Na noite de sábado (25), cerca de 80 famílias guarani-caiouá realizaram a retomada da Fazenda Limoeiro. O latifúndio está dentro dos limites da Terra Indígena Limão Verde e é reivindicado como área de uso tradicional das famílias que foram expulsas por meio da violência do Estado e do latifúndio.
A Terra Indígena Limão Verde possui 690 hectares, onde vivem espremidos cerca de 2.084 índios. Esses pequenos espaços onde estão alocadas essas famílias não permitem nenhuma atividade econômica devido às pequenas dimensões e forçam os índios a trabalharem nas fazendas vizinhas ou a serem estimulados pelo Estado de Mato Grosso do Sul a se deslocarem para outros estados para colher maçã ou realizar outras atividades agrícolas em péssimas condições de trabalho, muitas vezes com denúncias de trabalho escravo.
Foi diante dessa situação e do fato de suas terras terem sido griladas por latifundiários décadas atrás que as famílias se organizaram para realizar a retomada do latifúndio da Fazenda Limoeiro, a fim de conseguir alguma atividade econômica para melhorar suas condições de vida.
Pistoleiros e PM atacam retomada sob ordens do governo do Estado
Logo nas primeiras horas da manhã de domingo (26), dezenas de viaturas e policiais fortemente armados, sem nenhuma autorização judicial e de maneira completamente ilegal, invadiram a retomada e iniciaram um despejo violento e uma caça a integrantes da retomada que tentavam resistir à violência policial e à expulsão de suas terras.
As imagens são aterrorizantes, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra crianças e mulheres, que correm para não serem atingidas, muito menos presas e torturadas nas viaturas ou nas delegacias.
A ação criminosa da polícia e do governo do Estado resultou em cinco índios presos e na expulsão dos guarani-caiouá da Fazenda Limoeiro. Também provocou muito terror dentro da comunidade, devido às perseguições, às invasões de residências dos índios e à violência contra os índios encontrados no caminho da polícia.
Comunidade se organiza e retoma novamente a Fazenda Limoeiro
Diante das prisões e da violência da polícia, a comunidade guarani-caiouá da Aldeia Limão Verde e outras comunidades dos municípios de Amambai, Coronel Sapucaia e outros municípios do entorno começaram a se deslocar para o local do despejo e, de maneira muito combativa e corajosa, realizaram uma nova retomada, ainda mais forte e com mais índios. É importante ressaltar que essa nova retomada foi organizada principalmente pelas mulheres dos presos e das pessoas que foram agredidas pela polícia.
Os despejos ilegais são recorrentes, pois o governo de Mato Grosso do Sul é um dos mais violentos contra os índios no Brasil e realiza mais uma operação ilegal e criminosa contra os direitos dos índios, colocando em prática, com o silêncio da esquerda do Estado, uma política de perseguição e despejos ilegais.
É urgente denunciar essa situação de retirada dos direitos do povo guarani-caiouá em favor de latifundiários e grileiros de terra, com o silêncio dos órgãos governamentais, como o Ministério dos Povos Indígenas, o Ministério da Justiça e o Ministério dos Direitos Humanos.
Os guarani-caiouá mostram como lutar e demarcar suas terras com mobilização e autodemarcação diante da paralisia do Governo Federal e das entidades de esquerda.
Veja os vídeos abaixo:





