A polícia do governo de Emmanuel Macron prendeu 1.314 pessoas durante as manifestações de sábado (24) na França. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, divulgou o balanço na manhã de domingo (25). As prisões atingiram a segunda jornada nacional de protestos, chamada de “Ato II”, que reuniu centenas de milhares de pessoas em defesa dos serviços públicos e contra o encarecimento da vida.
O governo mobilizou 70 mil policiais e militares, empregou blindados e proibiu manifestações nos centros de diversas cidades. O aparato contou com soldados da Operação Sentinelle, normalmente encarregada da proteção antiterrorista, além de drones, helicópteros e blindados Centaure. Nuñez também anunciou estruturas de polícia judiciária para encaminhar rapidamente os presos à Justiça.
O próprio ministro afirmou, no sábado, que os atos “se passaram bem”, mas recorreu à denúncia da presença de “vândalos” para justificar a repressão. O total de presos corresponde a cerca de metade do registrado nas manifestações de 17 de outubro.
Os sindicatos contabilizaram aproximadamente 800 mil manifestantes no sábado. O Ministério do Interior apresentou um número muito inferior: 410 mil em todo o país, dos quais 110 mil em Paris, distribuídos por cerca de 298 atos.
Na Porte de Vincennes, em Paris, a polícia atacou manifestantes com canhões d’água e gás lacrimogêneo. Na capital, 64 pessoas foram presas, das quais 40 permaneceram sob custódia policial. Em Lyon, agentes dispersaram com gás cerca de 150 manifestantes que tentavam bloquear uma via no centro, onde os protestos estavam proibidos.
Em Marselha, ocorreram novos confrontos depois da dispersão do ato. A polícia empregou gás lacrimogêneo em pelo menos três cidades. Montpellier, Rouen e Nice estavam entre os municípios cujos centros tiveram manifestações proibidas.
Novos atos contra as proibições
A coordenação dos coletes amarelos convocou novas mobilizações em defesa das liberdades públicas. Na sexta-feira (30), estão previstos panelaços diante da Assembleia Nacional e dos escritórios de parlamentares. No sábado (31), o “Ato III” terá concentrações e manifestações com os participantes sentados diante da Assembleia e das prefeituras municipais.
O movimento denuncia uma “deriva autoritária” do governo, responsável pela proibição dos atos. O sindicato SUD Éducation confirmou adesão à jornada de sábado. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) deve decidir sua participação durante a semana.
As restrições também incluem um toque de recolher na Praça da República e na região de Les Halles, em Paris. A medida proíbe a circulação entre as 23 horas e as seis horas e foi anunciada até as seis horas de terça-feira (27).
Governo recebe estudantes
Depois das prisões em massa, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebe nesta segunda-feira (26) organizações secundaristas e estudantis. O gabinete anunciou a reunião no domingo, com início previsto para as 14h30 em Paris, 10h30 em Brasília. Os estudantes reivindicam o fim do Parcoursup, sistema de seleção para o ensino superior, mais recursos e ampliação das vagas nas universidades.
Na sexta-feira (23), cerca de 20 representantes secundaristas passaram quase três horas reunidos com Macron no Palácio do Eliseu. Lecornu também receberá centrais sindicais, entidades patronais, representantes dos governos locais e parlamentares. Os ministros Édouard Geffray, da Educação, e Philippe Baptiste, do Ensino Superior, devem apresentar as conclusões do governo em entrevista coletiva no fim da tarde.
Para 5 de novembro, as centrais CFDT, CGT, FO, Unsa e FSU convocaram uma greve contra o projeto de orçamento de 2027. Os quatro principais sindicatos ferroviários já entregaram um aviso conjunto de greve para a data.





