familiares de vítimas do terrorismo organizado contra Cuba a partir dos Estados Unidos. Betina Palenzuela, filha de Adriana Corcho, assassinada no atentado contra a sede diplomática cubana em Lisboa em 1976, falou em nome dos familiares de mais de 3.000 cubanos assassinados por ações terroristas organizadas ou financiadas a partir de território norte-americano.

“Raúl dedicou toda a sua vida a defender a soberania de Cuba e a paz entre as nações. Não podemos seguir permitindo o genocídio que se gesta desde Washington”, afirmou Palenzuela.

Ela lembrou que mais de 67 anos de agressões, invasões mercenárias, sabotagens, atentados contra sedes cubanas no exterior e bloqueio econômico custaram a vida de mais de 3.400 cubanos vítimas do terrorismo.

A convocação divulgada em Cuba destacou que “nem ameaças, nem bloqueio, nem cerco energético, nem falsas acusações serão capazes de dobrar a vontade de todo um povo em defesa de sua Revolução”.

O caso de 1996 é usado há décadas pelo imperialismo norte-americano contra Cuba. A versão apresentada agora pelo Departamento de Justiça omite as repetidas violações do espaço aéreo cubano e a atuação da Hermanos al Rescate, organização formada por setores contrarrevolucionários sediados nos Estados Unidos.

Para o governo cubano, a nova acusação faz parte da mesma política de bloqueio, sabotagem e pressão contra a ilha.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.