As Forças Armadas do Iêmen anunciaram neste sábado (24) sete operações com mísseis balísticos e aeronaves não tripuladas contra aeroportos, instalações petrolíferas e bases militares na Arábia Saudita. O porta-voz militar, brigadeiro-general Iahia Saré, informou que as ações responderam a 100 ataques sauditas em 24 horas contra residências e infraestrutura civil no território iemenita.
No mesmo dia, três bombardeios sauditas contra moradias mataram pelo menos 16 pessoas, entre elas seis mulheres e uma menina. O Ministério da Saúde em Saná informou que o balanço era preliminar e que os ataques também deixaram diversos feridos.
A primeira operação iemenita teve como alvo o aeroporto Rei Calide, em Riade, atacado em duas etapas. A segunda atingiu instalações da petroleira Aramco em Iambu; a terceira, a refinaria de Rabigh; e a quarta, estações de bombeamento de petróleo e o oleoduto que atravessa o território saudita de leste a oeste.
As demais operações foram dirigidas contra o aeroporto internacional Rei Fahd, em Damã, o aeroporto de Najrã e a base aérea de Camis Muxait. O comunicado militar informou que os ataques acertaram os alvos e que a ação em Damã interrompeu o tráfego aéreo.
Saré reafirmou que as operações continuarão até o fim da agressão e do bloqueio ao Iêmen, sob a orientação de “bloqueio por bloqueio e escalada por escalada”.
Bombardeios contra moradias
Na região de Asr, a oeste de Saná, aviões sauditas bombardearam uma casa, matando quatro civis e ferindo outros moradores. No distrito de Hamdã, na província de Saná, um ataque atingiu um prédio residencial de trabalhadores de uma fábrica de cimento. Seis mulheres e uma menina morreram.
Em Hodeida, cidade portuária no oeste do país, outro bombardeio matou cinco integrantes de uma família dentro de casa: o pai, dois de seus filhos e suas duas esposas. O Ministério da Saúde denunciou os ataques a residências e instalações civis como crimes de guerra da Arábia Saudita contra a população iemenita.
Os bombardeios também atingiram outras regiões. O correspondente da emissora Al Mayadeen informou que a cidade costeira de Moca, na província de Taiz, sofreu 20 ataques aéreos desde a manhã de sábado. Na província de Saada, no norte do país, a imprensa iemenita registrou ataques com mísseis contra o distrito de Marrã.
Na sexta-feira (23), Saré anunciou que a Arábia Saudita realizou 124 ataques aéreos e com mísseis em 24 horas. Os bombardeios atingiram Saná, Taiz, Lahij, Saada, Hajja, Hodeida, Amrã e al-Jauf, deixando mortos e feridos, entre eles mulheres e crianças.
O porta-voz identificou a base de Camis Muxait como o ponto de partida dos caças F-15 empregados nos bombardeios. Os mísseis foram lançados da direção de Najrã. No sábado, o total de ataques aéreos e com mísseis registrado pelas Forças Armadas iemenitas desde o início da nova ofensiva saudita chegou a 3.123.
Ataques contra tropas sauditas
Em outro comunicado, Saré anunciou operações contra concentrações de forças apoiadas pela Arábia Saudita no campo al-Nasr e na base naval de Áden. Os combatentes estavam sendo reunidos e equipados sob a supervisão de oficiais sauditas, chefiados pelo brigadeiro-general Badr Salah al-Harbi, para atacar o povo iemenita e suas Forças Armadas, denunciou o porta-voz.
O comando militar convocou os iemenitas recrutados a rejeitar os chamados sauditas para combater seus compatriotas. Advertiu que estavam sendo enviados a “armadilhas mortais” para servir aos interesses sauditas.
Na sexta-feira, as Forças Armadas divulgaram gravações de aeronaves não tripuladas Rajoum lançando bombas contra concentrações de soldados e veículos sauditas e de forças apoiadas pela Arábia Saudita. Também foram divulgadas imagens de ações de atiradores contra mercenários sudaneses nas frentes de fronteira.
Saré rejeitou ainda as acusações sauditas de que as operações iemenitas seriam dirigidas contra os locais sagrados de Meca e Medina, classificando-as como uma “falsidade grave e flagrante”.
“Nossas operações têm como alvo suas instalações petrolíferas e bases militares, e nós as anunciamos no momento em que são realizadas”, declarou.




