Entre os dias 16 e 19 de julho, a Aty Guasu — a grande assembleia do povo guarani e caiouá — realiza o Encontro de Professores Índios, em Mato Grosso do Sul. A atividade ocorre na Aldeia Rancho Jacaré, no município de Laguna Carapã.
Quando esta edição foi fechada, o encontro ainda estava em andamento. Dirigentes e ativistas do Coletivo de Luta Indígena Terra Vermelha e do Educadores em Luta, ambos formados por militantes e simpatizantes do Partido da Causa Operária (PCO), apresentaram, por meio de um boletim e de intervenções nos debates, propostas para fortalecer a mobilização em defesa do ensino público de qualidade em todas as aldeias e retomadas.
Os militantes também defenderam melhores salários e condições de trabalho para os educadores.
A seguir, alguns trechos e propostas apresentados no boletim dos militantes do PCO.
Contra os ataques
“Assim como ocorreu ao longo da história de nossos povos e da educação em geral, nada foi conquistado sem luta.
“Embora os governos façam muita demagogia com nosso povo e com os educadores, a maioria deles está empenhada na destruição do ensino público. Esses governos cortam verbas da educação, pagam aos professores um dos piores pisos salariais do país, reprimem a juventude e instalam uma verdadeira ditadura na maioria das escolas.
“Contra essa política, apresentamos aos nossos parentes, professores e servidores da educação propostas para incorporar ao nosso plano de luta. O objetivo é defender um ensino público de qualidade para todos, em todos os níveis, e melhorar as condições de vida e de trabalho dos educadores.
“Esse plano precisa ser colocado em prática por meio de uma ampla campanha, junto às organizações de luta dos guaranis e caiouás, como a Aty Guasu, às organizações dos trabalhadores, como os sindicatos, a FETEMS e a CUT, e às organizações estudantis.”
Plano de luta
- Mais verbas para a educação dos povos índios;
- Concurso diferenciado para assegurar o ingresso de educadores guaranis, caiouás e de outros povos;
- Pagamento imediato do piso salarial nacional dos professores, estabelecido por lei federal e atualmente fixado em R$5.130,00, a todos os professores índios;
- Elevação do piso salarial dos professores para R$8.000,00, conforme determina a Meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), segundo a qual a remuneração dos professores deve ser equiparada à dos demais profissionais com nível superior;
- Auxílio-transporte e gratificação pelo trabalho em locais de difícil acesso para todos os educadores que precisem se deslocar;
- Instalação imediata da Universidade Federal dos Povos Índios em Mato Grosso do Sul, com cursos em todas as áreas e consulta aos representantes dos povos;
- Garantia de vagas para todos os parentes nas universidades públicas, sem vestibular e no curso desejado. Fim dos vestibulares e livre acesso às universidades;
- Computadores e acesso à Internet nas escolas para professores e estudantes;
- Melhoria da merenda escolar, com a participação das comunidades na definição dos cardápios.



