A fábrica argentina de “maiores jogadores da história” nunca fecha. Quando um candidato envelhece, perde ou deixa de convencer, outro é lançado para ocupar seu lugar e ser comparado a Pelé. Di Stéfano, Sívori, Maradona e Messi foram apresentados, um depois do outro, como os homens destinados a destronar o Rei do Futebol. Pelé percebeu o truque 15 anos antes de a final da Copa de 2026 mandar a última fraude para a lata do lixo da história.
Pelé ironizou essa operação durante uma participação no Programa do Jô em novembro de 2011. Ele lembrou que, no início de sua carreira, os argentinos diziam que Alfredo Di Stéfano era superior a ele.
Depois de Di Stéfano, surgiu Omar Sívori. “Craque, craque”, reconheceu Pelé. A propaganda, porém, continuava a mesma: o novo jogador argentino também seria melhor do que o brasileiro.
“Passou o Sívori, veio Maradona: ‘é melhor que o Pelé’. Agora passou Maradona, veio Messi: ‘é melhor que o Pelé’”, afirmou.
Pelé respondeu aos argentinos que eles deveriam, primeiro, decidir quem era o melhor jogador de seu próprio país. “Porque já tem cinco. Depois [de decidir] vamos ver qual é o melhor que o Pelé, o melhor do mundo”, ironizou.
Veja o vídeo:
A declaração expõe uma antiga campanha para diminuir o futebol brasileiro e retirar de Pelé o posto que conquistou dentro de campo. Em vez de apresentar um jogador capaz de superá-lo, a Argentina promove sucessivos candidatos e exige que cada um deles seja tratado como o novo maior da história.
Messi foi o último produto dessa fabricação. Durante anos, a FIFA e a imprensa capitalista procuraram colocá-lo acima do maior jogador de todos os tempos. A final da Copa de 2026 mostrou mais uma vez o acerto da provocação de Pelé. Diante da Espanha, Messi não criou uma oportunidade, não acertou uma finalização no gol e viu a Argentina ser derrotada por 1 a 0. Agora, a fábrica terá de procurar o próximo candidato.





